segunda-feira, 24 de março de 2008

Brasil com Z




Na Suíça o principal índice de mortalidade é o suicídio, bom mas o que esperar de um país que não se pode tomar banho depois das dez para não fazer barulho, que não se pode dar a famosa fungadinha quando se está gripado, um país lindo, mas solitário. As vezes dá pra entender, mas este mesmo ato considerado o problema da Suíça o faz ser diferente, não vejo aqui carro com mais de 4 anos de uso, com disse algumas vezes, um país que os pobres possuem Mercedes, e os ricos Rolls-Royce.
O clima é maravilhoso, embora mais frio que a Irlanda, esta possue neve pela manhã e sol no finalzinho da tarde, iluminando as montanhas cobertas por neve. A impressão que tenho, é que após presentiarmos com neve caindo suavemente no chão Deus quis nos mostrar como ficou.
Não vejo vida na cidade, ninguém fala com ninguém. Quando vejo uma baladinha ou algo mais agitado, pode apostar que tem brasileiro na festa. Por falar em brasileiros, no começo do blog me referi que jamais vira um casal que seja o homem brasileiro e a mulher européia, pois bem, ainda nao conheci nenhum, mas agora jah entendo o porquê. Eu reconheço uma brasileira de longe, e as gringas não me chamam a atenção mesmo. Meus amigos que ficam com gringas aqui estão mais interessados em passaporte europeu que necessariamente construir uma familia. Desta forma creio que os brasileiros em uma maneira geral prefiram casar com brasileiras.
Entre várias coisas que percebi na Europa, o medo de guerras é algo diário, o trauma é muito grande, a maioria das casas na Suíça possuem um compartimento anti-guerra, com uma porta de escotilha e paredes bem grossas, é bem verdade que esta é usada como adega na maioria das vezes, meu primo possui mais ou menos 200 rótulos de vinho neste local, sendo nove brasileiros por incrível que pareça nosso vinho já está começando a fazer sucesso no velho continente.
Eu fico intrigado sempre que venho aqui, tantas línguas, tanta diferença cultural e mesmo assim o país mantém uma harmonia, que é bem verdade está com os dias contados, como a Suíça não faz parte da União Européia eventualmente ela tem que abrir mão de determinadas regras, agora estão abringo a fronteira e o índice de assalto quadriplicou no período de três anos. Assim como na Irlanda a maioria do pessoal que vejo pedindo dinheiro aqui é romeno, e assim deixo minha crítica contra o governo da União Européia. Sei que meu povo não é flor-que-se-cheire, mas nunca vi brasileiro mendigando na Europa, então pra quê barrar um povo que em geral vem pra Europa para estudar? Será que o intuito realmente é de conter a imigração? Ou apenas evitar que nosso país se desenvolva? A imigração a países da potência européia não se dá por povos de outras regiões, pois eles já fazem parte da União Européia, como a Romenia, a Polônia e tantos outros do leste europeu. Critico demais meu país, poís só critico quando vejo esperança, inúmeras empresas brasileiras são mundialmente conhecidas, como a Ambev, a Vale, a Petrobras, e você conheçe alguma empresa polonesa ou romena, que ao menos se compare com as que citei acima?
Sou brasileiro, e give up (desistir) não faz parte do meu vocabulário.

sexta-feira, 21 de março de 2008

O quadro da sala

Eu não conheço muitos países pelo mundo, mas se me perguntassem: Qual era o mais bonito? Certamente diria a Suíça. Eu sei que não tenho nem chance de tirar visto de outro país, mas mesmo assim, considero a Suíça como minha segunda pátria, mesmo que eu não consiga falar nenhuma de suas línguas oficiais (69% fala alemão, 16% frances, 12% italiano, 3% romanesco) me sinto muito bem, quando estou aqui, talvez reflexo do tratamento que recebo das pessoas que tenho contato.
A passagem de Dublin para Basel, foi um preço muito, bom, porém tem que ter disponibilidade de horário, no caso, consegui um acordo com o meu trabalho para ficar 3 dias a mais aqui, e o preço do ticket foi para €60,00 ida e volta, pra se ter como base de comparação uma passagem de Dart aqui (similar a um metrô) custa €5,00 ida e volta.
Hoje está nevando, algo que jurava ser efeitos especiais de filmes, realmente existe, aqui aprendi uma outra coisa: Para se ter um dia lindo, não necessariamente devemos ter sol. Em meu horizonte, a imagem que vejo são de casinhas de um antigo ferro-modelismo, cobertas com neve em seu telhado e lá adiante vejo a linha do trem, cruzando as montanhas. Sem querer relembro minha infância em um quadro da minha Vó na rua Conselheiro Furtado, e familiarizo o quadro com a minha visão atual. Bate uma saudade! Mas não de voltar e etc. Tenho saudade da minha antiga família, dos almoços no Lazzarella regados por muita música italiana, creio que foi a última vez que ouvi o “Ia mo, Ia mo, go coia coia, fuli culi, fuli colá, fuli coli, fuli colá, Ia mo, Ia mo, Iá, fuli coli, fuli colá” ou seja lá qual for a letra da música, mas para um garoto de 9 anos era assim com certeza. De meus dois irmãos brincando na parte superior da mesa, sem a interferência de ninguém, em nossa felicidade, do tempo que meu pai ficava olhando o preço do prato antes de pedir. Ai se minha vó estivesse aqui, ela nunca deixaria acontecer o que aconteceu, bastaria apenas um puxão de orelha e pronto. E definitivamente, eu me recuso a acreditar que este NÃO FOI UM TEMPO FELIZ. Portanto, saudade? Eu sei que este tempo jamais voltará. Cabe a mim, apenas construir minha família, como “era” dos meus país.


