segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Em voz baixa

Talvez o texto que mais tenha me emocionado desde que comecei a escrever no blog, foi “A missa”, neste retrato o habito dominical em um país marcado pelas diversidades religiosas entre católicos e protestantes, claro relacionando com minha vida.
Como me mudei para Dublin 8, em um bairro muito próximo de Rathmines, freqüento outra igreja, e a missa não tem a mesma força que possuía a do centro de Dublin, portanto, muitas vezes quando a Clara vai dormir e eu continuo acordado, pois não sinto o menor sono as 10h da noite, pego a Bíblia e faço uma leitura. Lucas, Marcos, Mateus e João, realmente mexem comigo, porém o texto que mais leio diz o seguinte:
Paulinho,
Esta Bíblia é para seus momentos com Deus e lembre-se “Ele” sempre está onde você estiver, e eu também estarei contigo em pensamento e em minhas orações. Te amo filho, lute e seja feliz.
De sua amiga, mãe e tudo mais que você tem dentro de seu coração. Regina 24.01.08
Ao terminar este pequeno texto já me sinto preparado para começar a leitura, não leio de forma desordenada, e também não leio como se fosse “A Palavra” leio como um livro que sinto prazer em ler gosto de comparar os textos dos evangelistas por exemplo. A assim em pensamento me sinto mais próximo de Deus. Porém este final de semana tirei a preguiça da minha casa e fui até o centro para assistir a missa, e esta, como é especial.
Ao entrar já senti o cheiro de incenso e as velas dando um tom de romantismo à entrada principal, uma moça muito simpática lhe oferece o folheto da missa, com um sorriso bem largo e dizendo:
- Seja muito bem vindo à casa de Deus. (em inglês, claro)
Após encontrar um lugar, reparei que o quarteto da liturgia estava lá, e se da primeira vez que fui a missa não compreendia o que eles cantavam, agora posso me sentir orgulhoso.
A língua deixou de ser um bicho de sete cabeças pra mim, agora na verdade ela só tem três cabeças: Passado, presente e futuro, mas já me sinto confiante em um diálogo ou até mesmo em um debate.
Encontrei meu amigo Síndico na missa e reparei o tanto de brasileiros que estavam lá, de certa forma me senti mais aliviado. Entender palavras como “joio” em inglês, é muito difícil, portanto, muitas vezes tento relacionar o evangelho em inglês e puxar na minha memória, qual é esta passagem, até porque assim como em nosso idioma, a Bíblia em inglês, possui uma linguagem muito antiga.
A missa começou fechei meus olhos e a cada minuto que ficava ali sentia que estava recuperando minha energia, eu já estava perdendo minha identidade, não poderia me curvar diante dos problemas, tenho sim que aprender a enxergar as coisas por outro ângulo, estava me corroendo, nunca havia ficado em casa em quanto os outros vão trabalhar e eu juro, isto não é minha vontade. Ainda em oração vejo minha namorada se emocionando com suas orações e meu amigo orando após a comunhão. E tudo que pensei foi: Que este pedaço de pão seja capaz de alimentar toda a nossa alma.
O tempo que fiquei aqui foi muito bom para eu aprender a me avaliar, pois nós projetamos a pessoa que nós queremos ser, mas há uma diferença da pessoa que nós nos mostramos, se queremos passar segurança, podemos ser interpretados como enrolador, se queremos passar firmeza, podemos ser interpretados como rude e se queremos passar convicção podemos acabar passando arrogância.
Portanto o tempo que estou ficando aqui, está me servindo para aprender mais do que inglês, eu estou aprendendo a me encontrar, a saber, quem sou e como conseguir me levantar após um tombo de auto-estima. Neste caso, gostaria de compartilhar, a minha carta favorita de São Paulo apóstolo e adaptada por Renato Russo.

Ainda que eu falasse a língua dos homens,
Ainda que eu falasse a língua dos anjos,
Sem o amor, eu nada seria.

E eu não sou um nada, porque amo muito.
Fiquem com Deus

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Enquanto isto

Não é fácil arrumar um emprego no mês de agosto, e em verdade, eu nem estou mais procurando, graças a Deus consegui juntar um valor razoável para viajar com folga, o máximo que acontecerá, é que ao invés de tomarmos vinho em Paris, tomaremos água mesmo.
Compramos passagem para todos os destinos muito antes, sendo assim conseguimos um preço bem legal, e como não gosto do clima de aeroporto, dei preferência a viagens de trem, além de curtir a paisagem poderemos desfrutar de algumas bebidas a bordo.
Em todas as cidades que ficaremos dormiremos em Hostel, para quem não sabe, tratasse de uma espécie de Abrigo ou Albergue, onde você divide quarto com outras pessoas, em geral o quarto possui seis camas, e a média por noite é £ 18,00 euros por pessoa, como não podemos levar muita mala, uma vez que teremos que carregar para cima e para baixo, iremos adotar a famosa mochila. Daí o nome Mochilão. Em muito locais e em geral em aeroportos, rodoviárias e terminais ferroviários, se encontra o famoso “LOCKER”, sabe aquele armário que o terrorista sempre coloca a bomba, ou guarda o dinheiro nos filmes de Hollywood, pois bem, eles existem e são muito úteis para te poupar de carregar peso.
A refeição é outro desafio, o restaurante mais famoso do mundo, que fora do Brasil possui seu apelo muito mais pro popular, do que para o infantil, ou seja, o McDonald’s, com certeza fará parte de nosso cardápio. Muitas vezes a diária do Hostel está inclusa o café da manhã, com isto sobra alguns trocadinhos pra “quem sabe” abusar um pouquinho em uma refeição durante a semana, por refeição é feita uma média de £ 8,00 por pessoa.
Outro desafio a superar será a lavanderia, ou melhor, a falta dela, levar barbantes ou qualquer tipo de cordinha também é uma boa dica, assim poderemos lavar roupas de baixo durante o banho e colocá-la pra secar durante a noite. É difícil, mas não sei se terei outra chance de fazer uma viagem destas, e o melhor e curtir.
Gostaria de agradecer a todos pela companhia e também mandar um abraço especial para a Geise e o Tio Antônio.
Os. Desculpe a demora de atualizar, mas já cortaram minha internet!!! E vida!!!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

O princípio do fim

Recebi na tarde de quinta-feira um e-mail que me animou, me deu esperança em arrumar um emprego, em verdade só tenho mais dois meses aqui, e sei que não serei um bom negócio para a empresa, pois quando eles terminarem de me treinar para o novo ofício eu já terei que partir. O e-mail era claro e pedia minha presença na segunda feira no Shopping Stephens Green para uma entrevista.
Apressei-me, passei minha camisa de botão e fui até o shopping “Just on time” de começar. Ao entrar na praça de alimentação pedi informação a um garçom e este me conduziu até o andar superior, onde deveria procurar uma moça chamada Sharon, ao me apresentar esta me deu um formulário e pediu para que me sentasse e preenchesse, reparei que todas as pessoas no andar que eu estava, tinha um papel similar ao meu, e todos esperando uma oportunidade de conversar com o entrevistador.
Cem pessoas, este foi mais o menos o número que vi na fila de empregos, fiquei cerca de 90 minutos esperando para uma conversa de não mais que 8 minutos, comecei quebrando o clima de uma entrevista padrão e creio que me saí bem, e pela primeira vez me vi do lado de lá da mesa, é uma ótima experiência com certeza. O entrevistador leu meu currículo de cabo a rabo e este me perguntou:
-Por que você quer trabalhar em uma empresa de alimento se você possui um know-how muito bom na área gráfica?
-Sou jovem, e creio que se devo mudar, tem que ser agora, portanto escolhi fazer um teste.
Após outras perguntas encerramos a entrevista e me dirigi para a Grafton Street, uma rua muito movimentada aqui, e nela reparei uma humilde loja de gravatas precisando de atendente, pensei: Eu posso ser um vendedor de gravata, afinal de contas, creio que vender cópias seja mais difícil.
Entrei na loja e o atendente estava ocupado, ao esperar o atendimento reparei uma outra pessoa entrando na loja e esta ficou vendo o preço de tudo. Cheguei ao lado dela e perguntei: -Posso ajudar¿
-Só estou dando uma olhadinha.
-Qualquer coisa estou ao lado.
Poucos minutos depois a moça foi embora e o atendente se desocupou, de fato ele nem viu o que eu havia feito, apenas viu que eu havia falado com a moça. Ele pegou meu currículo e me perguntou sobre a disponibilidade de horário, e sinceramente sinto mais firmeza nesta empresa do que na outra que me pareceu gigantesca e que eu jamais iria conhecer o dono. Meu objetivo é aprender, e prefiro trabalhar em uma empresa pequena e ter contato com os gerentes e proprietários, do que trabalhar em uma empresa grande que meus superiores ficassem evitando meu crescimento.
Eu enviei meu currículo a todas as gráficas de Dublin e nenhuma me respondeu, então fui pessoalmente em cada uma levar meu currículo e me apresentar, e mesmo assim, não obtive sucesso, ainda, claro.
Esta foi apenas minha primeira tentativa, e enquanto tenho meu tempo livre aproveito para fazer os estudos da Tesouro e os meus planos de viagem. O itinerário nós já temos e estou pensando o quão emocionante será escrever de 4 em 4 dias sobre países totalmente diferentes, dificuldades que certamente surgirão e culturas e hábitos, que pelas minhas palavras me esforçarei ao máximo para levar vocês comigo nesta viagem.
Edimburgo, Escócia (terra do Coração Valente, uma cidade que possui um castelo medieval bem no centro)
Londres, Inglaterra (terra rica em história, onde a monarquia prevalece)
Paris, França (terra dos vinhos, do charme, a cidade mais visitada do mundo)
Roma, Itália (terra do Papa, eu o visitarei no dia do meu aniversário)
Veneza, Itália (temos que visitá-la enquanto ela inda não sumiu)
Berlin, Alemanha (terra do muro, de boa cerveja e povo hospitaleiro)
Amsterdã, Holanda (onde a maconha é legalizada em bares próprios)
Zurich, Suíça (a extensão da minha casa)
Começa dia 04 de outubro, caso tenha algum lugar que possam me recomendar dentro destas cidades, por favor.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Cabisbaixo

