quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Sapatinho de Cristal

Chegamos em Torino de trem, após 6 horas de viagem lá estávamos nós. Torino foi meu destino por dois propósitos, ver meu primo Lucas e também o Santo-sudário, a mortalha que envolveu Cristo.
O Lucas foi na estação nos buscar e fiquei muito feliz ao vê-lo. Ele está jogando futebol de salão no time da cidade e divide um apartamento com mais um jogador brasileiro, de fato, a maioria dos jogadores são brasileiros com passaporte italiano, sendo assim, podem disputar o campeonato sem problemas, como um cidadão italiano, e este é o caso do meu primo Lucas.
Falar em primo pode parecer distante, porém minha família é diferente, primo é mais ou menos como irmão, crescemos juntos e mais do que isto, creio que a maioria de nós se encontram em quase todos os finais de semana, onde uma chácara em Mairiporã é o ponto de encontro principal, em especial o Lucas que sempre foi tão ligado a mim, pois tentava de todo o jeito ajudá-lo a arrumar um time bom para jogar, quando seu pai não podia mais fazer este papel. Portanto, foi muito emocionante e gratificante para mim ver que ele estava em um time sério e se dando bem, porém muito longe da realidade imaginada de um super-star no futebol, ninguém o reconhece e na verdade o futebol de salão não é tão difundido quanto o futebol de campo e neste time conheci diversos garotos que sacrificaram sua infância e parte de sua adolescência para realizar um sonho, porém um sonho em uma quadra menor e sem platéia para te aplaudir.
Fomos também no clássico Juventus x Torino, foi muito bacana e a Juve saiu vitoriosa por 1x0 gol do são-paulino Amauri, que por sinal não me lembro dele de nenhum time brasileiro.
Torino é uma cidade bem ao norte da Itália, está tem um culto a moda e vi muitos homens andando pela rua vestidos de um jeito que se fosse no Brasil juraria que eram gays, porém não era, todos fazem sobrancelhas, cabelo cortado de acordo com passarelas, óculos enormes e sempre de grife, sapatos estilosos e etc. De repente me senti desfalcado em usar calça jeans, camisa sem estampa e tênis, mas o que posso fazer, este é o uniforme do mochilão. As ruas ao centro é lotada de lojas de roupas, a Giorgio Armani, possui um shopping nesta região, ternos e blazers que sempre sonhei estavam ali, porém a etiqueta do preço me dizia que poderia aplicar melhor este investimento.
Partimos de Torino para Milão, a fim de pegar o outro trem para Veneza, resultado dormimos na estação do trem, e além do frio, foi uma experiência a parte, de repente de pessoas super-bem-vestidas estávamos ao lado de imigrantes mal-trapilhos, loucos, pessoas descriminadas pela sociedade e etc. a estação não possuía um local de espera para pegar o outro trem e o vento gelado que nos cortava a pele foi ficando mais intenso, sendo assim, procuramos refúgio no interior dos trens ali parados, que fique claro que não poderíamos estar ali, mas era uma questão de sobrevivência, depois de uma hora e meia onde eu não consegui pregar meus olhos de tensão resolvemos procurar outro abrigo, desta vez nos encontramos em um banco de granito, que nos dava a sensação de estarmos sentados em cubos de gelo. Após uma hora de sono leve, um senhor se aproximou da gente e nos disse algo que entendemos que haveria sim uma sala de espera para a gente, saímos em busca desta e achamos um local lotado de pessoas mal encaradas, marroquinos, e outros que tinham a aparência de italianos, porém falavam outro dialeto, creio que eram napolitanos. Como eu poderia deixar minha namorada dormir em uma situação destas¿ bom na verdade não importava mais, esta sala estava quentinha. Conseguimos pegar o trem logo pela manhã com direção a Veneza.
Em Torino ninguém falava inglês, a sorte é que meu primo fala um bom italiano, então não precisamos ficar brincando de imagem e ação, para comprar alguma coisa e baladas, diversas baladas marcam esta cidade de aparência onde você é o que você veste. De repente me senti o Sebastian da C&A.

Um abraço a todos

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Na cova do Leão

Em nosso segundo dia, dia 20 de outubro fomos ao Coliseu. Ao passarmos pelas colunas de sustentação e contemplarmos como poderiam ter tecnologia para construir um estádio daquele tamanho à dois mil anos, foi algo bárbaro, não, usarei outro adjetivo, pois os bárbaros que derrotaram Roma, deixe-me ver, esplêndido.
No subterrâneo do Coliseu ficavam as jaulas e prisões, para abrigar respectivamente as feras e os gladiadores. Estes últimos por sinal tratava-se de escravos que eram confinados a morrer em batalhas, contra outros gladiadores ou contra leões e tigres, porém, muitas vezes eles encenavam batalhas onde os romanos saíram vitoriosos contra outros povos, neste caso se você fosse um romano teria uma chance grande de sair vivo da arena, agora se estivesse representando o povo inimigo já era, pois além de morrer ainda teria que encenar como foi o acontecido.
Como entramos no Coliseu pelo térreo, fomos direto a arena e olhar para cima, ainda provoca calafrios, agora imagina as arquibancadas totalmente lotadas e um outro sujeito com uma espada na mão te esperando do outro lado da arena.
Durante o império de César Augusto, nasce uma pessoa que muda a história de Roma, e esta começa a caçar os seus seguidores cada vez mais fiéis, com a ida de Paulo e Pedro para Roma, surge nesta uma realidade underground dos primeiros cristãos, onde estes não podiam exercer sua fé, mas foi no ano de 65 d.c. que a perseguição contra os cristãos se intensificou, pois atribuíram aos cristãos a culpa sobre um tremendo incêndio na cidade. Estava aberta a temporada, leões contra cristãos no Coliseu.
Depois da aceitação de Roma pelo cristianismo, o Coliseu já não mostrava jogos de morte e um terremoto devasta Roma, comprometendo também as estruturas do Coliseu. Após a queda de Roma o Coliseu, passou a ser usado como prisão e como forte-militar e logo após como de outro terremoto, como depósito de lixo, até ficar 400 anos abandonado e servindo de matéria prima para construção de casas na cidade, com isto foram retirados todos os mármores que cobriam a arena, e também as arquibancadas, as estátuas dos antigos deuses romanos foram saqueadas e assim por diante. Até que o Papa, da época tomasse posse do Coliseu, e colocaria uma cruz em uma das extremidades de sua arena, em homenagem aos cristãos que ali morreram. Ainda neste período o coliseu sofre outro terremoto que derruba parte de sua parede e a igreja se encarrega de reformar um pouco, mas sem perder sua originalidade.
Ao sairmos do Coliseu, nos dirigimos a cidade antiga, neste encontramos um mundo subterrâneo, a casa de César Augusto, o Fóro-Roman onde era decidido as leis (daí o nome Fórum em português), o templo de Rômulo, o mercado de César Trajano (este César é curioso, pois ele nasceu na Itálica terra que hoje em dia é a Espanha) e por fim o Circo Mássimo (é com dois ésses mesmo) onde tinha as famosas guerras de bigas (aquelas carroças romanas, puxadas por cavalos e que nas rodas haviam espadas em seus centros).
As ruas de Roma, são bem pixadas, o povo joga lixo em qualquer lugar, na verdade que se acostuma com a Irlanda, Escócia e Inglaterra tem problemas ao chegar na Itália, pois este povo é muito parecido com o nosso, e em uma maneira geral creio que nós, brasileiros estamos a frente em alguns quesitos, por exemplo: educação e trânsito. Aqui entendi o porque os carros italianos são tão famosos, resistentes, rápidos e etc, mas não me lembro de nenhum piloto italiano famoso, o fato é que aqui é pior que o Rio de Janeiro, quando se trata de trânsito, todos correm feito loucos, não andam nas faixas e atravessar a rua aqui é um perigo, porque eles passam no vermelho com freqüência, assim entendo que o carro italiano tem que ser muito resistente, para que um italiano dirija e muito rápido também, para que chegue à frente do outro, e ao sairmos de casa hoje logo pela manhã fomos brindados com uma batida de carro, bem de baixo de nossa sacada, batida idiota, coisa de sair da garagem, mas bem que eu estava estranhando porque já estava em Roma a cinco dias e não havia visto nada.
Outro fator que diferencia Roma de hoje em dia de qualquer outra cidade é a parte gastronômica, aqui come-se muito bem, e de forma barata, se em Dublin temos a opção McDonald’s ou Burger King, estes não fazem sucesso algum, até porque é difícil encontrar uma região da Itália que não tenha dado o nome para alguma comida, por exemplo: Lingüiça Toscana (região da Toscana), Bife a Parmegiana (região de Parma), Presunto de Parma (poxa de novo) Bife a Milanesa (Milão), Espaguete à Bolognesa (região de Bologna) e etc.
Portanto Roma foi o local que mais gostei, até agora, perdi o trauma do sorvete italiano, adorei sua culinária e muita cultura de um lado e do outro da rua, só é preciso tomar cuidado para atravessar a mesma.