Me perdoe por eventuais erros de português, talvez eu não consiga me expressar gramaticalmente, mas sinceramente não me importo, apenas me esforço para que você sinta o que estou sentindo agora.

domingo, 16 de março de 2008

Saint Patrick's day

Dia 17 de março é o feriado mais irlandês, do ano, Saint Patrick ou São Patrício é um dos santos mais amados do mundo, principalmente em países de idioma inglês. São Patrício nasceu em 385, na costa oeste da Ilha da Grã-Bretanha, em uma cidade chamada Banwen. Foi vendido como escravo para a Irlanda com 16 anos e desde então, estudou, se ordenou e converteu milhares de pessoas irlandesas que nesta época, cultuavam deuses célticos, para o catolicismo. Tanto que a Irlanda há um tempo atrás, era a nação mais fervorosa quando o assunto era religião. Desta forma fica fácil entender o porquê do culto a Saint Patrick. Este ainda possui diversos mitos sobre suas arte-manhas, a ele é atribuído a expulsão de todas as cobras e serpentes da Ilha, mas se bem que pelo que eu pesquisei, não havia vestígios de serpentes, muito antes da vinda do pastor.
Curioso, se você trabalha na Tesouro há mais de 5 anos provavelmente se recordará do antigo logotipo da Tesouro. Pois bem,trata-se de um arco íris. Explicando o logo, a idéia criada era que no final do arco-íris existe um pote de tesouro. Esta famosa parábola, é a mais famosa das lendas irlandesas, então mesmo sem saber a Tesouro já tinha um quêzinho de Irlanda. Só depois que o arco-íris virou símbolo homossexual, e foi complicado de convencer a mudança. Eu que o diga.
O patriotismo demonstrado pelo povo é gigantesco, o sotaque irlandês ao falar Ireland (nome do país em inglês) fala-se Airland, no inglês americano já com a pronúncia local fica Ourland (em inglês, nossa terra) A Guinnes (uma cerveja amarga para um cace... com certo gosto de café gelado, mas que passado um tempo aqui na Irlanda você se acostuma) é a marca mais tradicional, e explora muito o aspecto do patriotismo local em seu slogan: Born of Our land! Nascido em nossa terra!
Cabeças verdes, chapéus enormes de duende, barbas laranjas, e tudo mais, algo similar a nosso carnaval (estou querendo dizer no sentido da festa, até porque a mulherada, não se atreveriam usar fio dental neste frio da po..). E quem fatura com o Saint Patrick’s day, sem dúvida são os Pubs, que por sinal outro traço típico: o povo que bebe! Uma outra coisa que me chamou muito a atenção são os irlandeses que migraram para os Estados Unidos, na época das doenças e guerras civis, principalmente para as cidades de New York e Seattle, os netos e filhos dos imigrantes visitam a cidade nesta ocasião, mas o povo local não curte muito esta invasão, pois são nascidos em outro país e ainda assim se intitulam irlandeses, e principalmente: Não tem o sotaque para falar o Our land.