Faz muito tempo que não tinha um momento de fraqueza como este que sinto agora, me sinto incapaz e em verdade uma chuva forte me prende dentro de casa evitando que eu distribua meus currículos.
Sexta-feira foi meu último dia de trabalho, após o expediente, nos dirigimos ao PUB ao lado, para celebrarmos, como se houvesse motivo de felicidade, e em verdade nem sabia o porque estava brindando, talvez eu só consiga entender agora.
O sentimento de estar sem trabalho é horrível e o que mais perco com isto é que não treinarei inglês, tanto quanto treinava antes. Consegui um avanço muito rápido no idioma, devido à facilidade que tive em conseguir um emprego que falava toda a hora.
Adoraria procurar algo, na área comercial ou mesmo sendo vendedor de uma loja qualquer de roupa qualquer, em um shopping qualquer, mas todo o meu currículo é direcionado para gráfica. Isto me faz lembrar de quando tinha 17 anos e conversei com meu pai sobre a possibilidade de mudar de área, sem eu perceber, ele me provou que amo meu trabalho.
Agora como você se sentiria se você não pudesse estar com quem você ama? Como você se sentiria se você não pudesse estar no lugar que ama? E como você se sentiria se você também não pudesse fazer o que ama? Assim estou ou sou eu, neste exato momento.
Com a falta de recursos, nós aprendemos que podemos nos divertir com pouco, apenas uma noite jogando baralho com amigos já é um evento, um simples churrasco, aqui é algo de extremo valor, então, vejo que não posso reclamar, já que até participei de um churrasquinho no domingo. Segunda, foi feriado, e hoje terça-feira, é meu primeiro dia da semana, o que eu também não quero ver como feriado.
A falta da minha cama, a falta da minha família, a falta de um chuveiro bom, a falta de pão francês com manteiga e café com leite, a falta de arroz com feijão, a falta da tesouro. Nesta hora reparo que o nome da nossa loja, não poderia ser melhor, pois é exatamente isto que ela representa a nossa vida.
A chuva diminuiu, devo me apressar.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Mais do que idioma


Fomos a Galway, novamente este final de semana. Muito sol, passeamos por toda a costa atlântica do condado de Claire, porém com outros amigos, que ainda não conheciam a pequena cidade e em verdade, nem nós mesmos conhecíamos, pois não parava de chover um instante na outra vez. Thiago, Maíra, Murilo, Juliana, Clara e Eu. Pegamos o carro na sexta-feira à noite e devolvemos no domingo. Já estou me acostumando com a mão invertida do trânsito, também já não olho mais com tanta estranheza, o volante do outro lado.
Ficamos em um B&B (Bed and breakfast) muito limpo e bonito também, e uma senhora muito simpática nos recepcionou. Ao ver que nós falávamos inglês, ela perguntou:
- Vocês são da Itália?
- Não somos do Brasil.
Abriu-se um sorriso na face da mulher e esta mudou até mesmo a entonação de voz conosco.
- Desculpe, é que normalmente os brasileiros que conheço não falam inglês, e vocês têm uma pronúncia muito boa. (ta certo que só a Maíra falava com ela, e ela realmente tem um inglês muito bom).
- A menina que limpa aqui também é brasileira (neste momento entendemos porque a casa estava tão limpa).
- Ela mora em Gort, vocês conhecem?
- Não nunca fomos pra lá.
- Gort é uma cidade aqui perto, que um terço da população é brasileira, normalmente eles vem pra trabalhar em frigorífico.
Tivemos curiosidade e resolvemos visitar a cidade. Chegando lá encontramos a loja “Real Brasil” nela os atendentes não falavam inglês, marcas de cerveja brasileira, Guaraná Antarctica, feijão e carnes no corte brasileiro.
Conversamos com alguns moradores, e reparamos que os brasileiros eram metade da população. Não conheci ninguém que falava inglês, em verdade, estes já não eram mais estudantes, todos eram trabalhadores de cidades pobres no Brasil que imigraram, para a Irlanda preferindo viver ilegalmente, porém ganhando o suficiente para viver.
Conversamos com um rapaz, com um português bem arrastado, que nos falou, que a maioria das pessoas que estavam na cidade eram de Anápolis em Goiás, cerca de 1500 brasileiros faziam parte da população de quase 4000 moradores da cidade, este também havia largado pra trás sua filha, que há quatro anos ele não a vê, e senti emoção em suas palavras quando nos contou sua estória.
Isto me fez lembrar de minha própria estória, das pessoas que deixei pra trás, mas em breve, muito em breve reencontrarei, da Tesouro, que é a melhor e mais completa copiadora que já entrei e por falar em copiadora.
Chega ao fim, minha experiência na Prontaprint. Dave, meu chefe resolveu não renovar comigo por mais dois meses, pelo fato do movimento estar fraco, realmente há dias que fico 4 horas lá sem fazer uma encadernação se quer, e entendo o ponto de vista dele. Agora ficarei dois meses mais até começar minha turnê pela Europa, sem emprego. Já mandei alguns currículos, pra não ficar zerado de dinheiro até o dia 4 de outubro, data em que começa minha saga, isto nos dá uma crise de identidade, nunca passei pela experiência de estar desempregado, de ter que entregar currículos na rua, de fazer as contas que normalmente faço pra contabilizar os gastos da Tesouro, para contabilizar minha refeição diária. O que eu aprendi aqui, faculdade nenhuma ensina, o que aprendi em seis meses, pessoas demoram a vida toda pra perceber e outros já nascem sabendo, por isto arregaço as mangas, pego minha pasta e vou a luta, afinal de contas, eu rezo todas as noites para que seja feita a vontade Dele e não a minha, mas eu tenho que fazer a minha parte.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Dias de Sol

Como vocês já devem ter reparado, não há muita oportunidade de contemplar o sol, na Irlanda, porém este final de semana foi diferente. Mesmo com sol sempre devemos levar nossos casacos e blusas, o guarda-chuva, também parte fundamental do traje irlandês, estava presente.
A Irlanda é a terra mais fértil da Europa, mesmo assim, importa todos os produtos. A batata, maior fonte de alimento na Irlanda também é importada, assim como a energia elétrica, que vem da Rússia e muitos outros produtos. Qualquer um que olhe para este diagnóstico, concluirá que a Irlanda é um país pobre, sem futuro, não possui petróleo, não possui terras o suficiente para plantações e não possui energia elétrica, mas ao contrário disto a Irlanda é um país curioso, pois a maior parte da economia é gerada pelo setor de serviços, o que é um prato cheio para um estudante de marketing.
A mão-de-obra é cara e sinceramente eles não se ligam muito na qualificação profissional, em uma maneira geral não procuram evoluir, ou lutar para conseguir melhor emprego, afinal de contas eles falam inglês, e isto já basta para conseguir um emprego razoável.
Franquias de muitas lojas, tanto que trabalho em uma franquia de impressão, é impossível percorrer dois quarteirões sem encontrar uma loja “SPAR”, “Bagel Factory”, “O’Briens” e assim por diante, normalmente tendo como funcionários, imigrantes e na maioria dos casos poloneses.
A Polônia possui 40 milhões de habitantes, sei que em relação a Brasil é um pouco mais que a população do estado de São Paulo, porém, por se tratar de Europa, este número é gigantesco. Com a entrada da Polônia na União Européia, eles receberam livre acesso para qualquer outro país do bloco europeu e já representam 10% de toda a população na Irlanda, porém os países que mais sofrem com a imigração polonesa são: a Suíça, a Áustria e a Alemanha. Saindo um pouco da Europa, estimasse que 1/6 da população de Chicago nos Estados Unidos também sejam poloneses, alguns jornais tratam o assunto como “A Epidemia Polonesa”. Uma vez que eles não podem barrar um polonês na entrada de seu país com barram um brasileiro ou um maurício.
O salário mínimo por hora é €8,60 tendo um passaporte ou tendo visto de trabalho aqui, o limite de horas trabalhadas por semana são de 40, gerando um montante de €344,00 por semana, ou €1376,00 por mês. Dinheiro suficiente para pagar um aluguel, comprar comida e ainda juntar uns €300,00 em alguma aplicação. Um carro usado em bom estado custa na faixa de €1000,00, ou seja, juntado dinheiro uns 3 meses já conseguiria ter seu carro, uma realidade muito diferente do Brasil.
Creio que pela nossa economia ser tão predadora, nós brasileiros estamos acostumados a trabalhar e estudar, sempre, não importa o que aconteça, se você ficar seis meses sem estudar, será passado pra trás, se não tiver inglês, perderá uma vaga importante na empresa, se não tiver faculdade não conseguirá ganhar mais que R$ 1000,00 e se não tiver pós-graduação não terá chance de mostrar seus adjetivos, ou seja, lutamos uns contra os outros e muitas vezes contra si mesmo, para não sermos mais um no metrô, e se você quiser entrar neste vagão terá que empurrar alguém e diminuir seu espaço.
Mas este sábado fez sol, e eu continuo aqui correndo atrás do meu lugar nele.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Mudança Climática

É impressionante como o clima do ambiente pode influenciar no humor de seus habitantes. Aqui na Irlanda o tempo é sempre feio, temos cerca de 360 dias de chuva e os outros dias sol, intercalados durante as estações. O anoitecer na Irlanda, no verão, acontece por volta das 22h, horário que confunde muito minha cabeça, pois como viemos do Brasil e eventualmente, este horário chego em casa, temos a sensação de ser realmente 18h, curiosamente é o horário no Brasil, porque o fuso horário é 4h à mais.
Fomos para um churrasco no sábado, em verdade muito diferente do que nós estávamos acostumados, porém muito divertido. Aqui não se encontra sal grosso, o corte das carnes é diferente, não mudando apenas o nome, mas também o jeito de prepará-la. Sirilon, é muito parecido com o nosso popular contra-filé, o Sirilony, é um pedaço da picanha com a maminha, e o fast fry, é a alcatra. Agora imagine quanto nós não tivemos que errar para aprender isto, mas pra que ficar falando nisto, se não temos dinheiro nem para comprar um Acém ou Patinho¿ Pois bem, juntamos um dinheirinho e compramos carne, lingüiça, cerveja e vamos lá.
Uma noite de sábado típica dos eventos no alto de Mairiporã, onde a chuva também aparece com freqüência, por um instante, apenas um instante, me senti em casa.
Por falar em casa, minha irmã se mudou, e reparei que, quem mais está sofrendo com a mudança é a Tia Lourdes, porque levaram a menininha que estava colorindo nossas vidas, mas em especial a dela.
Um dia meu Tio Kleber me falou a seguinte frase: - Nossa vida é fechada em ciclos de cinco anos, de cinco em cinco anos tudo muda! Este foi à última vez que fui na casa dele, era natal e estávamos no Guarujá à exatamente cinco anos, e como nossas vidas mudaram.
Eu nunca nem em meus momentos de devaneios me imaginei morando no Rio, não imaginei minha mãe separada de meu pai, não imaginei que minha irmã estivesse casada, não imaginei que a casa que projetamos e lutamos nossa vida inteira ficaria largada e nunca me imaginei na Irlanda ou morando fora do país.
Agora quer saber o pior de tudo? É que tem gente que ainda fala que sou criativo. Isto é, imagino coisas!
Pense um pouquinho! Aonde e como você estava à cinco anos atrás?