Um abraço para todos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Á César o que é de César

Chegamos em Roma, sem a necessidade de passarmos pela imigração, sendo assim não tivemos que responder nenhuma pergunta ou etc. mas foi bem desgastante nossa chegada.
As informações não são corretas e seguir uma placa pode ser um erro, pois de repente a placa acaba e você não está onde gostaria.
O trânsito gerado por uma manifestação nos fez ficar 2h30 dentro de um ônibus, 30minutos a mais que levamos para ir de avião de Paris para Roma. Na estação onde deveríamos pegar um metrô ou ônibus não conseguimos informação e nem um guia para irmos ao Hostel, por este motivo a Clara entrou em desespero e abriu o berreiro, para que as pessoas na estação não pensassem que eu estava batendo nela resolvi pegar um táxi. O motorista era um cara bem simpático e falava ítalo-inglês, e nós nos encarregávamos de compreender. Este tinha um conhecimento completo do campeonato brasileiro e me perguntou que time eu torcia, respondi e ele falou que adorava o São Paulo, ele sabe que o time italiano em Sampa é o Palmeiras, mas ele gosta mesmo é do São Paulo, até aí tudo bem, achei que ele estava sendo simpático, mas depois que ele me falou até mesmo sobre os pontos do Ipatinga, vi que realmente ele gostava do futebol brasileiro.
Chegando em nosso Hostel fomos muito bem recebidos, e o rapaz responsável pelo Hostel foi o primeiro italiano que falou inglês comigo aqui. Nosso quarto era super limpinho e havia uma varanda que nos dava vista para a rua, o problema para variar era no banheiro, mas desta vez não era sujo, até muito limpo viu, o problema era o chuveiro que não esquentava direito, eventualmente, quando esquentava tínhamos apenas 3 minutos até que a água ficasse gelada novamente.
Roma é uma cidade fantástica, creio que o melhor destino que fui até agora e recebemos nele a presença do Paulo e da Tanira, que vieram de Dublin para passar o aniversário comigo e também claro conhecer Roma.
Roma foi fundada pelos irmãos Rômulo e Remo, que segundo a lenda foram criados por uma loba, sendo assim, a loba é o símbolo da cidade, e deles descenderam todo o império romano que conhecemos dos livros e também dos filmes.
A cidade também é dividida por um rio e ao sul deste rio ficam as ruínas da antiga Roma, creio que poucas cidades no mundo tiveram maior derramamento de sangue do que Roma e aqui respira-se história, mas esta de outra época, uma época muito longínqua.
Logo na saída da estação “collosseo” encontramos algo gigante mais ou menos do tamanho do estádio do Morumbi, só que dois mil anos mais velho, porém não conheci ele internamente, não ainda.
Encontramos com nossos amigos no domingo e fomos para o Vaticano. Ao entrarmos na cidade e vermos a praça São Pedro, que em uma de suas extremidades, encontramos a famosa janela do papa sobre a Basílica de São Pedro, não tem como não se emocionar. Pegamos uma fila enorme e ao entramos na basílica não consegui me conter e entendi ali o motivo pelo qual rezei todos os dias da minha vida nos últimos 26 anos, um lugar mágico onde realmente se sente a presença de Deus um lugar sagrado, fomentado por diversos turistas que sem o menor respeito, entram em uma casa e nem se quer cumprimentam seu dono, apenas disparam flashs e vão embora, de que vale a fotografia de uma igreja se você esquecer seu coração do lado de fora¿ Assisti a missa, comunguei e fomos até o sepulcro papal. Lá estão enterrados todos ou pelo menos a maioria dos papas, muitos caixões com ornamentos, símbolos, esculturas e uma placa que dizia o que fez durante seu regime papal, quando de repente avisto um amontoado de pessoas sobre uma cova, está é simples apenas fechada com o mármore da mesma cor do chão, diversas cartas e apenas um nome, sem fotos, sem bibelôs, sem placa dizendo seus atos, e este nome era João Paulo II, o primeiro Papa não italiano dos últimos 400 anos, o Papa que pediu perdão ao mundo pela época da inquisição, o papa que teve e pregou o respeito a outras religiões, o papa que construiu, pois o bem constrói e o mal destrói. Mas foi em outra cova que me emocionei, esta possuía todos os pisos trabalhados e um altarzinhos para que os fiéis pudessem fazer suas preces, este era Pedro, o apóstolo que Cristo confiou e apóstolo que cortou a orelha de um soldado romano e logo após negou Cristo três vezes, porém anos mais tarde em seu martírio pediu para que fosse crucificado de ponta-cabeça, pois se o mestre dele foi crucificado ele não era digno de ser da mesma forma. E ali, a uma parede de distância, entendi mais do que nunca, que minha fé não é em vão.
Espero que um dia, apenas por um dia, todos consigam sentir o que eu senti naquele momento e espero que um dia, apenas por um dia, você consiga transmitir o que sentiu, pois foi isto que Cristo fez, afinal, dê a César o que é de César e ao Pai o que é do Pai.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Escada para o céu

Minha primeira impressão de Paris não foi das melhores, ao chegarmos na estação Saint Pancras em Londres com destino a estação Gare du Nord em Paris o oficial responsável pelo controle migratório ao ver nosso passaporte verde já nos chamou de lado e começou a questionar:
- Posso ver sua passagem de volta?
- Na verdade nós iremos de Paris para Roma.
- Posso ver o bilhete do trem?
- Eu tenho este papel aqui que diz o número do vôo, mas não é o bilhete, pois hoje em dia nós compramos pela Internet e só recebemos o ticket na hora.
- Hum, quanto tempo vocês pretendem ficar na França?
- 4 dias senhor.
- Qual o motivo da viagem?
- Terminamos o curso de inglês em Dublin e estou viajando pela Europa, veja está já é minha terceira parada.
Passado este desconforto que ocasionou em fila e muitas pessoas me olhando como se fosse terrorista, fomos até o trem e tivemos uma ótima viagem, particularmente, eu adorei viajar de trem, odeio o clima de aeroporto, pessoas desesperadas correndo e sem contar que não temos muitas paisagens pela janela do avião, coisa totalmente diferente quando o assunto é trem, demora mais, mas você não chega ao destino moído.
Desembarcamos na estação Gare du Nord, e se o metro de Londres era super simples de entender, o de Paris era difícil pelos dois, a estação creio que seja a maior da cidade. Comprar bilhete para ficar quatro dias é complicado, pois a cidade é dividido em áreas e cada área com seu respectivo valor e como turista que acabara de chegar, não sabíamos em que área ficava qual ponto turístico, portanto, pedi ajuda a atendente e está me indicou a forma mais barata, trata-se do bilhete laranja. Após muito ler, finalmente achei o caminho para o hotel que ficaríamos em Paris.
Compramos o pacote de hotéis e hostels pelo site,
www.hostelword.com e lá encontrei a opção “budget hotel” que seria como hotel econômico, e escolhi um quarto sem ter a necessidade de dividi-lo com algum estranho.
Chegamos ao Hotel e a moça que me atendeu (muito grossa por sinal) me falou que o banho era cobrado €2,00, e nos perguntou:
-Vocês vão querer com banho?
-Claro!
Aí fiquei pensando: Será que tem gente que escolhe ficar sem tomar banho? O quarto possuía um cheiro de mofo desgraçado, mas o banheiro era limpinho e o chuveiro é excelente.
Paris possui muito entretenimento, mas não são todas as pessoas que falam inglês, porém não encontrei aqui o mito: “Francês odeia falar inglês” não vi isto, muitos até ficavam feliz pois viam em nós a possibilidade de treinar seu inglês, apesar que treinar inglês comigo é complicado, creio que acabávamos treinando mímicas, apesar que agora acho que engano bem.
Paris é conhecido por sua gastronomia, e a França conhecida pelo vinho, especialmente das regiões de Bordeaux e Borgonha, quando se junta os dois então, é algo fantástico. Barraquinhas vendem crepe na rua como vendem cachorro quente no Brasil e este é muito bom, mas você tem que desencanar da higiene, pois eles pegam no dinheiro e logo em seguida na sua comida sem nenhum problema, alguns cínicos ainda usam luvas, mas fazem a mesma coisa, pegam dinheiro com a luva.
Aqui eu vi algo que nem sabia que existia, uma loja de queijo, esta tem diversos tipos de queijo com sabores e aromas diferentes, e vinhos, muitos rótulos que no Brasil custariam na faixa de R$ 40,00 aqui se encontra por €4,00, reparei que Dublin realmente é mais caro que Paris neste sentido.
A torre Eiffel é linda e enorme, fizemos uns videozinhos para que vocês possam entender, porque é muito complicado explicar o que vi.
Realizei um sonho, creio que, muitas pessoas têm o mesmo, mas quando se está aqui, consegui entender o porque Paris sempre atraiu artistas e inventores, por exemplo: a primeira fotografia tirada na história foi dos telhados de Paris, e esta demorou 8h para sua revelação, Van Gogh passou boa parte de sua vida trabalhando na cidade, pois para ele a cidade o inspirava, o mesmo aconteceu com Monet, que deu a idéia do impressionismo, e foi aqui em Paris que conseguiu levantar vôo em frente uma platéia que homologou sua invenção e também que consagrou Alberto Santos Dumont.
Ouvir o nome Paris, não tem como não me lembrar da minha Vó, ela sempre deixou claro que o sonho dela era vir para cá, foi ela quem me deu meu primeiro livro, e foi também ela que me deu meu primeiro livro bom, “O pequeno príncipe” do autor francês Antoine de Saint Exupéry, assim como foi ela quem me contou diversas histórias relacionadas a França, que me impulsionou à vir pra cá, mas não sei algo me diz que ela está comigo neste momento, pois os filhos devem realizar os sonhos dos pais e ser neto é ser filho duas vezes, não é mesmo?