domingo, 9 de março de 2008

A missa

A Irlanda é um país retratado pela divisão entre as religiões, tanto que o famoso IRA (Irish Replubican Army) lutou muito tempo, e a entrega das armas, só foi dado em 2005. O objetivo deste era separar a Irlanda do Norte do o Reino Unido e a igualdade entre as religiões católicas e protestantes, como os católicos na Irlanda do Norte eram minoria, eles eram sufocados pela supremacia britânica, que não os deixavam ter voz, em nenhuma sessão política.
Portanto, ir à missa em um local como este, que desde sua história entre os celtas, até suas recentes revoltas de etnias é maravilhoso. Em geral a população é católica, em dias de corpus crist, é natural encontrar pessoas com marcas pretas na testa, sendo uma espécie de benção. Porém os jovens, aqui na Irlanda não se ligam muito no assunto, talvez seja um trauma pós-guerra, mas as pessoas que se mantêm católicos demonstram uma fé, inabalada. Isto emociona, da esperança, algo como: Não estamos sozinhos aqui.
Fui à missa às 18h30 minutos, uma cerimônia muito rápida, porém muito linda. O canto de entrada é aberto por um quarteto, sendo 3 vozes e um violão. Nunca vi nada parecido, todos os componentes deviam ser profissionais, ao cantar, era comum sentir uma emoção maior em determinada frase, a impressão que tive é que eles devem se esforçar muito, afinal de contas, estão cantando para Deus!
As vozes em som épico se misturam talvez com a saudade e a incerteza de não me dar bem aqui. De repente eu fecho os olhos e a música se torna trilha sonora do pequeno filme que passa em minha cabeça, retratando toda a dificuldade que encontro aqui. E todo este pensamento me leva á um só.
Estou sendo egoísta! Tenho emprego, ganho relativamente bem, não me falta nada. E eu ainda choro por mim? Fico me achando mesquinho, o Síndico, uma pessoa fantástica que conheci aqui, não fala inglês como eu, e em verdade 60% de minhas orações são para isto: Que ele arrume um emprego, pois se não conseguir, terá que abortar seu maior sonho.
Aqui na Irlanda, você é o que você é! Quer queira, quer não no Brasil eu sou um reflexo de meus pais, ambos muito bem conceituados no mercado, e me deram oportunidade para mostrar meu valor, mas será que se eu não tivesse eles, eu conseguiria uma oportunidade? Conseguiria ir a um restaurante chique e pedir um vinho? E é isto que estou me provando agora, aqui se eu comer ou não no fim do dia só depende de mim, até minha roupa se está limpa ou suja, amarrotada ou passada, eu que levo a culpa.
Meus amigos de casa estão acordando pra cuspir e quanto eles ainda desenvolvem esta habilidade vejo um deles madrugar, para entregar jornal, ele mora no Morumbi em São Paulo, e realmente não precisava disto, mas ele resolveu olhar a árvore de Natal por baixo, arregaçou as mangas e foi à luta. Já o Síndico acorda junto comigo toda a manhã, pega sua pasta, decora frases em inglês, como: -Can I let my CV? E vai a luta, com a cara e a coragem procurando um emprego de limpeza ou qualquer área que não precise se relacionar com o público. Torço muito por ele, e tenho certeza que conseguirá um ótimo emprego em breve, afinal de contas não são todas as pessoas que distribuem na faixa de 20 currículos por dia, e mais hora ou menos hora eles irão ver, brilho nos olhos e o chamarão!
Ainda de olhos fechados imagino minha família toda reunida em um churrasco, e uma menininha de dois aninhos, vindo falar comigo. Eu particularmente não gosto de apertar, morder ou mexer com a criança, eu gosto de aprender com ela, imagino seu jeitinho, sua voz e seus passinhos desengonçados, não sei se ela vai se lembrar de mim, mas certamente eu me lembro dela. De uma menina que se descobriu mãe, e agora deverá seguir seu caminho, passando por cima de brigas idiotas e sem sentidos e se esforçando para manter acesa a luz que não se apaga, ou pelo menos não deveria. De um garoto que se vê responsável por uma empresa de 32 amigos e não funcionários, porque jamais os tive, e este deve manter a cabeça em ordem, não discutir e fazer algo que foi e ainda é sua deficiência, “não ouvir”, a resposta vem sozinha, apena a ouça e terá a sua. De uma mãe apreensiva que pede pelo seu filho que está em um lugar frio, para que Deus o abençoe. Neste momento abro os olhos e meu amigo síndico, põe a mão em meu ombro e me diz:
-A missa acabou, posso fazer uma oração?
-Sim, claro!
Mas mal sabe ele a oração que eu acabara de fazer. Fique com Deus, pois se ele não existe? Talvez quem na verdade não exista é você!