terça-feira, 8 de julho de 2008

Notícias

Nesta noite de Terça-feira fiquei atualizado das notícias cariocas. Em verdade mais especificamente a um dado, o acontecimento a seguir passa-se na Rua Conde de Bonfim, Tijuca Rio de Janeiro, onde dois policiais alvejaram um carro e neles se perdera uma vida, uma vida que tinha muito pela frente com certeza. Fico revoltado a ver coisas deste tipo na cidade onde moro, ou costumava morar, é impossível não derramar lágrimas ao receber uma notícia destas pela Internet, e ver a comoção de seus familiares. As pessoas que são pagas para nos proteger de repente estar-nos caçando assim, e nesta guerra infinita entre bandidos e bandidos fardados aparece a sociedade.
E neste momento surge-me um sentimento que há muito tempo eu não sentira, revolta, será que sou contra meu próprio país?
Não sou apenas totalmente contra nós mesmos, pois nós colocamos um bando de despreparados a governar nosso país e nós votamos nos malditos dos vereadores e deputados que deveriam ter a obrigação de defender nossos interesses. E nós nem se quer sabemos qual a diferença entre deputados e vereadores.
Neste momento fico imaginando que a dor que sentiu aquelas pessoas, poderiam ter ocorrido com qualquer um de nós, ou pra ser mais exato de mim, basta não ter ido a Dublin, e resolver fazer um curso de extensão na Veiga e pronto, possivelmente seria eu, afinal meu carro é preto. O Brasil não existe pena de morte, mas eles ainda continuam atirando pra matar.
Uma vez eu tomei um enquadro da polícia irlandesa, e com toda a educação me perguntaram: -Você tem documento?
Se algo desta monstruosidade viesse a acontecer aqui na Europa, por mais insignificante que seja o país no contexto europeu, com certeza aconteceria algo, mas no Brasil tudo que vemos é: - Cuidado, você pode ser o próximo!
Á um tempo atrás um brasileiro foi assassinado em uma estação de metrô em Londres, este foi alvejado por sete tiros, se não me falha a memória, em suspeita de terrorismo. Nós brasileiros não temos a palavra terrorismo em nosso vocabulário, e por isto, a rainha assinou um pedido de desculpas e medidas para que isto não acontecesse novamente foram tomadas ou ainda estão sendo é verdade, porém uma coisa é certa apenas ouvi uma notícia de morte hoje no rádio, e este alguém foi um menino brasileiro de três anos de idade, torcedor do Fluminense, ou seja, tricolor, assim como eu.
Verás que um filho teu não foge à luta, Nem teme, quem te adora, a própria morte.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O sabor da maçã

Hoje parece um dia típico de segunda-feira, se não fosse por um detalhe.
Acordo normalmente às 9h, faço uma hora para sair de minha convidativa cama, para enfrentar o frio que entra pela fresta da porta. Faço alguns exercícios, nada de mais, só quero evitar os comentários que deixam um gordinho frustrado, coisas do tipo: - Nossa você passou bem na Irlanda né! – Nossa Paulinho, você já está pronto pro abate! Coisas assim me deixam muito chateado, em verdade eu tenho tendência, e, ou passo minha vida inteira comendo alface, ou posso ser um gordinho feliz, e na verdade prefiro a segunda opção. É bem verdade que quando passo além da conta, trato de fechar a boca, até claro o primeiro churrasco, que no caso da minha família, o primeiro final de semana.
Logo após meus exercícios matinais, tomo um café da manhã e vou para o banho, passo minha camiseta, pego a Penélope e vamos para a Prontaprint.
Eu adoro meu trabalho, não sou tão rápido como o Tim ou o Dave, mas presto muita atenção nos trabalhos que faço, sendo assim dificilmente eu faço algo errado, nas vezes que ocorreram estas falhas, tive minha parcela de culpa, claro, mas não fui o principal culpado.
Estava fazendo encadernação wire-o como todo o santo dia e colocando as mesmas dentro de envelopes, etiquetando para mandarmos para o correio, quando meu chefe disse que estava do lado errado, eu não havia percebido que deveria colar a etiqueta atrás do envelope e não na frente, talvez coisas deste tipo justifiquem a informação a seguir.
No site da Prontaprint, existe um campo que diz: -Our team! Ou seja “nosso time” e nele descreve um pouco sobre cada um dos profissionais que lá trabalham, tendo seu nome e suas características, tanto quanto sua experiência no ramo. Já chegando em minha parte eles descrevem da seguinte maneira: -David Crosbie: faz todo tipo de acabamento sempre procurando o melhor, ele já trabalha conosco há um ano, e quando possui muito trabalho ele recebe a assistência de um auxiliar temporário. Bom esta última parte aí sou eu. Eu trabalho todos os dias, nunca chego atrasado, não falto, como é uma prática bastante comum aqui, e é assim que sou visto. (segue o link caso alguém queira comprovar http://www.leesonst.prontaprint.com/Pages/OurTeam.aspx)
Todos da área de produção haviam saído para fumar, e eu aproveitei o momento para comer minha maçã. Que por sinal é uma espécie de cigarro para mim, fico ali mordendo e pensando na vida. Deu uma saudade, uma vontade que voltar pra casa, ficava imaginando como estão todas as coisas? como estão todos? estou aqui à cinco meses, e agora a saudade realmente começa a apertar, não apenas de minha família, mas como do ambiente brasileiro em geral, sinto saudades de poder ir em um restaurante sem ser o Mc Donald’s, fico com saudades de poder pegar o carro só pra ir a esquina, uma vez que aqui eu ando para ir do norte ao sul da cidade. Saudade de comer, pão com manteiga, de tomar o café da minha mãe ou simplesmente comer um churrasquinho com o Victor, saudades de pular na piscina, tomar caipirinha, comer feijão, jogar futebol, saudades de fazer trabalhos escolares, ir à saraiva e ver que livro novo saiu, saudade de um bom chuveiro, com que eu consiga esfregar minhas costas sem encostar no azulejo, saudade de assistir o jornal nacional, ver uma partida do São Paulo, ir na locadora, ir ao cinema. Saudades de mim. Resumindo, não há no mundo alguém que sinta
mais falta de mim, do que eu mesmo.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Onde Nasce a chuva parte dois

Jantamos em um restaurante típico irlandês, e pedimos uma refeição realmente muito boa e feita com muito capricho. No bar, havia música irlandesa típica e o inglês pouco se ouvia daquelas pessoas, que tem como primeira língua o gaélico.
Fiquei conversando com o Paulo e cheguei uma conclusão, o Brasil é muito caro, tudo que consumimos aí é muito acima do custo que deveria ser. Aqui qualquer que seja seu emprego, você ganhará o mínimo para conseguir alugar um quarto e tocar sua vida, sem muito luxo é verdade, mas honestamente. Já o Brasil tudo é muito caro, pela realidade salarial do país, impulsionado com certeza pelo nosso imposto que foi feito por ignorante, ou seja, tudo que você ganhar, dê para o governo. Em outras palavras: “O Brasil é legal, mais é uma bosta, já aqui é uma bosta, mais é legal” afinal de contas estamos na Europa.
Acordamos às 7h e fomos tomar um café tipicamente irlandês na casa dos donos do B&B e claro devolver a chave. Corn flakes, leite, café aguado, pães, lingüiça, bacon e ovos. Com um café da manhã destes não tivemos escolha, tivemos que viajar com o vidro do carro aberto, isto é, molhados e com um frio do cace... Uma hora depois e muitas tentativas erradas, achamos os Cliffs.
Lá em cima, o vento age com violência sobre seus ouvidos, muitas vezes te impedindo de prosseguir o caminho. A chuva passa a vir de baixo para cima também, sendo assim, não adianta se proteger, e sinceramente, precisaríamos de um guarda-chuva de aço, se quiséssemos enfrentar aquele vento.
A força do vento é tão forte que quando estava descendo os Cliffs, estava com a gola de minha jaqueta de couro levantada, impedindo de entrar vento em minhas costas, porém, eu quase fui nocauteado, por uma seqüência de tapas de minha própria gola em meu rosto, e como ardeu. As pedrinhas voaram do chão e uma acertou meu supercílio que ficou inchado.
Ao entrarmos no carro, quase congelados, só conseguimos falar: -Hu, quentinho!
Continuamos em sentido a Limerick para almoçarmos e seguir nossa viagem de volta.
Aqui não tem o popular Self-service, a diferença de preço entre o fast-food e o a la carte é enorme, sendo assim, somos impulsionados a comer no Mc Donald’s e companhia, porém em Limerick, nós corremos a avenida principal atrás de algo diferente e acabamos comendo comida chinesa, resultado final: tivemos que voltar com o vidro aberto novamente.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Onde Nasce a Chuva

É muito complicado descrever em apenas um post um final de semana tão recheado quanto este ultimo que tive, de fato demorei um pouco para o outro texto, pois estive um pouco atarefado.
Combinamos de ir a Galway (cidade do oeste da Irlanda) para visitar os Cliffs of Moher, uma cordilheira que neste caso; uma foto fala mais do que mil palavras. Clara e eu estávamos querendo ir a este lugar já a um determinado tempo e encontramos os parceiros ideais. Tânira e Paulo um casal do Rio Grande do Sul que conhecemos aqui. Eles são muito inteligentes e conversam sobre tudo e em uma viagem de duas horas isto faz todo o diferencial. Combinamos tudo com nossos parceiros de aventura, entrei na Internet e procurei uma empresa de locação de carro. Após marcarmos tudo, Clara e eu fomos até o centro de Dublin de baixo de chuva para pegarmos o carro, porém após uma longa espera a menina que nos atendeu disse que não poderia alugar o carro para nós, uma vez que meu cartão não havia passado o valor de €900,00, solicitado como garantia, e após devolvermos o carro este valor seria estornado, sendo assim, mais chateado com a grosseria da atendente do que necessariamente por ter dado errado, encontramos Paulo e a Tânira e voltamos para casa. Entrei na net mais uma vez e achei uma empresa que não pedia depósito algum, porém ficava no aeroporto. Fomos até lá e exatamente às 15h do sábado conseguimos alugar o carro. Creio que qualquer pessoa poderia pensar que perdemos o final de semana, mas estava apenas começando.
Na Irlanda o tempo normal é a chuva, quando faz sol, isto muda totalmente o humor dos irlandeses, mas pode ter certeza, o tempo logo voltará ao normal, ou seja, chovendo. Desta vez a chuva não esboçou nenhum sinal de misericórdia, sobre nossos guarda-chuvas pouco eficientes, contra o vento forte.
Ao entrarmos no carro senti o primeiro baque e vi que aquela viagem seria mais um desafio do que propriamente um lazer. Alugamos o novo corsa, um carro muito bonito, mas pra quem está acostumado com caminhonete, ele realmente era lerdo. E por falar em costumes, vocês não fazem idéia como é difícil trocarmos a marcha com a esquerda, os pedais continuam na mesma ordem, ou seja, da esquerda para direita, embreagem, freio e acelerador (que no caso do corsa seria mais cabível como andador ao invés de acelerador) isto faz com que automaticamente você coloque a mão na porta ao invés de colocá-la no câmbio, mas isto não é o mais difícil. Difícil mesmo é achar o centro do carro, você fica sem saber se estar no centro da pista e em verdade perdi as contas de quantas vezes estava indo para o acostamento ou saindo da estrada.
Esfriou muito naquela tarde de sábado e a chuva tornou-se mais forte. Enfim chegamos a Galway e ao dar uma voltinha pela cidade as ruas começaram a transbordar e nossa procura por um Hostel ou alguma acomodação teria sido em vão, pois todos os Hosteis da cidade estavam cheios, por causa da apresentação de uma bandinha de músicas teen na cidade. Entrei no carro congelando e todo molhado e a única frase que consegui pronunciar me deparando com o calor do lado interno do carro foi: -Hu, quentinho!!!
Estávamos ficando preocupados em não encontrarmos local para dormir, e decidimos ir para outra cidade, mais próxima dos Cliffs. Encontramos um B&B (Bed and Breakfast- cama e café da manhã) este nos disse que nos deixaria em um Hotel, pelo preço do B&B, fechamos claro, mas quando chegamos no tal Hotel descobrimos que era uma casa, de 4 quartos toda novinha, porém ela estava sozinha, e seria toda nossa, pelo menos naquela noite.
Se tem uma coisa que sinto falta do Brasil é o chuveiro, aqui talvez como eles não são acostumados a tomar banho, o chuveiro faz uma economia de água. Sabe quando você tem um dia difícil e chega em casa só quer tomar um banho pra relaxar? Pois é eu não tenho esta opção aqui. Já aquele chuveiro era diferente, e pelo incrível que pareça possuía até banheira. Pronto é isto que eu quero da vida.
Final da parte 1