Um abraço à todos

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Altos, Baixos e Subterrâneos

Nos dirigimos para Londres às 9h da manhã de trem, após cinco horas de viagem, muito confortável por sinal, chegamos na estação Saint Pancras. Pessoas, muitas pessoas, de fato, me senti de volta a São Paulo, uma cidade multi-cultural com diversos sotaques e idiomas. Os espanhóis são maioria quando se trata de turistas aqui, e como possuímos um traço tanto quanto hispânico, as pessoas geralmente tentam falar comigo em espanhol, o que me causa uma certa revolta, pois fiquei 8 meses estudando inglês, para conseguir me comunicar em inglês, e hoje até esmola me pediram em espanhol.
Chegamos ao Hostel, e este teve uma apresentação muito melhor que o de Edimburgo, até porque, se fosse pior, seria complicado. Bom, agora estamos em um quarto com mais duas pessoas, o clima do hostel é muito legal, pois diversas pessoas e em geral jovens se conhecem e trocam experiência nestes locais, e neste assim, vejo o quão importante é falar inglês, e até sinto que possuo um bom nível.
Londres é uma cidade fantástica, creio que a maior capital da Europa, e com certeza uma das mais fascinantes. O vestígio das guerras na Inglaterra é muito forte, diversas praças e exposições retratam o tema, e claro, as vitórias do império. Uma curiosidade é que todos os países que fui, pertencente á Grã-bretanha (grupo formado por: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) mostravam muito sua bandeira ( no caso da escócia azul com o X em branco, da Irlanda do Norte branca com uma cruz vermelha e um brazão ao meio, e do país de Gales branca e verde com um dragão vermelho ao meio), foi o caso na Irlanda do Norte e também na Escócia, agora aqui na Inglaterra, eu não vejo a bandeira branca com a cruz vermelha, sempre vejo a bandeira da Grã-bretanha, sendo assim, em minha ótica fica claro que a Grã-bretanha na verdade é a Inglaterra.
Em nosso primeiro dia fomos ao famoso Big-Ben, e foi muito emocionante pra mim, uma vez que só via aquele prédio por fotos ou filmes, mas poder vê-lo ao vivo, foi algo marcante. Logo após subimos na London Eye (olhos de Londres) que é uma roda-gigante do outro lado do rio thames, que assim como a maioria das capitais européias, dividem a cidade ao meio.
O museu Madame Tussaud, museu de cera de Londres, foi uma atração a parte, o primeiro setor é dos atores e personagens de Hollywood, e assim vai passando por áreas como música, política, e claro a guerra, nesta, entra a história da Inglaterra contada sobre versão deles, é claro. Ao sair da aula, nos dirigimos ao setor do horror, e este retrata a revolução francesa como carro forte. Vejo também que o único país que a Inglaterra já temeu foi a França em especial na época de Napoleão.
Hoje pela manhã fomos ao Stanford Bridge, estádio do Chelsea Futebol Clube, visitamos todo o estádio e o museu também, este trata os torcedores como clientes, e não como simplesmente torcedores, acho que os clubes brasileiros tem muito a aprender com o Chelsea.
Agora o mais fascinante substantivo de Londres, é o metrô, este vai de todo o lugar a todo o lugar, muita facilidade e diversos itinerários para escolher, só que não aconselho para quem tenha claustrofobia, pois o treco é apertado. Entrando na estação Victoria Station estava me sentindo de volta a praça da Sé nos horários de pico, e nunca pensei que iria dizer isto, mas me senti em casa.

No woman no cry

Saudades é algo que falo com muita freqüência no blog, mas esta talvez seja de forma diferente, a expressão saudade em português não tem uma tradução clara no inglês, você pode dizer que sente falta, mas não é o mesmo que ter saudades, e não é mesmo.
Como falei no texto anterior, na escócia eles dão muito valor a família, ou ao Clã, e reparei que devo ter vestígios escoceses neste caso, pois a família é algo muito importante pra mim e quando se fala em família, claro, devemos sempre lembrar de nossa mãe. Portanto, estou aqui em um Pub que possui wire-less grátis para escrever este pequeno, e talvez, desapercebido texto para minha mãe. De fato, não iria escrever nada sobre isto, mas as palavras de Bob Marley em uma música tocada de fundo me convenceu do contrário.
Um beijão pra minha mãe e pro meu pai.
Sinto muito falta de vocês, na verdade sinto mais que isto, eu sinto saudades.

domingo, 5 de outubro de 2008

Do outro lado da Ilha

Primeira parada Edimburgo. Que fique claro que foi complicado não ser a única. Uma cidade linda, onde se encontra o moderno e o medieval, de fato se você não gostar de subidas e decidas, é melhor ficar no Hotel, no meu caso o Hostel.
Para quem não sabe o que é um Hostel irei exemplificar, trata-se de um amontoado de tijolos onde é dividido por quartos, de 8 a 16 pessoas por quarto, portanto se vê ou melhor se ouve de tudo, deste a vida sexual de alguns casais até o ronco ensurdecedor do maluco da cama ao lado, peidos e runidos noturnos nem entram na história, porque tanto faz, já que você está com um caminhão Scania de seis marchas parado na sua orelha. O banheiro é comunitário, ao chegar aqui me arrisquei a usá-lo para o número dois, e o que posso dizer é que preferia ter ido no banheiro da rodoviária do Tietê, agora comprei um kit limpeza para minha próxima vez, quem por sinal está demorando um bocado, acho que fiquei tímido.
Na sala de banho que não faz parte do banheiro convencional é parecido com um banheiro de academia segundo minha namorada, porém como academia nunca foi meu forte, para mim parece o banheiro de um presídio, mas neste, eu até posso pegar o sabonete no chão pois tem tapumes que dividem os chuveiros, pisar no chão sem chinelo é atestar suicídio, se bem que dizem que urina faz bem para micose eu prefiro não arriscar, em verdade tive a impressão que a cada banho fico mais sujo. Agora deixando de lado o hostel, vamos para o que interessa: A cidade.
A Prince Street é a avenida central, e esta mesma divide Edimburgo em duas, no lado norte temos a cidade nova e do lado sul a parte antiga, quando digo antiga, digo, antiga mesmo.
Em geral construções de 800 até 1600, ou seja, mais de 800 anos de arquitetura e histórias, muitos contos e histórias que dariam pra encher um livro e que J.K.Rowling, seja minha testemunha, pois foi vendo as paisagens da escola Hogwarts que ela escreveu suas primeiras páginas de Harry Potter. Outra lenda é que no século 17 Edimburgo estava sendo atacada por zumbis, estes levantavam de suas tumbas após morto e aterrorizavam a população local, os criminosos eram enforcados no mercado principal da cidade, diante de platéias enormes, um irlandês que veio para a cidade e matava pessoas para vender seus corpos para pesquisas em universidades teve uma platéia de mais de 25.000 pessoas para ver sua execução.
Assim como os irlandeses os escoceses não gostam dos ingleses e esta concorrência gerou vários conflitos ao longo dos tempos, atualmente a Escócia possui seu próprio parlamento, não sendo mais tão dependente da Inglaterra.
A importância dos Clãs na escócia é algo muito grande, você deve ter sobrenome para se notado aqui, cada família tem um brasão e também um tipo de malha (tecido que é feito o Kilt a saia escocesa), um país muito folclórico e creio que o vestígio Celta seja mais forte aqui em Edimburgo do que em Dublin.
Aqui não vi muitos imigrantes como vi em Dublin, como a Grã-Bretanha não faz parte da União européia as restrições com imigração são mais severas, e os que conseguem preferem ir para Londres, mas sinceramente achei Edimburgo com muita oportunidade e não sei se Londres realmente seria um bom destino, mas em alguns dias poderei afirmar com maior precisão. Portanto estamos apenas em nosso segundo dia de viagem e amanhã viajaremos para os Highlands (terras altas em português) região do monstro do lago Ness e do lendário cavaleiro imortal, que assim como a rainha da Inglaterra e a Derci Gonçalves só morre se cortarem a cabeça, neste caso temos apenas mais dois disputando o título. Bom a gente fez um videozinho que está no youtube, segue o link: http://ie.youtube.com/watch?v=Yts9g3g0iAY