domingo, 15 de junho de 2008

Uma gota no Oceano

A vida nos prega muitas peças ao longo de seu trajeto e como cristão-católico me recuso a acreditar em coincidências, acredito sim em vontade de Deus, tudo tem uma resposta, só que muitas vezes não temos sabedoria para interpretarmos o por quê.
Encontrei aqui dois vizinhos meus do Brasil, Thiago e Maíra, ambos moravam na Rua ao lado da Rua A. Minha mãe era muito amiga da mãe da Maíra, o que nos faz conhecer desde criança, até porque o bairro em que cresci, era novo, com novos casais e lógico, crianças.
Quando cheguei em Dublin e ainda estava perdido, minha mother-host (a mãe da Host-family) Gayle, chamou alguns brasileiros para um jantar, a fim que eu conhecesse mais pessoas em Dublin, e para minha surpresa Thiago e Maíra entraram pela porta. Eu nem sabia que ambos estavam fora do país e de repente me deparo com eles do outro lado do Atlântico, muito improvável, mas acontece. Perdi as contas de quantas partidas de futebol já havia jogado com ou contra o Thiago e também quantas vezes eu encontrava a Maíra em festas de escola e em comemorações familiares, uma vez que o primo dela (Gabriel) era baixista da minha ex-banda.
Após mais uma partida de futebol, perguntei se eles pretendiam morar em Dublin. O Thiago foi categórico ao responder:
-Aqui, se tem uma vida boa sem muito esforço, o custo de vida é muito mais baixo, mas se ficarmos, estaríamos confinados a viver no submundo e a saudade pesa muito.
-Mas e aí planos para o final de semana?
-Claro que não!
Dublin não é nem de perto uma cidade com opções de entretenimento, tanto é que a maior parte da diversão da cidade fica confinada aos pubs, desta forma



, nós como cidadãos de uma realidade paralela, procuramos brechas em nossos momentos de lazer, para desfrutarmos de passeios a determinados bairros.
Com a falta do poder aquisitivo, para podermos desfrutar de tantas outras modalidades de diversão como: cinema, restaurantes, viagens e etc. nós nos contentamos em tomarmos um ônibus e sairmos em busca de um determinado parque, castelo, ou qualquer outro ponto de visita e desta vez a nossa escolha foi o jardim botânico.
A chegada foi muito mais rápida do que o previsto, e a entrada é franca. Nos encontramos na frente da escola, ao meio dia em ponto e não houve nenhum atraso, mas desta vez os personagens de nossa busca cultural mudou um pouco, fomos: Clara, Deise, Angélica, Thiago e eu. Uma tarde muito agradável, pela companhia e conversas que o caminho se encarregava de conduzir, de acordo com a nossa rota, nós íamos mudando também o assunto da conversa. Demos comidas aos esquilos e vimos muitas plantas, mas que sinceramente você meu querido leitor deve cuidar melhor da sua plantinha de escritório do que as que estavam no jardim. Algumas partes do parque estava abandonada, e em verdade não vi o mesmo capricho com a jardinagem, quanto vejo no parque Stephens Green, isto me deixou muito decepcionado, e para terminarmos nossa aventura fomos até o super mercado e compramos pães, salsichas, maionese e etc, para fazermos uma reuniãozinha aqui em casa. Sinceramente, estava muito melhor.

Gostaria agora de mandar os parabéns para minha amiga Vá. Por todo este tempo que te conheço vejo que está moldando um caminho muito longo e lindo a sua frente, não desista de seu ideal. Cléber e Léo, muito obrigado pelo carinho, em ter ligado e realmente se importado com seu irmão caçula e em especial para meu pai. Porque este final de semana foi dia dos país aqui, e meu deu vontade de te abraçar.

See you soon



segunda-feira, 9 de junho de 2008

Sunday Bloody Sunday

A briga entre as Irlandas é muito antiga, por um lado temos a Irlanda do Norte aliada ao Reino Unido e do outro os Irlandeses coloniais. Esta briga deu origem nos anos 20, desde que ingleses e residentes locais pregaram sua separação do resto da ilha, porém este movimento ganhou muito mais força no período pós-primeira guerra, onde a Irlanda do Norte começou a ter auxílio da Inglaterra para a evolução fabril, principalmente na área têxtil. Enquanto a Irlanda do Norte se desenvolvia economicamente a República da Irlanda continuava a viver de cultivos agrícolas, e mesmo tendo um dos solos mais férteis da Europa, sua imagem era não muito melhor que escravos. Esta evolução na parte norte da ilha fez com que milhares de irlandeses do sul migrassem para o norte em busca de maior desenvolvimento e oportunidades de trabalho. O parlamento norte irlandês tratou de fazer uma estratégia para que conservar sua supremacia, retirando o direito de voto do povo do sul em suas terras, não permitindo que católicos irlandeses morassem em determinados bairros das cidades, não dando oportunidades de estudo e etc. Durante a segunda guerra mundial a Inglaterra passou toda sua produção para a Irlanda do Norte, sendo assim aumentando a oferta de trabalho. Um número maior de irlandeses migraram para Belfast e seus arredores, que nos anos 60 chegaram a representar 35% da população da região e impulsionado pelo movimento de igualdade implantada nos Estados Unidos pelo Dr. Martin Luther King, os irlandeses repararam que sua discriminação no território, não era diferente da mesma pelos negros americanos, começou então as passeatas ativistas pró-liberdade.
A primeira passeata a ser violentamente atacada pelos protestantes foi no dia, 1 de janeiro de 1969 que ia de Belfast (capital da Irlanda do Norte) até Londonderry (pólo industrial) esta estava desarmada e foi massacrada por armas de fogo.
O ressurgimento do I.R.A. (irish republican army - grupo católico) veio para combater o Death Squad (esquadrão da morte - grupo protestante) e no dia 30 de janeiro de 1972, aconteceu a maior chacina contra irlandeses. Pára-quedistas ingleses dispararam contra uma passeata desarmada, matando 13 pessoas e ferindo centenas, este foi o estopim da batalha entre o norte e o sul da Irlanda, este ato ocorreu durante um domingo, por isto a expressão Sunday Bloody Sunday, que ficou mundialmente conhecida na voz de Bono Vox, que por sinal é protestante.
Hoje em dia a República da Irlanda tem se organizado, reduzindo os impostos e se tornando mais atrativa para diversas empresas, desenvolvendo assim o comercio, a educação e etc. Porém agora de povo que sempre migrou em busca de novas oportunidades agora se vê na contra-mão de sua história, tendo que solucionar e conter o problema da migração para seu país.
Eu particularmente acredito que em menos de 15 anos todas as pessoas que entrarem na Europa deverão se cadastrar, mantendo sempre seus dados atualizados, e a concessão de vistos será ainda mais difícil.
O Brasil, um dos países que produz mais imigrantes, terá que pensar em algo para que assim como a Irlanda, se torne mais atrativo para empresas. Cerca de 45.000 brasileiros estão em Dublin atualmente, 1.300.000 estão nos Estados Unidos, e assim por diante. Vale frisar que as pessoas que saem do Brasil em busca de menores taxas, maior valorização profissional ou educação, são em sua maioria, as mesmas que possuem força para mudar nosso país.
Fico chateado de ver o potencial que nosso país tem e como deixamos a corrupção e as taxas absurdas ganharem.
Se todos os brasileiros não pagassem impostos durante apenas dois meses, a reforma tributária aconteceria. Eu não quero que meus heróis morram de overdose, quero que eles estejam no poder, mas infelizmente não estão.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Duas rodas e uma lembrança


O trânsito possui mão invertida, isto é, a famosa mão inglesa, desta forma fica muito difícil guiarmos um veículo aqui, até porque se ultrapassa pela direita e todos os nossos reflexos tendem a ir para este lado. O volante do carro fica do lado direito do veículo e para usar o câmbio utiliza-se a mão esquerda, em verdade morro de medo de ir trocar de marcha e acabar abrindo a porta, mas não corro este perigo, até porque o mais próximo que chego de um veículo motorizado é quando pego ônibus, e normalmente não sou o motorista.
Estávamos indo ao centro por Rathmines, quando a Clara reparou uma bicicleta deitada na rua, sem ninguém por perto. Logo pensei: -Bom deve ser de algum destes garotinhos que estão jogando futebol. Porém a Clara me disse: - Vamos pegar a bicicleta? - Imagina, deve ser de algum destes garotinhos! Enquanto acabava de falar me dei conta que todos já haviam entrado e deixaram a bicicleta, para trás. – Du, se nós não pegarmos outra pessoa irá pegar! Analisei os fatos e entendi que tinha razão. Subi na bicicleta “rosa” e sai a pedalar muito rápido imaginando que alguém pudesse me alcançar. Durante o caminho, reparei que a mesma estava com o guidão (guidão, guidon é muito feio) solto e muito provavelmente havia sido abandonada, pois estava muito judiada. Cheguei em casa em apenas 5 minutos, caminho este que demorei vinte minutos a pé. Deste dia em diante comecei a ter que pagar o IPVA irlandês, uma vez que uso a “Penélope” para tudo. Compramos também uma outra bicicleta, menorzinha, afinal de contas a Clara precisa encostar o pé no chão, e eu suei para consegui convencê-la a não levar um velotrol ou uma tonquinha.
Começamos agora a enfrentar um outro problema: A segurança de nossas bicicletas. A grande maioria das bicicletas em utilização na cidade, pertencem a imigrantes, devemos ressaltar também que o número de imigrantes em Dublin é altíssimo, dando espaço para o surgimento de grupos, contra-imigrações ou o que é pior neo-nazistas. As bicicletas são alvos fáceis de grupos de adolescentes revoltados e porque a nossa seria uma exceção?
Andar de bicicleta vale este esforço, fora a praticidade de transporte, pois antes, íamos para o centro em 25 minutos e agora apenas oito, sentimos a sensação que apaixonam os motoqueiros do mundo todo, o vento no rosto, o se sentir livre, até o próximo veículo jogar uma possa de água em você.
O governo estimula o uso das bicicletas, criando muitas ciclovias e fazendo muitos lugares como estacionamento das mesmas. Não tenho este número exato, mas creio que em Dublin exista mais bicicletas em uso diário, do que motos. Muitos bike-boys fazem o setor de entrega, até mesmo na prontaprint.
Por falar em Prontaprint, eu não sei em verdade quando irei embora, mas irei sentir uma falta tremenda dos meus amigos de trabalho, eles me ajudam muito aqui, e já estamos fazendo eventos da empresa. Marquei um futebol, e estamos jogando todo sábado, como a maioria dos jogadores são brasileiros, os irishes já estão aprendendo um monte de palavras em português, tais como: Ladrão, Toca, Aqui, Atrasa, no meio, escanteio, falta, aperta, filho da p.... e assim por diante.
Mas o melhor de tudo isto é, voltar de bicicleta e pensar nas histórias de segunda feira.
Portanto tenho um pedido a fazer. Este final de semana, de uma olhada para sua “magrela” e tire a poeira de cima dela e se rolar o clima, dê uma voltinha. Sua infância irá agradecer, porque é impossível andar sem se lembrar desta fase.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Torre de Babel

A história da Irlanda se confunde com a história americana, pois o povo irlandês fugindo de guerras, conflitos religiosos e pragas, encontraram abrigo do outro lado do oceano. Cidades como New York e Seattle eram seus principais destinos, os escravos trazidos aos Estados Unidos deveriam ser registrados no nome da família que os comprava, igual a prática que se fazia no Brasil. Portanto este enorme número de “Silvas”, “Santos” e etc. já nos Estados Unidos vemos inúmeros negros com sobrenome Irlandês, tal como Murph e qualquer outro sobrenome que tenha “O’” alguma coisa ou “Mc”.
Os irlandeses e escoceses são povos irmãos, pois ambos descendem dos celtas. Complicado para um brasileiro entender, como um pedaço de terra tão pequeno como a Europa consegue ter tantas línguas. Nós estamos acostumados e percorrer um país continental e falarmos a mesma língua, é claro que possuímos sotaques, mas nenhum deles chega a influenciar no entendimento de uma conversa. Neste pequena faixa de terra temos línguas muito distintas uma das outras e umas que ainda insistem em sobreviver, como o “gaélico” e o “romanesco”, falados por não mais que um povoado.
Está terra é banhada por inúmeras batalhas ao longo de seus anos, e por isto surgiram países com culturas tão diferentes a cerca de quilômetros de distância, ou com culturas totalmente diferentes dentro do mesmo país. Agora o que me deixa muito intrigado é Mônaco. Como um país tão pequeno conseguiu sobreviver dentro da França, em especial na época de Napoleão. Desconheço sua história, mas que é curiosa é.
No idioma inglês, muitas palavras tem origem em latim, assim como o português, e desta forma nós conseguimos relacionar com nossa madre língua, porém isto também prega peças, e não devemos nos agarrar a elas e sim conseguir compreender seu significado em inglês. Outra dica válida para nós brasileiros é invertermos o verbo na frente do sujeito quando for fazer uma pergunta. Exemplo: -You can help me? (errado – Você pode me ajudar?) Can you help me? (correto – Pode você me ajudar?) mas nós brasileiros cometemos este erro a todo instante, sem querer, pois estamos habituados e falarmos o sujeito da frase antes mesmo de pensar no término da questão. Coisa que só reparei aqui é verdade.
Agora que já estou me habituando ao idioma e já sinto segurança em conversar com as pessoas, começo a reparar que o entendimento do idioma é muito mais importante que sua gramática, muito diferente do português, que qualquer erro de concordância já pode comprometer o entendimento da frase, mas espero que isto não tenha acontecido com este, afinal são muitas línguas, acho que quando voltar pro Brasil estarei mudo.
E olha este cabelo! Você sabe como se fala cortar só as pontas? Bom, eu não sabia.

terça-feira, 20 de maio de 2008

The Present Continuous

Culpa, me desculpe se talvez eu venha a dizer coisas que possam ofender uma, ou duas, ou quem sabe um povo inteiro.
A loja do Rio de Janeiro é minha favorita, sem dúvida alguma é como se você conseguisse expressar todas as suas vontades, todos os seus sonhos e ver uma empresa com a sua cara. Creio que se eu descrevesse a loja, provavelmente iria falar todos os meus adjetivos, e como sabemos, um adjetivo descreve o sujeito, independente de ser “eu” ou a “loja”.
Saí de um lugar, lugar não, acho errado dizer isto. Deixei minha família, minha faculdade, meus amigos, para conquistar este sonho chamado Tesouro Laser Rio, ou TL5. Deixei de ser um garoto mimado que não chegava aos pés do pai, e passei a ter uma conduta própria, peguei tudo que aprendi com meus professores. Não aqueles que foram pagos pra isto, mas aprendi muito mais, com os que me ensinaram por nada. Viajei 450 km para o norte de São Paulo. Encontrei lá uma terra carente de bons atendimentos, terra onde os oportunistas do Brasil todo escolhem para morar, formando o sentimento da cidade, de fato o carioca é a pessoa que mais gosta da própria cidade que eu já vi, tanto que aqui em Dublin encontro muitos “paulistanos e paulistas”, muitos gaúchos, muitos nordestinos e conheço apenas dois cariocas: uma é a minha namorada. Ou seja, em uma cidade tão maravilhosa, o que a pessoa iria fazer aqui?
Agora fico aqui, a um oceano de distância me sentindo culpado de não conseguir proteger minha loja, ou melhor, meu “sonho”, das garras de oportunistas. Pessoas que não conseguem combater-nos na trincheira de uma guerra por uma fatia maior do mercado, e decidem atacar seus velhos, mulheres e crianças. Pessoas que não sabem lutar por preço e decidem lutar por vidas. Portanto, me sinto culpado por estar aqui brincando de fazer encadernação, enquanto gaviões tentam atacar meu ninho. Tenho certeza que a loja irá se re-erguer de tantas tentativas de rasteira sem sucesso, e iremos crescer “rapidamente”, que a propósito é um advérbio, que descreve o verbo, e o verbo agora é “Vencer”, em um futuro mais que perfeito tenho certeza.

Caso você seja leitor do blog participe também da comunidade do Orkut. Passo Irlandes.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Caminhos de Dublin



Muitas horas de caminhada, às vezes, fico imaginando como seria fazer o caminho de San Tiago de Compostela, um caminho de meditação e fé entre a França e a Espanha. Não muito distante de lá se encontra Dublin, uma terra explorada desde o início de seus dias. Os “Vikins” desembarcaram nas praias de Howth e assim começou o primeiro legado de invasões na Irlanda. Dublin por ser sua capital, também possui vestígios deste tempo. Abaixo de nossos pés há uma cidade “underground” (alternativo, submundo), nesta existem ao meio de fiações e encanamentos, antigos porões, tabernas e até mesmo moradia. Como a terra era freqüentemente atacada, o povo regional precisava de algum lugar para se esconder e abaixo do solo era a melhor opção, com o passar do tempo na idade média, existiram povoados completos subterrâneos. Em Dublin-Ground existiam suas próprias leis, cumpridas por pessoas que não ligavam para o significado da palavra “Lei”, uma vez que eram todos fugitivos dela. Depois deste período a Dublin-Ground só voltou a ter população durante as duas guerras, onde os homens não tinham escolha e deveriam combater os alemães, os que tinham dinheiro ou bons contatos conseguiam mandar seus filhos para os Estados Unidos, documentados como escravos. Já os que não proviam de tal honra ou benefício se escondiam na cidade subterrânea.
Meu chefe me chamou e perguntou: -Paulo, você pode trocar a lâmina da guilhotina? (Paulo, can you change the guillotine blade?
) Protamente respondi que sim. Ele me deu uma chave e me falou que as ferramentas ficavam depois de uma porta que na verdade nunca havia reparado que existia. Abri com cautela, procurando um interruptor e me deparo com um quarto que ia se afunilando e seu teto cada vez mais próximo do chão. Quando meus olhos se acostumaram com o escuro, pude reparar que não se tratava de um quarto e sim um corredor, talvez a entrada ou uma delas e cidade subterrânea. Abaixei dei dois passos a frente e senti uma corrente de ar vinda do corredor, pouco depois encontro a lâmina reserva e a chave de fenda jogadas ao chão. Na parede do corredor feito de pedra vi algumas escrituras, que sinceramente não consegui compreender, pois estava em gaélico (real idioma regional, porém sucumbida pela dominação inglesa e proibição de usar o idioma próprio do país). Fecho a porta e volto a civilização, troco a lâmina e fico intrigado com o que acabara de ver. Certamente esta cidade tem muito mais a mostrar do que meus olhos são capazes de ver.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Something like this