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Fazendo as malas

Está acabando um ano que certamente será um divisor de água em minha vida. Despedidas e mais despedidas, agora sinto como um adeus dói no peito, pois sei que será complicado de reencontrar esta turma no Brasil. Aqui como existem muitos brasileiros, e muitos na mesma faixa etária e objetivos que você, a cumplicidade toma uma força muito grande e você repara que esta realidade underground em que você vive aqui na Irlanda, que muitas vezes te derrubou por indiferenças, te deixou muito mais forte e fez você conhecer pessoas que provavelmente passariam desapercebidos em qualquer calçada de São Paulo.
Fizemos um mini leilão este final de semana, e a cada lance que meus amigos davam um pedaço da minha casa ia embora, no final de 4 horas vi minha casa se desfazer. Que graças a Deus nos rendeu um valor de €146,00 dinheiro suficiente para pagar as despesas da mini festa. Por falar nisto, não sabia que meu apartamento era tão grande contem comigo: Eu, Clara, Bianca, Bruno, Thiago, Maira, Murilo, Thiago baiano, Eric, Tarsila, Bruna, Paula, Alex, Marilene, Juliana, Rafael, Ana Paula, Marcelo, Fábio, Paulo e Tanira (agora sem acento) no total de 19 pessoas em um quarto e sala, mas que parecia um palacete. Muita cerveja e Hot-Dog fizeram o cardápio dos convidados, mas foi quando a festa terminou, que vimos o que estava pela frente.
Começamos a empacotar as coisas para entregarmos o apartamento no dia 30 e como juntamos bagunça em um curto período de tempo. Para fazer as malas recomendo não dobrar as roupas como é habitual, se colocarmos as roupas mais esticadas possível no meio da mala conseguiremos aproveitar melhor o espaço, e nos vãos que se formaram ao redor da mala, é o espaço suficiente para colocarmos toalhas e miudezas.
Depois da despedida do apartamento resolvemos nos separar de endereço, sendo assim a Clara ficou na casa da Bianca e do Bruno e eu fui para a casa do Fábio.
Fazer a mochila para um mochilão é muito complicado, pois devemos levar só o extremamente necessário e saber quais coisas serão é muito difícil. Despachar a bagagem de um mochilão o fará perder tempo no Aeroporto e sem contar nas chances da bagagem ser extraviada, portanto aconselho comprar uma mochila de no máximo 40L, e esta deve pesar por volta de 10k, para que você consiga levá-la como bagagem de mão e muito mais importante que isto, consiga andar com ela caso não encontre um locker.
Os lockers são tipo armários de rodoviária, onde você pega a chave e paga por dia para deixar suas coisas lá, dando a praticidade de andar com uma mochila menor nas costas durante o dia. Outra dica é comprar toalhas especiais de viagem, encontrada nas lojas de camping e uns elásticos com ganchos na ponta para servir de varal durante as noites, e sei que é complicado para as mulheres, mas apenas um tênis é o ideal. Sobre roupas minha mala possui: 5 camisetas, 7 cuecas, 2 calças jeans, 7 pares de meias, 2 cirolas ( para quem não sabe são calças coladas no corpo que ajudam contra o frio), 3 blusas de frio e 1 casaco pesado para o frio, afinal de contas estar na Alemanha em novembro não é a coisa mais indicada, porém é o que faremos.
Portanto está é minha última postagem de Dublin e estarei levando o laptop apenas para manter nosso blog atualizado, com muitas fotos e histórias curiosas. Portanto até Edimburgo, nossa primeira parada.
Na quinta feira aqui no Pub próximo da casa da Bianca realizei um sonho, cantei U2 One em um videoke e modéstia parte cantei bem, tive que ter muita coragem, pois qualquer erro de pronuncia aqui pode ser vexatório, mas fui e foi muito bacana, todos me aplaudiram.
Um amor, Um sangue, uma vida, você tem que fazer o que deveria, uma vida com alguém, irmãos e irmãs.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Sonhos e Vertigens

A forma que se aprende inglês é muito importante, tenho visto muitas escolas de inglês que prometem rios e fundos, tendo um método diferenciado e etc. Tanto que no ramo de franquia não param de pipocar novas escolas, vendendo o nome e o know-how para que seus alunos se sintam confiante na maneira de aprendizado. Eu particularmente reparei na DCI (Dublin Cultural Institute) que cada professor tem sua maneira e seu know-how próprio, desta forma, desde que cheguei aprendi inglês de diversas maneiras. Minha primeira professora tinha um método tão quanto infantil, abusava de jogos, brincadeiras e desafios, para fazer te fazer decorar o texto. Na verdade muito usual, pois ela dá aula no Elementary, e normalmente as pessoas que estão nesta sala não tem muita noção de inglês. Eu ao fazer minha prova aqui, fui classificado neste level. A função da professora é fazer você ter o mínimo de vocabulário necessário para que o aluno comece a se comunicar, além disto, ela ensina os principais verbos e te faz decorar os verbos irregulares. Meu segundo professor foi o John, creio que o melhor professor da escola, ele é PHD em letras, portanto tem muita coisa a ensinar, neste level ele é responsável por fazer o aluno entender o idioma, ensina a usar o pronomes de maneira correta, e a identificar os substantivos, verbos e etc. da frase. Daí em diante o aluno já possui um nível razoável de idioma e portanto o aluno vai mais pra aula pra fazer exercício mesmo.
Farei neste final de semana minha primeira festinha de despedida, nela estarão presentes algumas pessoas de meu cotidiano aqui na Irlanda, com certeza algumas cervejinhas para comemorar e no próximo final de semana faremos uma festinha aqui em nossa casinha mesmo, com o objetivo de leiloarmos algumas coisas (na verdade vamos praticamente dar as coisas, só iremos arrecadar alguma coisinha pro mochilão também).
Vai dando um aperto no coração a cada dia que passa. Estes dois últimos meses, não venho praticando tanto meu inglês, como no começo, mas tenho me divertido muito. Descobri que gosto de cozinhar muito mais do que eu gosto de comer, e após muitos erros na cozinha, começo a fazer meus quitutes com mais qualidade. Tentei fazer alguns pratos irlandeses, mas creio que culinária não seja muito a área deles, temos uma variação de batatas com peixe, que na verdade não sei se é um prato típico irlandês ou inglês.
E por voltar a falar de inglês, a gramática é fácil e entre o falar e o falar bem, há uma diferença gigantesca. Neste momento eu falo inglês, mas ainda há muitos degraus para eu falar bem.
Se você quer aprender, comece de maneira simples, não assista filme dublado.
Agora se você tem o sonho de falar inglês, você precisa passar frio, quem sabe um pouco de necessidade, driblar seu orgulho, sentir saudades e depois de um tempo você irá olhar pra trás e só assim verá se valeu a pena.
Aqui não se aprende inglês, se aprende a viver.

English Version
The way to learn English is very important, I have seem a lot of school with so many promises, like a different way to teach or something like this. For example in franchising business of English school develop very fast, and this promise a different know-how, and this way you can pay for a book and is not guaranteed, honestly, you pay for a brand or a book with pictures. My school I learn with a lot of teacher and honestly, a lot of different meaning. My first teacher she was a little bit stupid, actually, I was feel like a child in her class. The objective of this level is teaching a necessary vocabulary to talk to someone and help you with irregular and regular verbs. The next stage is teach the grammar, this level, you start to understand, what is a noun, what is a subject and something bored things.
Now here in Ireland I discovery a important thing in my life. I love cook, honestly, I prefer cook then eat and I’m a little bit fat to have this impression. The reason is when you don’t have anyone to cook to you, you start to learn how, and because this I have a new passion in my life. I was trying cook a Irish food, but I did not find something interesting and fast as well to cook, because this, I tried the traditional fish & chips, but I am not sure it was a good idea. I don’t know if this food is really Irish or English.
And to comeback to talk about English. The grammar is easy, if you compare with any latin-language, but have a giant bridge between, speak English and speak good English. And I just speak English at the moment.
And if you want to learn any language, you must to rent some movies, but if you have a dream to speak another language, you must have problem with a different culture or weather, you must miss you family and go away to another country, and after some years, you can look to the past and see if was good or not.
Because there, you will not learn just another language, you will learn how you can live.
This was my first text in English I hope you like, and understand me as well.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Insônia

Quando era criança tinha dificuldade de dormir, estranho, pois sinto esta mesma dificuldade hoje, às vezes, no cair da noite aqui na Irlanda me sinto um intruso aqui em minha casa, não posso ler ou escrever no quarto, pois a Clara tem que acordar cedo no outro dia e também não posso ficar na sala, pois o Marcelo reserva este tempo para falar com sua família, portanto muitas vezes fico apenas deitado pensando na vida, mas hoje decidi mudar, por isso, escrevo este texto no banheiro (mas eu não estou fazendo nada relaxa) pois é o terceiro cômodo da minha casa.
Passei minha infância inteira e parte de minha adolescência na Rua A, nesta encontrei meus dois primeiros e grandes amigos. Normalmente nós nos lembramos de quando conhecemos pessoas que se tornaram importantes em nossas vidas, nós nos lembramos de cenas e acho muito importante recordá-las eventualmente, mas estes dois amigos, já estavam lá quando eu consigo obter minha primeira lembrança. A Vila Suissa (eu não sei o por quê mas é escrito com dois ésses) era para ser um condomínio fechado de casas, algo chique, mas por algum motivo que desconheço as casas viraram populares e o valor de venda desceu muito, o que tenho a impressão que tenha favorecido minha ida para esta rua. Portanto muitos jovens casais se mudaram para estas ruas e “nós” crianças, crescemos juntos e muitas vezes brincávamos com fulano ou beltrano, porque nossas mães tinham afinidades. Vai ver por isto eu o Léo e o Cleber sejamos tão próximos.
Outras cenas ainda estão em minha memória, e esta muito a ver com um herói nacional, ou melhor, internacional, Airton Senna. Quando eu tinha por volta de 8 anos, nós acordávamos bem cedo no sábado de manhã para assistirmos a corrida, muitos torciam para o Piquet, mas eu torcia muito para o Senna, e logo que acabava a corrida todas as crianças pegavam seus skates e desciam a rua, pulando as lombadas, para desespero das mães. Elas não entendiam, ninguém iria brecar com medo de cair e isto me custou um perna quebrada, mas não importa eu ganhei a corrida.
Outra coisa de garotos era o futebol, a maioria das crianças da minha rua torciam para o São Paulo Futebol Clube, claro que devido a grande fase que o São Paulo estava, não poderia se esperar outra coisa, os que eram Palmeirenses ou Corinthianos eram por obrigação, já que o pai era, mas o filho morria de vontade de torcer para o São Paulo. A minha história com meu time foi um pouco incomum, meus pais não gostavam de futebol, mas adoravam viajar, especialmente para outros estados, como Goiás (na pousada do Rio Quente, que na verdade ficávamos apenas no camping). Ao jogar futebol com as outras crianças elas me perguntavam: - Você é mineiro ou Goiano? Eu na esperança de dizer: Sou paulistano, me confundi dizendo: -Sou São Paulino. Pronto estava decidido meu time, para a tristeza dos meus tios corinthianos e palmeirenses e para a felicidade do meu tio por parte de pai o Kleber.
Aqui, neste lugar gelado, começo a me lembrar disto, da minha infância, da casa da rua A, de minhas corridas de skate, das partidas de futebol e dos primeiros e agora com mais de 25 anos de existência e eternos amigos. Às vezes ficar na cama deitado sem fazer nada, apenas pensando pode ser divertido. Boa Noite.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Cacos e fiapos