O dia a dia na Irlanda não é diferente que a experiência no Brasil, creio que vir sem ter trabalhado antes, pode ser um problema sério, uma vez que você não possui uma experiência anterior, e mais importante que isto, não sabe como o trabalho funciona. Como disse a algumas linhas atrás, eu já cheguei à terra cinza, que cada vez se torna mais verde com emprego, trabalho na Prontaprint, uma empresa muito, parecida com a Tesouro, pra começar possui a mesma identidade visual, sou responsável pelo acabamento dos materiais impressos. Um fato que me chamou muito a atenção, é a gestão de qualidade, caso você tenha que comprar um serviço ou produto, você sabe que terá um material de qualidade, independente do preço, outro fator foi a intensidade e responsabilidade do trabalho. Na loja em que trabalho, não possui cartão de ponto e o gerente apenas te pergunta: - Quantas horas você trabalhou esta semana? E você responde sem problemas. Deus que me perdoe, mas creio que se eu adotar esta política nas lojas da Tesouro, iremos a falência já no segundo mês. Aqui quando você paga ou recebe, quer dizer que está trabalhando e não “valorizando” ou “embasando” como é praxe em nosso país. Isto passa a ser um problema cultural, e você já nem percebe que faz isto. Portanto, não se sinta mal, mas vale a pena o puxão de orelha.
Estou me adaptando muito bem ao país, possuo minha casinha, faço um trabalho relativamente técnico e agora começo a entender muito bem a língua inglesa e cada vez menos ouço a frase: -Do you know what I mean? (Você está me entendendo?) E começo a reparar que o inglês que aprendo na escola diariamente é mais por uma gramática formal, e no dia a dia, tendo uma rotina, não é bem assim que a coisa funciona. Uma outra expressão muito usada é quando alguém te conta algo mas não tem certeza se é assim mesmo que acontece. Neste caso cabe a frase Something like this (Alguma coisa assim).
As diversas razões, motivos ou oportunidades que trazem os brasileiros para a Europa são infinitas, muitos vem para se divertir, afinal os pais conseguem pagar em uma boa, para se prostituir ou arrumar um casamento com algum irish e outros para aprender o idioma, e acredite, em apenas três meses aqui já sinto uma enorme diferença, da angústia e vontade de chorar sempre a simplesmente ficar super feliz por apenas conseguir entender sobre o que se trata o jornal, sem precisar ver a fotos. Graças a este sentimento me mantenho forte em minha meta aqui. Aprender tudo, não só inglês, me observo ao máximo para compreender cada coisa que ele fazem, que por sinal “eles” os irishs ou irlandeses se preferir é que deveriam ter o rótulo concedido pelos brasileiros aos portugueses, pois existem coisas aqui que simplesmente não me entram na cabeça, e já perguntei para um monte de gente. Por exemplo: Todas as casas na Irlanda possuem um aquecedor central, e está água devidamente aquecida é entregue em todas as torneiras da casa, mas nas pias existem duas torneiras, uma muito quente onde você queima sua mão e outra muito fria onde a mesma congela (não passou pela cabeça deles colocar instalar as duas em apenas uma saída de água de forma que você possa escolher melhor sua temperatura? Tem até uma música: Aqui ta quente, aqui ta frio, muito quente, muito frio e da-lhe Asa de Águia). Ainda no banheiro temos a segunda, perdão disse no banheiro? Quis me referir ao corredor, pois o interruptor que liga ou desliga a luz nos banheiros fica do lado de fora (Uma pessoa que faz isto só deve estar querendo ser sacaneado, não tem outra explicação, ou vai ver é legal fazer as obras no escuro). Última mas não menos importante é a quantidade de tomadas espalhadas vivo em um quarto e sala, sei que é pequena, mas a mesma é composta de apenas 5 tomadas e nenhuma delas é no móvel preferido das mulheres, o banheiro, desta forma ao usar um secador de cabelo ou um barbeador elétrico você deve se dirigir a pia da cozinha, ou ao quarto. Me espanta muito eles não terem instalado o chuveiro na sala, pra falar a verdade, pois as coisas são bem complicadas de se entender é verdade.
Então espero que você tenha conseguido entender as informações curiosas sobre o povo e seu “design de interiores” mas caso não tenha chegado a plenitude, temos sempre a frase “Something like this”.
Good night Regina!
Good night John Boy!
Good night Cláudia!
Good night John Boy!
Good night Márcio!
Good night John Boy!
Good night Leco!
Good night John Boy!
Good night Monique!
Good night John Boy!
Good night MaryAne!
Good night John Boy!
Good night all my friends!
And good night John Boy!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

The Leprechaun


The Leprechaun é o personagem mais notório do folclore irlandês. Um anãozinho, de cabelos e barbas laranja, roupa e chapéu verde. Porém, seu adjetivo mais notório é a esperteza. Uma espécie de duende que é capaz de lançar feitiços, amaldiçoando por toda a eternidade quem ousar pegar seu famoso pote de ouro, e seus tantos tesouros escondidos no final do arco-íris.
Quatro milhões de habitantes atualmente têm na ponta da língua esta pequena parábola, o nacionalismo na Irlanda é muito forte, o orgulho de ser “irlandês” e, especialmente, os Dubliners, (nascido em Dublin) cultivam cada traço de sua história.
Atualmente, vejo Dublin o melhor lugar para se aprender inglês, a imigração na terra cinza está crescendo de maneira desordenada, a Irlanda possui uma das maiores rendas per capta do mundo, ponto muito forte para qualquer estudante, e os milhares de sotaques, facilitam a interpretação do inglês, onde você não fica viciado em apenas um estilo.
Em geral, os atendentes, faxineiros, seguranças e etc. são imigrantes. As Ilhas Maurício, uma pequena faixa de terra próximo a Madagascar e África do Sul, possuem quase um terço de sua população na Irlanda. Os chineses brotam em toda a parte da cidade, e acredito, que não seja uma parcela significante de seu país de origem, mas creio que, dos não-europeus, os chineses são maioria. Em escolas de inglês não vemos muitas pessoas de outras nacionalidades, caso você queira estudar na aqui, já venha com a idéia na cabeça, que todas as escolas possuem muitos brasileiros, sendo assim, deve-se policiar para não ficar apenas praticando o “português”.
Muitos brasileiros se ajudam, mas muitos te passam a perna também. Um dos maiores costumes dos brasileiros é indicar um amigo para determinado trabalho, portanto, ao deixar um currículo em uma loja que tenha brasileiro que você não conheça, entregue-o diretamente na mão do gerente, caso contrário, seu currículo corre o sério risco de ir parar no lixo.
Voltando da Stephens Green ontem, quase não se via o verde da grama, que tanto gosto, pois o sol se põe entre 20h e 21h, com isto as pessoas são convidadas pela natureza, a se deitar na grama, curtir um joguinho de futebol das crianças, ou só ver as outras pessoas aproveitando o evening. Por sinal, essa palavra: evening é complicada para se entender. Nós aprendemos no Brasil, que evening é quando se chega à noite, e night é final da noite. Só aqui, reparei o porquê da distinção das palavras. Evening significa antes das 20h, ou seja, no entardecer. E night, realmente significa noite. Sendo assim, no Brasil você pode falar good evening ou good night, afinal de contas, o Brasil não possui evening.
Com as remotas chuvas que ocorrem eventualmente neste céu azul, mas que não é sinônimo de calor, pois se trata de uma ilha e o vento é uma constante, e este como é frio. Tenho a esperança de um dia ou outro conseguir enxergar um arco-íris, mas algo me diz que se eu correr até o final dele para encontrar o tesouro, ao me dar conta estaria de volta ao Brasil. E aí teria que conversar um pouco com o Leprechaun, afinal de contas ele que está com o meu tesouro, e não o contrário.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

O Valor do Esporte

Lembro-me certa vez em uma de minhas proteções de São Paulo em território carioca, quando no trabalho ouço a seguinte pergunta:- Berry White fez uma música sobre o Rio de Janeiro. Quem já fez música sobre São Paulo? Fiquei sem saída nesta e retratei em tom de ironia. – Frank Sinatra!!!
Mas em verdade recebendo e tendo uma troca de cultura tão grande hoje em dia, consigo entender melhor o que o Titãs quis dizer com a frase: - Um idiota em inglês é bem melhor do que eu ou você. Esta é a mais pura verdade, garanto que este rapaz que me perguntou isto não deve dar valor algum ao Caetano Veloso, porém quer goste ou não das músicas de Caetano. Devemos aplaudi-lo em pé. Foi exilado, caçado em seu próprio país, pois pregava o movimento “Sem lenço, sem documento” e acolhido a alguns quilômetros da Irlanda. Portanto você sabe por natureza quem foi e quem é Caetano Veloso, pois assim como eu, você também é brasileiro, e quem é Berry White? Bom sem entrar no Google eu não possuo informação alguma dele, e nem sei se escrevi o nome dele corretamente mas apenas posso dizer que é um músico talentoso.
Outra curiosidade que me chamou muito atenção foi: Responda rápido, qual a maior torcida do mundo?
Flamengo? Corinthians? Mas nem de perto. Se considerarmos, torcedores residentes do próprio país sim são estes os nomes, mas se falarmos de mundo. O Manchester United, possui 342.000.000 de torcedores, muito a frente de qualquer clube brasileiro pode acreditar, o trabalho de marketing feito pelos clubes europeus, é uma aula, na China, a grande maioria da população torce pelo Manchester, e este número não é mensurado. Assistir um jogo da liga dos campeões em um PUB, nos dá a sensação de estarmos em um estádio, muita cerveja, cada jogador possui sua canção própria, é empolgante, até a Clara, gostou da experiência, o problema é o “sovaco” da galera.
Eu acredito que para entendermos a cultura de um povo é necessário vermos suas propagandas, analisarmos sua fé e vermos seus esportes favoritos, por este motivo acho cabível, você ficar sabendo também das coisas que rolam neste cenário.
O Rugby é um show a parte, há dois meses ago, estava passando a copa das “seis nações”, este é um dos mais importantes torneios de rugby do mundo: Itália, França, Irlanda, Escócia, Gales e claro a Inglaterra, disputam este torneio, a cada jogo as pessoas saem com trajes típicos de seu país, os escoceses todos de “kilt” (uma saia xadrez) os Italianos, de “centuriões” com as saias romanas e elmo, os Galeses, de vermelho (acho que deve ser referente à cor de seus cabelos) agora o estranho é que tanto a França quanto a Inglaterra eu não vi nenhuma fantasia. A torcida vai no jogo mais pra festejar do que necessariamente para ver uma vitória de seu time, todos, com exceção dos dois que citei acima.
França e Inglaterra têm sua história marcada por desavenças ao longo dos tempos, separados pelo canal da mancha, estes países simplesmente não se toleram. O idioma usado no mundo de negócios é o inglês, não importa sua língua, se você pretende viajar, se relacionar globalmente você precisa falar o idioma da Rainha, mas também creio que seja por praticidade, aprender inglês é muito fácil. Porém a França reluta contra esta verdade, em geral sua população entende inglês e muitos o falam bem, mas em sua terra, evitam ao máximo falar o idioma, mas de pouquinho em pouquinho estão cedendo.
Assim como será muito difícil os flamenguistas aceitarem que não são a maior torcida do mundo, e me dói dizer isto, mas eventualmente os ingleses vencem.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Verde, Branco e Laranja

A influência da Inglaterra na Irlanda é muito grande, quanto mais tempo convivo com a população e conheço também alguns lugares, reparo traços de uma colônia explorada à muito tempo. A Inglaterra fica a três horas de barco da Irlanda, particularmente ainda não tive oportunidade de conhecer a terra da rainha, mas nao estou com tanta vontade. Sempre ouvi dizer que os Estados Unidos adoram guerra, mas pense em uma guerra, qualquer uma delas. Com certeza a Inglaterra está no meio, até mesmo a guerra dos farrapos, a guerra do Paraguai, não interessa qual seja, o dedo inglês sempre está presente. Portanto creio que o gosto por guerras dos Estados Unidos foi herdado de sua matriz e colonizador.
Visitei este final de semana, um dos lugares mais bonitos que já fui. Não mais que uma hora de caminhada em uma subida muito Íngreme e lá estávamos nós, Clara, Síndico e Eu, no alto de uma montanha de frente para o mar sem ondas, e com as flores começando a brotar em cada árvore testemunha das milhares de batalhas que já aconteceram naquele local. Li uma placa em jubilo da Rainha Vitória, neste local, que o nome não poderia ser mais propício: Vitoria’s Hill (Vale ou colina da Vitória, neste caso vale).
A jardinagem é um dos principais passatempos dos ingleses, e este bom hábito foi muito desenvolvido na Irlanda também, passo por um parque todos os dias no caminho do trabalho para a escola e vejo um jardim fantástico. Crianças correndo pra lá e pra cá, velhinhos dando comida aos patos, algumas partidas de futebol ou rugby e flores, muitas flores. Agora estamos no horário de verão, embora sol mesmo só vez em três dias desde o dia de minha chegada, mas o astro rei demora a se pôr a partir das seis da tarde e lentamente se arrasta até as oito da noite, para dar prioridade a iluminação de outro canto de nosso planeta.
Na volta da aula, para em frente à ponte do rio Lifey, que prometo tentar tirar uma foto, assim que a multidão se recolher em suas casas e postar no blog. Nesta vejo prédios baixinhos e antigos, mas muito bem cuidados, e as luzes dos mais de 20 PUBs que cercam esta região refletindo no rio, que ironicamente segue em sentido a Inglaterra, e também é a origem do nome da cidade. Dublin vem do gaélico (língua nativa irlandesa) Lago escuro, devido á uma área em especial do rio que forma uma espécie de baia. Está provavelmente será minha principal memória, quando chegar ao Brasil, o tempo que eu cruzava o Lifey, olhava seu reflexo e agradecia a Deus por mais um dia de vida.