Começo agora a vender ou dar as coisas que consegui aqui na Irlanda, deixando pra trás alguns amigos, muitos colegas e muitas histórias. Meu retrospecto em relação a minha vinda foi muito positivo, creio que o nível de meu idioma é satisfatório, claro que não tenho fluência, mas oito meses era todo o tempo que eu tinha disponível e creio que cumpri bem a missão. Começo a preparar para meu retorno ao Brasil onde realmente estou adquirindo mais conhecimento para desenvolver meu trabalho, meu real trabalho.
Dublin ficou muito marcado em minha vida, e com certeza terei muitas saudades da época que dividia uma casa com mais cinco brasileiros, (Léo, Antônio, Sushi, Guilherme e Síndico) também sentirei muita falta da turma da Prontaprint do Tim, Marcelo, Dave, Davinho, Sean, Catriona e Gayle e onde descobri um cara fora de série que me ajudava muito, não tanto com dicas profissionais, mas no sentido pessoal, pois me dava muitos conselhos sobre o que eu deveria fazer e como superar determinados problemas, infelizmente só me aproximei do Ronan nos últimos dois meses que antecederam minha saída da loja. Das partidas de futebol que eu organizava para os sábados à tarde, dos jantares e almoços na casa da Bianca e do Bruno, onde o Tiago Baiano sempre aparecia na hora que a comida estava pronta, partidas de baralho na casa do Paulo e da Tânira, que por sinal irão passar meu aniversário conosco em Roma, das voltas de bicicleta pela George Street, dos churrascos e reuniões na casa da Maíra e do Thiago, resumindo: consegui muitas coisas que não posso vender, mas conheço muitas pessoas que pagariam um preço muito alto para ter apenas um amigo.
Faltando um pouco mais de 20 dias para o início de nossa viagem, me deparo com um sentimento que mescla ansiedade com saudades, parece estranho, mas eu nem saí daqui ainda e já estou sentindo falta, a cada passo que dou próximo ao Trinity College, a cada vez que cruzo o Liffey, olho para eles e procuro ao máximo gravar o que estou vendo, creio que mais que isto, procuro gravar o que estou vivendo. Para isto serve esta página de Internet, uma memória de um rapaz de 25 anos, que largou sua família, seu trabalho, simplesmente para correr atrás de algo que ele mesmo não consegue explicar, mas uma coisa eu posso afirmar: Ele encontrou.

Os. A cinqüenta posts atrás você não me conhecia tão bem, e pra falar a verdade nem eu.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O Gigante


Esta semana recebi em minha casa meu amigo do Rio de Janeiro, Marcelo. Este ainda está deslocado, perante as tantas mudanças, culturais, climáticas e comportamentais.
Durante um passeio ao centro de Dublin, nos encontramos com a Fernanda, uma menina bem alto astral, mas que estava meio sumida de nosso cotidiano. Esta nos comentou que precisava de mais três pessoas para fechar um carro e ir a Belfast, capital da Irlanda do Norte, o valor era convidativo, e as três vagas ela conseguiu antes mesmo que pudesse terminar sua frase.
Nos organizamos para nos encontrar no sábado de manhã às 7h e este foi quase seguido a risca. O veiculo que viajaríamos seria uma “van” da Mercedes Benz, muito espaçosa por sinal.
Belfast na Irlanda do Norte é a cidade que mais sofreu com o conflito entre protestantes e católicos, sendo muito interessante conhecer, até porque temos apenas o ponto de vista dos Irlandeses do Sul e não sabemos como pensa os seus irmãos Irlandeses do Norte. Estes por sua vez pintam a idéia que o I.R.A (Irish republican Army) era um grupo terrorista católico, que atacava sem dó nem piedade civis. Claro que não é bem assim.
Eu sempre pensei que os Irlandeses do Norte não gostavam de ser representantes da Grã-bretanha, pois eles foram a moeda de troca que a Irlanda do Sul conseguiu por sua independência, mas não foi isso que vi assim que cruzei a fronteira.
Bandeiras da Grã-Bretanha por todos os lados, creio eu que até de forma cansativa, e claramente a Irlanda do Norte é a fazenda da Inglaterra, pois o solo irlandês é o mais fértil da Europa e o cheiro de estrume toma conta dos arredores de Belfast.
O que uma cidade precisa ter para ser considerado uma cidade? Pois bem, no Brasil qualquer cidade que se preze tem uma praça, um coreto e uma igreja católica ao meio da praça, mas esta idéia embora muito válida no Brasil, aqui não vale de nada. Não vi igreja alguma o tempo que fiquei em Belfast, as que vi, eram protestantes, assim como não vejo muitas igrejas protestantes aqui em Dublin (Protestante não tem nada a ver com o popular evangélico brasileiro que fique bem claro, eles não se dedicam a religião e em verdade não vão muito aos cultos e etc. creio que deva ter o protestante praticante e o não-praticante assim como alguns falsos católicos cismam em se rotular) Mas certamente há, eu apenas não as vi.
Eu imaginava que o conflito entre a separação da ilha fosse algo recente, mas este conflito já dura anos, sendo que por diversas vezes os irlandeses tentavam sua independência, um dos muros havia uma frase muito forte pra não dizer ofensiva contra o catolicismo de Robson Crusoé em mil seiscentos e lá vai fumaça. Muitas pinturas nas paredes sobre o conflito, e certamente estava pisando em um solo regado á muitos anos com sangue.
Depois deste baque cultural e histórico, onde você se encontra com cenários que você via no domingo a noite no fantástico, não há muito tempo atrás, fomos a um lugar mágico, algo tão grandioso como a história de Belfast, algo digno de Irlanda, trata-se dos Giants Cause Way.
Várias rochas parecem ser esculpidas a mão em forma de colméia, uma se encaixando perfeitamente a outra. Algo maravilhoso assim infelizmente só conseguirei te mostrar por foto, mas espero que um dia você tenha a oportunidade de tocá-la, de sentar em seu topo e ficar admirando o pôr-do-sol.
Diz à lenda que um Gigante construiu o caminho e cravou as rochas no chão, próximo a sua casa e também próximo ao mar, e por sua fama se espalhar por toda ilha, um outro Gigante veio querer derrotá-lo para ficar com sua fama, ao saber da notícia o Gigante Cause Way, fingiu estar dormindo e passou determinadas instruções à sua esposa. Ao chegar à casa do Gigante o outro perguntou sobre o Gigante de Cause Way, sua esposa disse: - Ele saiu para caçar. Aquele que está dormindo é o filho dele!
O Gigante vendo o tamanho do suposto filho ficou com medo e saiu às pressas antes que seu pai voltasse da caçada.
Sem nenhum propósito a lenda do Gigante de Cause Way, se encaixa perfeitamente com a história do conflito onde o I.R.A saiu vitorioso, a Irlanda não conseguia recrutar um exército para combater a Inglaterra, e seus soltados eram em sua maioria estudantes, católicos que sonhavam com a independência, então suas ações eram classificadas como atos de terrorismo, mas foi uma luta inteligente, talvez uma das mais difíceis que a Inglaterra já se deparou, pois lutava contra um adversário fantasma, lutava contra um espírito, o espírito dos irlandeses. Portanto não importa o tamanho, precisamos aprender a combater com inteligência e sobre tudo fé em nosso ideal.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Em voz baixa