domingo, 20 de abril de 2008

Pamonha em Família

Se eu tivesse um desejo, apenas um. Eu desejaria que minha família estivesse aqui, ou que eu estivesse lá, neste final de semana em especial. Acho muito difícil que um brasileiro não conheça a “pamonha”, portanto irei dizer, de forma mais clara.
Em minha escola sempre achei o máximo pessoas que tinham um sobrenome bonito, muitos deles com berço italiano, devido à influência deste país na cidade onde nasci. Quando a pessoa era chamada pelo sobrenome então, eu achava muito chique, dava uma importância a aquela pessoinha que neste caso tinha não mais que sete ou oito anos, e ficava pensando, por que eu não era assim? Por que eu me chamava Lopes de Lima? Lembro-me de um trabalho que tive que fazer na terceira série, sobre árvore genealógica, nesta você tinha que buscar informações de toda sua família. Eu fiquei frustrado ao tirar a nota, 5,0. Não entendia o critério que a professora usara, será que para ela minha família era nota cinco? Mas na verdade minha nota foi tão baixa, porque eu só cheguei até minha avó por parte de mãe, e até meu bisavô por parte de pai. Não sei nada sobre a origem de minha família e isto em geral me deixa chateado, pois adoro história e não saber de onde se vem, é frustrante.
Com o passar do tempo reparei que família, é o coletivo de pessoas. Você pode ter irmãos mesmo que não seja de sangue, mas considerar muito próximo tanto quanto um irmão legítimo, principalmente quando se vê esta pessoa crescer. Eu mesmo tenho um. Ter tios e tias em cada vizinho, que você sente mais carinho e eles sintam o mesmo por você. Nisto devo admitir, tenho muitas pessoas que me consideram sobrinhos, mas o que mais me espanta é a quantidade de mães que tenho por aí, se eventualmente alguns vizinhos me têm como sobrinho, quem dirá de meus verdadeiros tios e tias que me têm como “filho” e eu também os tenho como legítimos pais. Não gosto de citar nomes, pra não cometer nenhuma injustiça, mas da Tiana eu tenho que falar.
Pouco a pouco, as pessoas fracas, ou que não tiveram tanta determinação aqui, começam a voltar para o Brasil, é difícil se ver pobre, marginalizado, excluído, pessoas mudando de calçada com medo de você pedir dinheiro, quando se tem um ótimo padrão de vida no Brasil, como é o caso da maioria dos brasileiros aqui. Muitos playboys, filinhos de papai, pessoas que nunca pensaram em trabalho no Brasil, vem pra Irlanda e descobre “A vida como ela é”, e claro muito não gostam, voltam e ainda falam mal do país que o acolheu. As mulheres são as mais impressionantes, ou são forte e guerreiras de mais (como é a maioria) ou simplesmente, virão prostitutas, repare no detalhe: viram prostitutas, ou seja, em sua terra natal, elas não eram assim, porém aqui se vê em uma situação e descobrem um jeito muito fácil e hipócrita de ganhar a vida, e muitas delas têm a esperança de conhecer um europeu, e ele se apaixonar por ela e lhe conceder um passaporte europeu, digo um casamento, ou uma família se preferir.
Portanto vendo este tipo de pessoa, que vende sua família, por dinheiro, suja o nome de seu país e deixa infelizmente todas as brasileiras com este rótulo, mesmo sendo mentira (eu volto a repetir) eu escolho a “pamonha”, uma massa de milho, onde os mais velhos temperam, os homens descascam e ralam, as mulheres também ralam, porém são muito melhores, para encher a palha com esta determinada massa e colocar um queijinho, pra dar um gosto. Como diz a Vó Maria. Se você tem uma família, nunca tenha vergonha de seus hábitos e costumes, pois o que pode ser ridículo pra uns, pode ter um valor enorme para outros.
A!!! E que vontade de comer uma pamonha!

terça-feira, 15 de abril de 2008

Falando com quem não fala

A Dame Street é uma rua que possui um charme aparte. Rodeando a região do “Temple Bar” este é um dos PUBs, mais velhos do mundo, segundo informações recebeu autorização para funcionamento em 1600 e bolinha, porém há registro de seu funcionamento muito antes disto. Voltando a Dame Street, esta sai do “Trinity College” e segue rodeando o bairro de maior agitação noturna da cidade, seus bares, restaurantes e cafés, os dão um ótimo ar europeu, embora o Temple Bar seja o mais famoso, e porque não o carro chefe deste bairro, outros PUBs na mesma rua, são mais moderninhos, tendo o “Fitzsimons” diz a lenda que o dono do bar é o Bono Vox, particularmente eu nunca-o vi e nem li eu só ouço falar, (me desculpe pela frase de Zeca Pagodinho) mas este é um PUB muito moderno e badalado. Bebendo na Irlanda é necessário se ter noção que em geral uma Pint (copo relativo a 500ml) custa € 5,50 e a Jarra custa € 10,00 (relativo a 3 pints) desta forma a brasileirada que está acostumada a no Brasil, sair e encher a cara, aqui se vê em uma realidade muito diferente. Não beber a cerveja porque ficou quente? Nunca! Cada 100ml dela custa € 1,10. Mas beber rápido também é fora de cogitação, você não pode ficar em uma baladinha, sem um copo na mão, com cara de dois de paus. Então o legal é saber fazer o meio termo entre a temperatura da cerveja e a média que está fazendo no recinto.
Já na aula, estou aprendendo “Particípio do passado” olha eu em português, só me lembro deste conjunto de letras, em uma musica do “Legião Urbana”. Agora imagina em inglês? Não estou entendendo ao certo a nomenclatura, mas ter aula de gramática é um saco. Porém preciso, afinal de contas não quero escrever em Inglês da mesma forma que escrevo em português.
A pesar da reclamação, cada vez mais as pessoas me entendem e eu consigo entender melhor também, não tenho mais medo de uma eventual pergunta e eu não souber o que dizer, tenho muito mais segurança. Tenho aprendido muito com o pessoal do meu trabalho, em especial com o Marcelo, (que me ajuda muito em vocabulário) o Tim (me ajuda com a gramática e pronuncia) e o Dave (que responde todas as dúvidas que tenho, relativas ao idioma claro, ele não é o Google).
A Clara também está se desenvolvendo, agora ela começa a se soltar mais, tentar falar, mesmo que errado e assim se virando. Hoje foi a primeira entrevista dela de emprego. A empresa se chama “Pure Graphics” trabalha com grandes formatos, acho que ela foi bem, para ficar na primeira entrevista é muito difícil. Mas quem sabe né? O trabalho é do lado da nossa casa, parece ser um bom ambiente. Agora no trabalho é que você desenvolve o inglês, ficar aprendendo past tense, past perfect é ótimo para quando se tem conversação, agora enquanto isto não acontece, recomendo, assistir filmes, com legenda em português e logo após com legenda em inglês. É como tentar ensinar gramática a uma pessoa antes dela começar a entender o significado das coisas.
Meu amigo Síndico passou por uma experiência não muito oportuna aqui em seus primeiros dias, e espero que eu já esteja íntimo de você para contar está estórinha.
Ao entrar no ônibus, o motorista o indagou, por existir três tipos de tarifa diferente:
- Where are you want to go? (Onde você quer ir?)
-Sorry??!! (Desculpe)
-What place do you Will leave the bus? (Que lugar você irá saltar do ônibus?)
-Sorry??!! I don´t understand (Desculpe, eu não entendo)
O motorista se alterou e começou a gritar.
- Where are you go? (Onde você vai?)
- Nice to meet you! (Prazer em conhecê-lo!)
Gritou mais alto:
-Where are you go? (Onde você vai?)
-Sorry, nice to meet you! (Desculpe, prazer em conhecê-lo)
Neste instante uma estudante brasileira o ajudou e respondeu para o motorista. Ao contar esta história ele disse que só tinha mais uma frase em seu vocabulário. Fuck you! É exatamente assim que se aprende, quebrando a cara.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

A língua do Corpo

Antigamente o que mais tinha dificuldade, era quando falavam comigo. Eu não entendia, e ficava em minha mente imaginando o que a outra pessoa havia perguntado, desta forma formulava uma idéia e assim seguia. Porém agora eu já consigo entender uma boa porcentagem de cada frase, e o problema maior passa a ser a formulação de uma frase para a resposta adequada.
Vejo nitidamente este problema com a Clara, fico me sentindo mal, por fazer ela se virar, mas creio que assim seja a melhor maneira de aprender o idioma. O sentimento de superação torna-se freqüente, e a ansiedade, o desejo de aprender de uma vez começa e te sufocar. De fato acredito que exista uma espécie de “Click” ou algo do gênero, nele você começa a entender melhor a língua, porém em quanto isto não ocorre, nós desenvolvemos uma habilidade muito maior que entender “línguas” nós passamos a entender “pessoas”. Prestamos atenção em cada movimento, em cada detalhe, mesmo que subconsciente e assim aprendemos a nos comunicar.
Estava sentado, ao lado de meu fiel escudeiro Síndico, quando o Liverpool empata a partida da Premier League contra o Arsenal, nós comemoramos muito pois o Liverpool é o time que escolhemos para torcer, uma vez que os irlandeses torcem para times ingleses e todo mundo em meu trabalho torce para o time dos Beatles, resolvi aderir a moda. Quando avistamos a primeira bonita cena do dia. Esta largou sua mochilinha e correu muito furando filas e desviando dos grandes obstáculos que apareciam em sua frente e pulou, abraçou com muito carinho, um rapaz que provavelmente seria seu pai. Vendo o brilho em meus olhos, meu amigo me diz:
-Calma, ela já está chegando.
Fiquei exatamente 15 minutos em pé a frente do monitor que avisa a chegada dos vôos, para agregar mais uma palavra a meu vocabulário em inglês, uma que na verdade eu deveria saber, mas não gostaria de aprendê-la desta forma, pois sempre que ouvir irei lembrar de seu real significado. “DELAYED” Que quer dizer, você terá que esperar mais um pouco, mas duas horas, pra ser mais exato. Não deu tempo nem de eu ficar triste logo o monitor mudou novamente e agora em apenas trinta minutos estaria em solo. Tomo um café, assisto mais um pouco da partida e eis que surge uma palavra linda em inglês, “Landed” que quer dizer: Pronto, agora sim! Alguns minutos de tensão e vi uma garotinha, baixinha, saindo com um monte de mala e de blusinha. Só podia ser ela, demos um abraço, talvez o mais bonito que já demos, forte e sem os populares “tapinhas”. Nesta ouvi apenas uma frase de meu amigo:
-Nossa eu estou emocionado.
Esta noite minha namorada me fez uma pergunta muito legal, enquanto voltávamos da escola.
-Du, você fazia todo este caminho sem ninguém pra conversar, toda a noite?
-Na verdade não, Deus é um bom companheiro, mas prefiro quando estamos nós três.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

No hall do Aeroporto

Poucos lugares no mundo passam uma mistura tão grande de sentimentos e desejos, poucos lugares nos proporcionam a forma de aprender com nós mesmos como em um aeroporto.
Quando recebi o ticket de passagem para a Alemanha em janeiro de 2005, este não havia especificações, apenas alguns números jogados, 2210 e 0715 ainda me lembro dos números, sendo assim cheguei ao aeroporto de Guarulhos, muito cedo, por volta de umas 5h da manhã, para fazer o check-in, após ficar na fila por muito tempo finalmente chegou minha vez. Entreguei minha passagem e a moça me dissera que não pudera fazer o check-in de minha bagagem, pois meu vôo ainda não havia aberto. Achei estranho e questionei:
-Ué, mas não é pra fazer o check-in duas horas antes?
-Sim duas horas antes, mas o senhor está muito cedo.
Então reparei que havia confundido o número do vôo com o horário, e só iria embarcar às 22h10 minutos, nossa, foi cansativo. Então sai da fila com cara de ... e procurei um lugar mais confortável e algum passatempo à fazer, em verdade aquele aeroporto é muito pequeno. Fato: o principal passatempo do gordo é comer, e não estou falando do gordo convencional, e sim do gordo de cabeça, como realmente era muito nesta época. Fui procurar um lugar pra tomar um café da manhã, e logo terminado, não havia mais nada para eu fazer, a não ser esperar. Sento-me na poltrona, olho para o relógio 8h30, e vagarosamente pego no sono, neste durmo aproximadamente umas duas horas em minha imaginação, porém quando olho no relógio novamente, 8h40, nossa que tédio. Comprei algumas revistas e fiquei lá na minha sentadinho lendo. Até que me bate o desespero.
-Aí meu Deus, preciso ir ao banheiro!
Mas o que fazer com as minhas malas? Elas não cabiam no banheiro normal, foi quando eu avistei o banheiro de deficiente. Todo grande, cabendo eu e minhas duas malas, sem pestanejar disfarcei e entrei com o carrinho da bagagem dentro do banheiro. Começo o serviço e ouço um rapaz com um sotaque mais pra cima de nosso país dizendo:
-Ei! Menino, eu vi que você entrou aí. Você não é aleijado não vamos, sai daí logo que eu tenho que trabalhar!
Cara eu não sabia o que fazer, o maluco gritando na porta do banheiro e eu lá dentro pensando em sair pela descarga de vergonha. Deixei o indivíduo parar de falar, ouvi o silêncio na parte de fora e saí com a cara mais amarela do mundo.
Como não tinha mais o que fazer, sentei-me próximo a parte de desembarque de vôo internacional, e fiquei reparando nas pessoas que chegavam e na expressão das mesmas, os que ficavam com papelzinho na mão normalmente davam apenas um aperto de mão, porém o emocionante era ver as pessoas mais velhas ou as crianças na espera de alguém. Muitos não continham a ansiedade e entravam na área dos passageiros, principalmente as crianças, o abraço era a coisa mais sincera que tem, pois só vai te levar ou te buscar no aeroporto quem está contando os segundos pra ficar com você. Foi assim com algumas pessoas da minha família que foram me acompanhar só para ficar mais uns 30 minutinhos comigo. Parece idiota? Mas creio que na verdade seja a coisa mais sábia a fazer, tanto que os mais velhos (mais sábios) e as crianças (mais sábias ainda) é que sentem esta força. Portanto se você ama alguém, deve lutar pra ficar próximo desta pessoa o máximo possível, e seja um dos primeiros a lhe mostrar um abraço (pois quando se está abraçado, é a menor distancia que pode ocorrer entre o coração de duas pessoas), que neste caso significa: aqui você tem um Lar.
Sábado, pontualmente ao meio dia lá estará eu, no Hall do Aeroporto, sem papelzinho, sem aperto de mão, mas com um grande abraço a esperar. Sei que minha casinha aqui não é grande coisa, mas é a maior que eu posso ter, e sendo “pequena” é um lar.
Obs. Alguém já disse que te ama hoje?

Paulinho
paulo.e.lopes@globo.com

quarta-feira, 2 de abril de 2008

De volta ao rio Lifey

Chegando ao aeroporto tive certa dificuldade para entrar na terra cinza, o moço da imigração não parava de me fazer perguntas sobre de onde eu vinha e assim por diante, checou até mesmo com a imigração se realmente constava meu registro. Após passado uns dez minutos no guichê, consegui entrar.
O mais revoltante e o pessoal “ramelento” que existe em outras nações e entram sem problema, aliás, sem dúvida alguma o lugar mais temível da Irlanda é o escritório de imigração, uma sala enorme com mais ou menos 300 cadeiras de espera e claro, pelo tamanho da fila de espera você tem uma noção de quanto tempo demorará na fila, se tiver água então, ferrou, certamente você ficará lá o dia todo. Ainda me lembro quando cheguei para tirar meu visto, precisava do statment (extrato bancário), porém este deveria ser enviado por correio, neste extrato deveria contar no mínimo o saldo de €1000,00 e eu retirei minha senha, 173, era meu numero, e abaixo dizia: Existem apenas 116 pessoas na sua frente. Sentei e fiquei aguardando alguém chamar meu número. Um povo estranho, eles peidam sem a menor cerimônia, como se fosse algo normal cagar na fila, comer meleca também me parece um hábito natural de diversos países cuja não citarei nome, para não ter problemas com consulados. E ali bem no canto, você avista outro compatriota, é muito fácil reconhecer brasileiro, em geral eles andam diferente, tem uma mistura meio parecida com os espanhóis ou italianos, mas neste local é mais fácil ainda, apenas aviste quem não está comendo meleca. Este é brasileiro!
Peguei o ônibus e após determinado tempo cheguei no Spire, (tipo um poste gigante que tem no meio da cidade, que só serve de ponte de encontro) encontrei meu amigo Sindíco, que me dera uma ótima notícia, achara trabalho, um trabalhinho bem modesto é verdade, mas ainda sim já é um dinheiro que entra na sua conta. Com € 500,00 por mês não dá pra se manter aqui, porem ao menos dá pra pagar as próprias contas e a partir de agora será com estes quinhentinhos, que ele deverá se manter. Mas o bicho não é mole não, mesmo com emprego, ele continua procurando outro que receba melhor e que não seja tão sacrificante, por falar em sacrificante.
Bem para quem não sabe eu terei uma companheira de aventuras muito em breve, a Clara minha namorada irá vir pra cá, estou acostumado a dar tudo do bom e do melhor à ela no Brasil, porem aqui mal tenho dinheiro pra me manter, quem dirá manter a duas pessoas, com meu salário de €800,00 (mais ou menos uns R$ 600,00 pela realidade do país) não vai dar. Com este pensamento na cabeça entrei no escritório de minha chefe e pedi para que me deixasse trabalhar full-time, por exemplo ao invés de eu receber €10,00 por hora começar a receber €20,00 e eu trabalhar para ela full-time em troca disto. Tenho a prática de rezar todas as noites e como espero que já tenham reparado neste blog, eu dificilmente rezo para mim, mas desta vez eu rezei. Pedi para que Deus me ajudasse e que ela visse que eu trabalho direito e tenho domínio sobre minha profissão e decidisse ficar comigo pelo período integral. Demorou dois dias, (sábado e domingo) mas Ele atendeu minhas preces, porem de maneira diferente, recebi uma carta dizendo que sou um ótimo profissional e etc, por causa disto eles resolveram me dar um aumento, porem não poderei trabalhar full-time, mas já conseguirei pagar meu aluguel, da nova casa. Pois afinal agora eu moro na zona sul, do outro lado do rio Lifey, uma casinha apertadinha, com apenas um quarto, mas pra mim, é muito grande, porque é do tamanho da minha felicidade. Se estou feliz? Você não tem idéia reparei que mesmo aqui na Irlanda, sem o reflexo de ninguém, eu ainda sou o bom e velho Paulo, Pool, Paulinho, Kaká e assim vai, pois não importa o nome, sou eu mesmo sempre.


Envie seu comentário pessoal para paulo.e.lopes@globo.com
Este foi um comentário muito bem humorado e muito inteligente que recebi, mas só posto as que forem autorizadas ok!


Olá Paulo,Estava fazendo um trabalho para faculdade e por acaso descobri seuBlog, o que me chamou a atenção foi o Seu nome: Paulo Lopes nome deradialista da AM aqui de SP... lembro que qdo era criança minha mãeouvia um programa que chamava "Programa do Paulo Lopes", eu nem sei seexiste ainda, mas foi isto que me fez entrar no seu blog...Comecei a ler e fui me envolvendo nas histórias, muito boas por sinal.Algumas me fizeram gargalhar, outras me interessar pelo assunto,tiveram ainda, as que me arremeteram a minha infância, a formaçãooriginal da minha familia...Adorei a forma que você escreve, que você se expressa. Lendo seustextos, até parece que já te conheço. É interessante isto, rsrsrs émuito engraçado... (Você já assistiu o Auto da Compadecida?, então:tem uns trechos no qual o Chicó conta as histórias dele, e semprequando ele conta aparece uma representação bem tosca da história namente dele... rsrsrs, então, comigo é igual...rsrsrs)Sou coordenadora administrativa numa escola de inglês para executivos,estes cursos rápidos de 12 meses. Não sou muito fã de inglês, soupeguiçosa, impaciente, mas se você fala inglês realmente você sai nafrente.Gostei tanto das suas histórias que comecei a divulgar seu blog paraos amigos e alunos. Gostaria de colocar algumas das suas histórias nomural aqui da escola, tipo crônicas, saca?Posso?Um abraço, e um beijo. Que a força esteja com você!Tatiane A Almeida***Ps: Sobre Paulo Lopes, radialista: Lembro como se fosse hoje, minhamãe ouvia Paulo Barbosa, Paulo Lopes e depois Paulinho Boa Pessoa,era uma overdose de Paulos, será que para ser radialista dafrequência AM tinha que se chamar Paulo?Quando eu era criança achava isto, da mesma maneira que achava que erasempre a última da chamada na escola, porque minha mãe insistia em irrenovar a matricula do meu irmão antes de renovar a minha (meu irmãoCleber era sempre o numero 3 ou 4 e eu Tatiane era sempre o número 40ou 42). Coisa de Criança, mas fiquei com complexo até entender comofuncionava este mecanismo