Talvez o texto que mais tenha me emocionado desde que comecei a escrever no blog, foi “A missa”, neste retrato o habito dominical em um país marcado pelas diversidades religiosas entre católicos e protestantes, claro relacionando com minha vida.
Como me mudei para Dublin 8, em um bairro muito próximo de Rathmines, freqüento outra igreja, e a missa não tem a mesma força que possuía a do centro de Dublin, portanto, muitas vezes quando a Clara vai dormir e eu continuo acordado, pois não sinto o menor sono as 10h da noite, pego a Bíblia e faço uma leitura. Lucas, Marcos, Mateus e João, realmente mexem comigo, porém o texto que mais leio diz o seguinte:
Paulinho,
Esta Bíblia é para seus momentos com Deus e lembre-se “Ele” sempre está onde você estiver, e eu também estarei contigo em pensamento e em minhas orações. Te amo filho, lute e seja feliz.
De sua amiga, mãe e tudo mais que você tem dentro de seu coração. Regina 24.01.08
Ao terminar este pequeno texto já me sinto preparado para começar a leitura, não leio de forma desordenada, e também não leio como se fosse “A Palavra” leio como um livro que sinto prazer em ler gosto de comparar os textos dos evangelistas por exemplo. A assim em pensamento me sinto mais próximo de Deus. Porém este final de semana tirei a preguiça da minha casa e fui até o centro para assistir a missa, e esta, como é especial.
Ao entrar já senti o cheiro de incenso e as velas dando um tom de romantismo à entrada principal, uma moça muito simpática lhe oferece o folheto da missa, com um sorriso bem largo e dizendo:
- Seja muito bem vindo à casa de Deus. (em inglês, claro)
Após encontrar um lugar, reparei que o quarteto da liturgia estava lá, e se da primeira vez que fui a missa não compreendia o que eles cantavam, agora posso me sentir orgulhoso.
A língua deixou de ser um bicho de sete cabeças pra mim, agora na verdade ela só tem três cabeças: Passado, presente e futuro, mas já me sinto confiante em um diálogo ou até mesmo em um debate.
Encontrei meu amigo Síndico na missa e reparei o tanto de brasileiros que estavam lá, de certa forma me senti mais aliviado. Entender palavras como “joio” em inglês, é muito difícil, portanto, muitas vezes tento relacionar o evangelho em inglês e puxar na minha memória, qual é esta passagem, até porque assim como em nosso idioma, a Bíblia em inglês, possui uma linguagem muito antiga.
A missa começou fechei meus olhos e a cada minuto que ficava ali sentia que estava recuperando minha energia, eu já estava perdendo minha identidade, não poderia me curvar diante dos problemas, tenho sim que aprender a enxergar as coisas por outro ângulo, estava me corroendo, nunca havia ficado em casa em quanto os outros vão trabalhar e eu juro, isto não é minha vontade. Ainda em oração vejo minha namorada se emocionando com suas orações e meu amigo orando após a comunhão. E tudo que pensei foi: Que este pedaço de pão seja capaz de alimentar toda a nossa alma.
O tempo que fiquei aqui foi muito bom para eu aprender a me avaliar, pois nós projetamos a pessoa que nós queremos ser, mas há uma diferença da pessoa que nós nos mostramos, se queremos passar segurança, podemos ser interpretados como enrolador, se queremos passar firmeza, podemos ser interpretados como rude e se queremos passar convicção podemos acabar passando arrogância.
Portanto o tempo que estou ficando aqui, está me servindo para aprender mais do que inglês, eu estou aprendendo a me encontrar, a saber, quem sou e como conseguir me levantar após um tombo de auto-estima. Neste caso, gostaria de compartilhar, a minha carta favorita de São Paulo apóstolo e adaptada por Renato Russo.

Ainda que eu falasse a língua dos homens,
Ainda que eu falasse a língua dos anjos,
Sem o amor, eu nada seria.

E eu não sou um nada, porque amo muito.
Fiquem com Deus

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Enquanto isto

Não é fácil arrumar um emprego no mês de agosto, e em verdade, eu nem estou mais procurando, graças a Deus consegui juntar um valor razoável para viajar com folga, o máximo que acontecerá, é que ao invés de tomarmos vinho em Paris, tomaremos água mesmo.
Compramos passagem para todos os destinos muito antes, sendo assim conseguimos um preço bem legal, e como não gosto do clima de aeroporto, dei preferência a viagens de trem, além de curtir a paisagem poderemos desfrutar de algumas bebidas a bordo.
Em todas as cidades que ficaremos dormiremos em Hostel, para quem não sabe, tratasse de uma espécie de Abrigo ou Albergue, onde você divide quarto com outras pessoas, em geral o quarto possui seis camas, e a média por noite é £ 18,00 euros por pessoa, como não podemos levar muita mala, uma vez que teremos que carregar para cima e para baixo, iremos adotar a famosa mochila. Daí o nome Mochilão. Em muito locais e em geral em aeroportos, rodoviárias e terminais ferroviários, se encontra o famoso “LOCKER”, sabe aquele armário que o terrorista sempre coloca a bomba, ou guarda o dinheiro nos filmes de Hollywood, pois bem, eles existem e são muito úteis para te poupar de carregar peso.
A refeição é outro desafio, o restaurante mais famoso do mundo, que fora do Brasil possui seu apelo muito mais pro popular, do que para o infantil, ou seja, o McDonald’s, com certeza fará parte de nosso cardápio. Muitas vezes a diária do Hostel está inclusa o café da manhã, com isto sobra alguns trocadinhos pra “quem sabe” abusar um pouquinho em uma refeição durante a semana, por refeição é feita uma média de £ 8,00 por pessoa.
Outro desafio a superar será a lavanderia, ou melhor, a falta dela, levar barbantes ou qualquer tipo de cordinha também é uma boa dica, assim poderemos lavar roupas de baixo durante o banho e colocá-la pra secar durante a noite. É difícil, mas não sei se terei outra chance de fazer uma viagem destas, e o melhor e curtir.
Gostaria de agradecer a todos pela companhia e também mandar um abraço especial para a Geise e o Tio Antônio.
Os. Desculpe a demora de atualizar, mas já cortaram minha internet!!! E vida!!!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

O princípio do fim

Recebi na tarde de quinta-feira um e-mail que me animou, me deu esperança em arrumar um emprego, em verdade só tenho mais dois meses aqui, e sei que não serei um bom negócio para a empresa, pois quando eles terminarem de me treinar para o novo ofício eu já terei que partir. O e-mail era claro e pedia minha presença na segunda feira no Shopping Stephens Green para uma entrevista.
Apressei-me, passei minha camisa de botão e fui até o shopping “Just on time” de começar. Ao entrar na praça de alimentação pedi informação a um garçom e este me conduziu até o andar superior, onde deveria procurar uma moça chamada Sharon, ao me apresentar esta me deu um formulário e pediu para que me sentasse e preenchesse, reparei que todas as pessoas no andar que eu estava, tinha um papel similar ao meu, e todos esperando uma oportunidade de conversar com o entrevistador.
Cem pessoas, este foi mais o menos o número que vi na fila de empregos, fiquei cerca de 90 minutos esperando para uma conversa de não mais que 8 minutos, comecei quebrando o clima de uma entrevista padrão e creio que me saí bem, e pela primeira vez me vi do lado de lá da mesa, é uma ótima experiência com certeza. O entrevistador leu meu currículo de cabo a rabo e este me perguntou:
-Por que você quer trabalhar em uma empresa de alimento se você possui um know-how muito bom na área gráfica?
-Sou jovem, e creio que se devo mudar, tem que ser agora, portanto escolhi fazer um teste.
Após outras perguntas encerramos a entrevista e me dirigi para a Grafton Street, uma rua muito movimentada aqui, e nela reparei uma humilde loja de gravatas precisando de atendente, pensei: Eu posso ser um vendedor de gravata, afinal de contas, creio que vender cópias seja mais difícil.
Entrei na loja e o atendente estava ocupado, ao esperar o atendimento reparei uma outra pessoa entrando na loja e esta ficou vendo o preço de tudo. Cheguei ao lado dela e perguntei: -Posso ajudar¿
-Só estou dando uma olhadinha.
-Qualquer coisa estou ao lado.
Poucos minutos depois a moça foi embora e o atendente se desocupou, de fato ele nem viu o que eu havia feito, apenas viu que eu havia falado com a moça. Ele pegou meu currículo e me perguntou sobre a disponibilidade de horário, e sinceramente sinto mais firmeza nesta empresa do que na outra que me pareceu gigantesca e que eu jamais iria conhecer o dono. Meu objetivo é aprender, e prefiro trabalhar em uma empresa pequena e ter contato com os gerentes e proprietários, do que trabalhar em uma empresa grande que meus superiores ficassem evitando meu crescimento.
Eu enviei meu currículo a todas as gráficas de Dublin e nenhuma me respondeu, então fui pessoalmente em cada uma levar meu currículo e me apresentar, e mesmo assim, não obtive sucesso, ainda, claro.
Esta foi apenas minha primeira tentativa, e enquanto tenho meu tempo livre aproveito para fazer os estudos da Tesouro e os meus planos de viagem. O itinerário nós já temos e estou pensando o quão emocionante será escrever de 4 em 4 dias sobre países totalmente diferentes, dificuldades que certamente surgirão e culturas e hábitos, que pelas minhas palavras me esforçarei ao máximo para levar vocês comigo nesta viagem.
Edimburgo, Escócia (terra do Coração Valente, uma cidade que possui um castelo medieval bem no centro)
Londres, Inglaterra (terra rica em história, onde a monarquia prevalece)
Paris, França (terra dos vinhos, do charme, a cidade mais visitada do mundo)
Roma, Itália (terra do Papa, eu o visitarei no dia do meu aniversário)
Veneza, Itália (temos que visitá-la enquanto ela inda não sumiu)
Berlin, Alemanha (terra do muro, de boa cerveja e povo hospitaleiro)
Amsterdã, Holanda (onde a maconha é legalizada em bares próprios)
Zurich, Suíça (a extensão da minha casa)
Começa dia 04 de outubro, caso tenha algum lugar que possam me recomendar dentro destas cidades, por favor.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Cabisbaixo

Faz muito tempo que não tinha um momento de fraqueza como este que sinto agora, me sinto incapaz e em verdade uma chuva forte me prende dentro de casa evitando que eu distribua meus currículos.
Sexta-feira foi meu último dia de trabalho, após o expediente, nos dirigimos ao PUB ao lado, para celebrarmos, como se houvesse motivo de felicidade, e em verdade nem sabia o porque estava brindando, talvez eu só consiga entender agora.
O sentimento de estar sem trabalho é horrível e o que mais perco com isto é que não treinarei inglês, tanto quanto treinava antes. Consegui um avanço muito rápido no idioma, devido à facilidade que tive em conseguir um emprego que falava toda a hora.
Adoraria procurar algo, na área comercial ou mesmo sendo vendedor de uma loja qualquer de roupa qualquer, em um shopping qualquer, mas todo o meu currículo é direcionado para gráfica. Isto me faz lembrar de quando tinha 17 anos e conversei com meu pai sobre a possibilidade de mudar de área, sem eu perceber, ele me provou que amo meu trabalho.
Agora como você se sentiria se você não pudesse estar com quem você ama? Como você se sentiria se você não pudesse estar no lugar que ama? E como você se sentiria se você também não pudesse fazer o que ama? Assim estou ou sou eu, neste exato momento.
Com a falta de recursos, nós aprendemos que podemos nos divertir com pouco, apenas uma noite jogando baralho com amigos já é um evento, um simples churrasco, aqui é algo de extremo valor, então, vejo que não posso reclamar, já que até participei de um churrasquinho no domingo. Segunda, foi feriado, e hoje terça-feira, é meu primeiro dia da semana, o que eu também não quero ver como feriado.
A falta da minha cama, a falta da minha família, a falta de um chuveiro bom, a falta de pão francês com manteiga e café com leite, a falta de arroz com feijão, a falta da tesouro. Nesta hora reparo que o nome da nossa loja, não poderia ser melhor, pois é exatamente isto que ela representa a nossa vida.
A chuva diminuiu, devo me apressar.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Mais do que idioma


Fomos a Galway, novamente este final de semana. Muito sol, passeamos por toda a costa atlântica do condado de Claire, porém com outros amigos, que ainda não conheciam a pequena cidade e em verdade, nem nós mesmos conhecíamos, pois não parava de chover um instante na outra vez. Thiago, Maíra, Murilo, Juliana, Clara e Eu. Pegamos o carro na sexta-feira à noite e devolvemos no domingo. Já estou me acostumando com a mão invertida do trânsito, também já não olho mais com tanta estranheza, o volante do outro lado.
Ficamos em um B&B (Bed and breakfast) muito limpo e bonito também, e uma senhora muito simpática nos recepcionou. Ao ver que nós falávamos inglês, ela perguntou:
- Vocês são da Itália?
- Não somos do Brasil.
Abriu-se um sorriso na face da mulher e esta mudou até mesmo a entonação de voz conosco.
- Desculpe, é que normalmente os brasileiros que conheço não falam inglês, e vocês têm uma pronúncia muito boa. (ta certo que só a Maíra falava com ela, e ela realmente tem um inglês muito bom).
- A menina que limpa aqui também é brasileira (neste momento entendemos porque a casa estava tão limpa).
- Ela mora em Gort, vocês conhecem?
- Não nunca fomos pra lá.
- Gort é uma cidade aqui perto, que um terço da população é brasileira, normalmente eles vem pra trabalhar em frigorífico.
Tivemos curiosidade e resolvemos visitar a cidade. Chegando lá encontramos a loja “Real Brasil” nela os atendentes não falavam inglês, marcas de cerveja brasileira, Guaraná Antarctica, feijão e carnes no corte brasileiro.
Conversamos com alguns moradores, e reparamos que os brasileiros eram metade da população. Não conheci ninguém que falava inglês, em verdade, estes já não eram mais estudantes, todos eram trabalhadores de cidades pobres no Brasil que imigraram, para a Irlanda preferindo viver ilegalmente, porém ganhando o suficiente para viver.
Conversamos com um rapaz, com um português bem arrastado, que nos falou, que a maioria das pessoas que estavam na cidade eram de Anápolis em Goiás, cerca de 1500 brasileiros faziam parte da população de quase 4000 moradores da cidade, este também havia largado pra trás sua filha, que há quatro anos ele não a vê, e senti emoção em suas palavras quando nos contou sua estória.
Isto me fez lembrar de minha própria estória, das pessoas que deixei pra trás, mas em breve, muito em breve reencontrarei, da Tesouro, que é a melhor e mais completa copiadora que já entrei e por falar em copiadora.
Chega ao fim, minha experiência na Prontaprint. Dave, meu chefe resolveu não renovar comigo por mais dois meses, pelo fato do movimento estar fraco, realmente há dias que fico 4 horas lá sem fazer uma encadernação se quer, e entendo o ponto de vista dele. Agora ficarei dois meses mais até começar minha turnê pela Europa, sem emprego. Já mandei alguns currículos, pra não ficar zerado de dinheiro até o dia 4 de outubro, data em que começa minha saga, isto nos dá uma crise de identidade, nunca passei pela experiência de estar desempregado, de ter que entregar currículos na rua, de fazer as contas que normalmente faço pra contabilizar os gastos da Tesouro, para contabilizar minha refeição diária. O que eu aprendi aqui, faculdade nenhuma ensina, o que aprendi em seis meses, pessoas demoram a vida toda pra perceber e outros já nascem sabendo, por isto arregaço as mangas, pego minha pasta e vou a luta, afinal de contas, eu rezo todas as noites para que seja feita a vontade Dele e não a minha, mas eu tenho que fazer a minha parte.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Dias de Sol

Como vocês já devem ter reparado, não há muita oportunidade de contemplar o sol, na Irlanda, porém este final de semana foi diferente. Mesmo com sol sempre devemos levar nossos casacos e blusas, o guarda-chuva, também parte fundamental do traje irlandês, estava presente.
A Irlanda é a terra mais fértil da Europa, mesmo assim, importa todos os produtos. A batata, maior fonte de alimento na Irlanda também é importada, assim como a energia elétrica, que vem da Rússia e muitos outros produtos. Qualquer um que olhe para este diagnóstico, concluirá que a Irlanda é um país pobre, sem futuro, não possui petróleo, não possui terras o suficiente para plantações e não possui energia elétrica, mas ao contrário disto a Irlanda é um país curioso, pois a maior parte da economia é gerada pelo setor de serviços, o que é um prato cheio para um estudante de marketing.
A mão-de-obra é cara e sinceramente eles não se ligam muito na qualificação profissional, em uma maneira geral não procuram evoluir, ou lutar para conseguir melhor emprego, afinal de contas eles falam inglês, e isto já basta para conseguir um emprego razoável.
Franquias de muitas lojas, tanto que trabalho em uma franquia de impressão, é impossível percorrer dois quarteirões sem encontrar uma loja “SPAR”, “Bagel Factory”, “O’Briens” e assim por diante, normalmente tendo como funcionários, imigrantes e na maioria dos casos poloneses.
A Polônia possui 40 milhões de habitantes, sei que em relação a Brasil é um pouco mais que a população do estado de São Paulo, porém, por se tratar de Europa, este número é gigantesco. Com a entrada da Polônia na União Européia, eles receberam livre acesso para qualquer outro país do bloco europeu e já representam 10% de toda a população na Irlanda, porém os países que mais sofrem com a imigração polonesa são: a Suíça, a Áustria e a Alemanha. Saindo um pouco da Europa, estimasse que 1/6 da população de Chicago nos Estados Unidos também sejam poloneses, alguns jornais tratam o assunto como “A Epidemia Polonesa”. Uma vez que eles não podem barrar um polonês na entrada de seu país com barram um brasileiro ou um maurício.
O salário mínimo por hora é €8,60 tendo um passaporte ou tendo visto de trabalho aqui, o limite de horas trabalhadas por semana são de 40, gerando um montante de €344,00 por semana, ou €1376,00 por mês. Dinheiro suficiente para pagar um aluguel, comprar comida e ainda juntar uns €300,00 em alguma aplicação. Um carro usado em bom estado custa na faixa de €1000,00, ou seja, juntado dinheiro uns 3 meses já conseguiria ter seu carro, uma realidade muito diferente do Brasil.
Creio que pela nossa economia ser tão predadora, nós brasileiros estamos acostumados a trabalhar e estudar, sempre, não importa o que aconteça, se você ficar seis meses sem estudar, será passado pra trás, se não tiver inglês, perderá uma vaga importante na empresa, se não tiver faculdade não conseguirá ganhar mais que R$ 1000,00 e se não tiver pós-graduação não terá chance de mostrar seus adjetivos, ou seja, lutamos uns contra os outros e muitas vezes contra si mesmo, para não sermos mais um no metrô, e se você quiser entrar neste vagão terá que empurrar alguém e diminuir seu espaço.
Mas este sábado fez sol, e eu continuo aqui correndo atrás do meu lugar nele.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Mudança Climática

É impressionante como o clima do ambiente pode influenciar no humor de seus habitantes. Aqui na Irlanda o tempo é sempre feio, temos cerca de 360 dias de chuva e os outros dias sol, intercalados durante as estações. O anoitecer na Irlanda, no verão, acontece por volta das 22h, horário que confunde muito minha cabeça, pois como viemos do Brasil e eventualmente, este horário chego em casa, temos a sensação de ser realmente 18h, curiosamente é o horário no Brasil, porque o fuso horário é 4h à mais.
Fomos para um churrasco no sábado, em verdade muito diferente do que nós estávamos acostumados, porém muito divertido. Aqui não se encontra sal grosso, o corte das carnes é diferente, não mudando apenas o nome, mas também o jeito de prepará-la. Sirilon, é muito parecido com o nosso popular contra-filé, o Sirilony, é um pedaço da picanha com a maminha, e o fast fry, é a alcatra. Agora imagine quanto nós não tivemos que errar para aprender isto, mas pra que ficar falando nisto, se não temos dinheiro nem para comprar um Acém ou Patinho¿ Pois bem, juntamos um dinheirinho e compramos carne, lingüiça, cerveja e vamos lá.
Uma noite de sábado típica dos eventos no alto de Mairiporã, onde a chuva também aparece com freqüência, por um instante, apenas um instante, me senti em casa.
Por falar em casa, minha irmã se mudou, e reparei que, quem mais está sofrendo com a mudança é a Tia Lourdes, porque levaram a menininha que estava colorindo nossas vidas, mas em especial a dela.
Um dia meu Tio Kleber me falou a seguinte frase: - Nossa vida é fechada em ciclos de cinco anos, de cinco em cinco anos tudo muda! Este foi à última vez que fui na casa dele, era natal e estávamos no Guarujá à exatamente cinco anos, e como nossas vidas mudaram.
Eu nunca nem em meus momentos de devaneios me imaginei morando no Rio, não imaginei minha mãe separada de meu pai, não imaginei que minha irmã estivesse casada, não imaginei que a casa que projetamos e lutamos nossa vida inteira ficaria largada e nunca me imaginei na Irlanda ou morando fora do país.
Agora quer saber o pior de tudo? É que tem gente que ainda fala que sou criativo. Isto é, imagino coisas!
Pense um pouquinho! Aonde e como você estava à cinco anos atrás?

terça-feira, 8 de julho de 2008

Notícias

Nesta noite de Terça-feira fiquei atualizado das notícias cariocas. Em verdade mais especificamente a um dado, o acontecimento a seguir passa-se na Rua Conde de Bonfim, Tijuca Rio de Janeiro, onde dois policiais alvejaram um carro e neles se perdera uma vida, uma vida que tinha muito pela frente com certeza. Fico revoltado a ver coisas deste tipo na cidade onde moro, ou costumava morar, é impossível não derramar lágrimas ao receber uma notícia destas pela Internet, e ver a comoção de seus familiares. As pessoas que são pagas para nos proteger de repente estar-nos caçando assim, e nesta guerra infinita entre bandidos e bandidos fardados aparece a sociedade.
E neste momento surge-me um sentimento que há muito tempo eu não sentira, revolta, será que sou contra meu próprio país?
Não sou apenas totalmente contra nós mesmos, pois nós colocamos um bando de despreparados a governar nosso país e nós votamos nos malditos dos vereadores e deputados que deveriam ter a obrigação de defender nossos interesses. E nós nem se quer sabemos qual a diferença entre deputados e vereadores.
Neste momento fico imaginando que a dor que sentiu aquelas pessoas, poderiam ter ocorrido com qualquer um de nós, ou pra ser mais exato de mim, basta não ter ido a Dublin, e resolver fazer um curso de extensão na Veiga e pronto, possivelmente seria eu, afinal meu carro é preto. O Brasil não existe pena de morte, mas eles ainda continuam atirando pra matar.
Uma vez eu tomei um enquadro da polícia irlandesa, e com toda a educação me perguntaram: -Você tem documento?
Se algo desta monstruosidade viesse a acontecer aqui na Europa, por mais insignificante que seja o país no contexto europeu, com certeza aconteceria algo, mas no Brasil tudo que vemos é: - Cuidado, você pode ser o próximo!
Á um tempo atrás um brasileiro foi assassinado em uma estação de metrô em Londres, este foi alvejado por sete tiros, se não me falha a memória, em suspeita de terrorismo. Nós brasileiros não temos a palavra terrorismo em nosso vocabulário, e por isto, a rainha assinou um pedido de desculpas e medidas para que isto não acontecesse novamente foram tomadas ou ainda estão sendo é verdade, porém uma coisa é certa apenas ouvi uma notícia de morte hoje no rádio, e este alguém foi um menino brasileiro de três anos de idade, torcedor do Fluminense, ou seja, tricolor, assim como eu.
Verás que um filho teu não foge à luta, Nem teme, quem te adora, a própria morte.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O sabor da maçã

Hoje parece um dia típico de segunda-feira, se não fosse por um detalhe.
Acordo normalmente às 9h, faço uma hora para sair de minha convidativa cama, para enfrentar o frio que entra pela fresta da porta. Faço alguns exercícios, nada de mais, só quero evitar os comentários que deixam um gordinho frustrado, coisas do tipo: - Nossa você passou bem na Irlanda né! – Nossa Paulinho, você já está pronto pro abate! Coisas assim me deixam muito chateado, em verdade eu tenho tendência, e, ou passo minha vida inteira comendo alface, ou posso ser um gordinho feliz, e na verdade prefiro a segunda opção. É bem verdade que quando passo além da conta, trato de fechar a boca, até claro o primeiro churrasco, que no caso da minha família, o primeiro final de semana.
Logo após meus exercícios matinais, tomo um café da manhã e vou para o banho, passo minha camiseta, pego a Penélope e vamos para a Prontaprint.
Eu adoro meu trabalho, não sou tão rápido como o Tim ou o Dave, mas presto muita atenção nos trabalhos que faço, sendo assim dificilmente eu faço algo errado, nas vezes que ocorreram estas falhas, tive minha parcela de culpa, claro, mas não fui o principal culpado.
Estava fazendo encadernação wire-o como todo o santo dia e colocando as mesmas dentro de envelopes, etiquetando para mandarmos para o correio, quando meu chefe disse que estava do lado errado, eu não havia percebido que deveria colar a etiqueta atrás do envelope e não na frente, talvez coisas deste tipo justifiquem a informação a seguir.
No site da Prontaprint, existe um campo que diz: -Our team! Ou seja “nosso time” e nele descreve um pouco sobre cada um dos profissionais que lá trabalham, tendo seu nome e suas características, tanto quanto sua experiência no ramo. Já chegando em minha parte eles descrevem da seguinte maneira: -David Crosbie: faz todo tipo de acabamento sempre procurando o melhor, ele já trabalha conosco há um ano, e quando possui muito trabalho ele recebe a assistência de um auxiliar temporário. Bom esta última parte aí sou eu. Eu trabalho todos os dias, nunca chego atrasado, não falto, como é uma prática bastante comum aqui, e é assim que sou visto. (segue o link caso alguém queira comprovar http://www.leesonst.prontaprint.com/Pages/OurTeam.aspx)
Todos da área de produção haviam saído para fumar, e eu aproveitei o momento para comer minha maçã. Que por sinal é uma espécie de cigarro para mim, fico ali mordendo e pensando na vida. Deu uma saudade, uma vontade que voltar pra casa, ficava imaginando como estão todas as coisas? como estão todos? estou aqui à cinco meses, e agora a saudade realmente começa a apertar, não apenas de minha família, mas como do ambiente brasileiro em geral, sinto saudades de poder ir em um restaurante sem ser o Mc Donald’s, fico com saudades de poder pegar o carro só pra ir a esquina, uma vez que aqui eu ando para ir do norte ao sul da cidade. Saudade de comer, pão com manteiga, de tomar o café da minha mãe ou simplesmente comer um churrasquinho com o Victor, saudades de pular na piscina, tomar caipirinha, comer feijão, jogar futebol, saudades de fazer trabalhos escolares, ir à saraiva e ver que livro novo saiu, saudade de um bom chuveiro, com que eu consiga esfregar minhas costas sem encostar no azulejo, saudade de assistir o jornal nacional, ver uma partida do São Paulo, ir na locadora, ir ao cinema. Saudades de mim. Resumindo, não há no mundo alguém que sinta
mais falta de mim, do que eu mesmo.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Onde Nasce a chuva parte dois

Jantamos em um restaurante típico irlandês, e pedimos uma refeição realmente muito boa e feita com muito capricho. No bar, havia música irlandesa típica e o inglês pouco se ouvia daquelas pessoas, que tem como primeira língua o gaélico.
Fiquei conversando com o Paulo e cheguei uma conclusão, o Brasil é muito caro, tudo que consumimos aí é muito acima do custo que deveria ser. Aqui qualquer que seja seu emprego, você ganhará o mínimo para conseguir alugar um quarto e tocar sua vida, sem muito luxo é verdade, mas honestamente. Já o Brasil tudo é muito caro, pela realidade salarial do país, impulsionado com certeza pelo nosso imposto que foi feito por ignorante, ou seja, tudo que você ganhar, dê para o governo. Em outras palavras: “O Brasil é legal, mais é uma bosta, já aqui é uma bosta, mais é legal” afinal de contas estamos na Europa.
Acordamos às 7h e fomos tomar um café tipicamente irlandês na casa dos donos do B&B e claro devolver a chave. Corn flakes, leite, café aguado, pães, lingüiça, bacon e ovos. Com um café da manhã destes não tivemos escolha, tivemos que viajar com o vidro do carro aberto, isto é, molhados e com um frio do cace... Uma hora depois e muitas tentativas erradas, achamos os Cliffs.
Lá em cima, o vento age com violência sobre seus ouvidos, muitas vezes te impedindo de prosseguir o caminho. A chuva passa a vir de baixo para cima também, sendo assim, não adianta se proteger, e sinceramente, precisaríamos de um guarda-chuva de aço, se quiséssemos enfrentar aquele vento.
A força do vento é tão forte que quando estava descendo os Cliffs, estava com a gola de minha jaqueta de couro levantada, impedindo de entrar vento em minhas costas, porém, eu quase fui nocauteado, por uma seqüência de tapas de minha própria gola em meu rosto, e como ardeu. As pedrinhas voaram do chão e uma acertou meu supercílio que ficou inchado.
Ao entrarmos no carro, quase congelados, só conseguimos falar: -Hu, quentinho!
Continuamos em sentido a Limerick para almoçarmos e seguir nossa viagem de volta.
Aqui não tem o popular Self-service, a diferença de preço entre o fast-food e o a la carte é enorme, sendo assim, somos impulsionados a comer no Mc Donald’s e companhia, porém em Limerick, nós corremos a avenida principal atrás de algo diferente e acabamos comendo comida chinesa, resultado final: tivemos que voltar com o vidro aberto novamente.