terça-feira, 4 de março de 2008

O Corpo Gela

Há um tempo atrás escrevi uma música, que retratava muito o que estou passando agora, nela passava a agonia e a solidão de ficar longe da família, porém algo mais difícil que isto é não compreender quando as pessoas falam com você. Ou algumas que acham que falando mais alto com você, irá melhorar seu entendimento, sobre as conjugações de verbo e etc. Porra, gritar comigo, não fará eu entender a palavra. Estou tendo um ótimo convívio com as pessoas da casa, cada um com sua particularidade, posso afirmar que o quarto onde durmo é um show de horrores, temos um personagem com um chulé desgraçado, um que ronca como um trator, Massey-fergunson, outro que peida pra caramba, mas ao menos aquece o quarto e eu, que eventualmente roubo a cena com minha crise de sonambulismo.
Ontem eu vi nevar aqui em Dublin, estava difícil de sair de casa, porém há algo muito pior que sair no frio, é tomar banho, e principalmente com o aquecedor quebrado, como é nosso caso. Para os valentes de plantão que possam vir a pensar: -Por que ele não toma banho frio mesmo? Pois é, aqui o banho não é frio é hiper gelado, sendo assim só de tirar a camisa no banheiro, você já corre risco de pneumonia, agora imagina um banho gelado? O jeito é a boa e velha canequinha, ninguém merece, estou à cinco dias tomando banho desta forma. O Bart (responsável pelo nosso apartamento) da imobiliária, fala que todo o dia o rapaz da manutenção virá aqui, mas isto nunca acontece e nós claro, ficamos aqui com cara de bunda. E bunda suja que é o pior. Espero que amanhã esteja tudo resolvido, pois desta forma não dá pra continuar, quero ver quando o chuveiro voltar a funcionar, como eu irei fazer, já estou até me acostumando com a maneira milenar.
As vezes caio deito no wiskey
Que é pra você me achar
Olho ao redor só vejo o garçom e você não pode me ajudar
Estendo o braço me desce outro
De que vai adiantar? Se a pessoa que amo está longe daqui, eu começo a chorar
E como sempre vem este soluço
Mas eu nem posso explicar
Pego a caneta e olho pra lua, começo a rabiscar
Sinto falta de noites de sono, estou precisando descançar
O dia amanhece e eu não consegui
Não estou pronto pra lutar.

Se a minha Alma enxerga
Além da minha visão
O corpo gela
mais aquece o coração
Estou sofrendo e fui agora perceber
Que sinto falta, muita falta de você.
(Esta é minha musica, Um abração a todos, estou com saudades)
Obs. Semana que vem, estarei com fotografias para colocar no site.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Acertando as contas

Eu jamais me imaginei dividindo um apartamento com um desconhecido no Brasil, porém aqui é a coisa mais normal. Nós imigrantes só podemos trabalhar 4 horas por dia, ou vinte horas semanais, com isto o máximo que você consegue receber aqui são 800,00 um valor totalmente fora para você alugar um apartamento sozinho, porém o suficiente para conseguir pagar suas contas. Normalmente o salário de um Irlandês é na casa de 2000,00 o que mostra que estamos muito a baixo da média salarial, o que é facilmente entendido, devido a dificuldade do inglês. Outro fator que me chamou muito atenção é a acessibilidade do maquinário e dos softwares, um corel draw aqui custa na faixa de 100,00 muito diferente dos 1200,00 cobrados no Brasil, talvez por isto aqui não haja pirateamento de softwares. Mas tudo bem, cheguei a conclusão que para o Brasil mudar, devemos mudar muita coisa, e não é só papel do presidente, por exemplo a visa (empresa administradora de cartões) no Brasil cobra um taxa de 3,4% por transação, já aqui esta taxa cai para 1,7% o porquê. Realmente eu não sei, mas a diferença é notória.
Com tantas diferenças entre caro e barato, onde um bom carro custa na faixa de 8000,00 (10 meses de trabalho) e um quilo de picanha custa 30,00 (um dia de trabalho) fica um pouco complicado para um brasileiro se balancear aqui, a noção de o que é caro e o que é barato é muito difícil de pegar, para isto vale a pena pesquisar blogs, sites e principalmente conhecer alguém aqui, para te passar os atalhos. Gasto na faixa de 100,00 por semana com alimentação e transporte, porém este valor seria muito maior senão estivesse dividindo o apartamento com mais 5 pessoas.
Durmo em uma cama de casal com um rapaz cabeludo e que tem um certo trauma de chuveiro, eu já tive alguns desentendimentos com ele, pois este possui uma preguiça sem tamanho para lavar a louça ou qualquer afazer doméstico, sem contar no chulé dele, que eventualmente penso que há algo morto na casa. Pago 275,00 por mês para passar por isto, acho que está caro demais perto do que tenho que agüentar. Apesar que tem melhorado muito, esta semana inteira ele tomou banho todos os dias, o tênis dele está proibido de entrar em casa e não isto é mentira, ele não lavou um prato se quer.
Aqui sou uma pessoa diferente, em verdade não tenho oportunidade para expressar minha inteligência até por que ninguém me entende, mas pelo incrível que pareça falar eu até falo bem, o problema é entender. Hoje de manhã meu chefe me olhou e disse:
- Microsoftchevroletburgerking? E eu respondi:
- Claro que tive um ótimo final de semana.
Isto é uma tática que venho usando com freqüência, mas na verdade não faço idéia se ele perguntou sobre meu final de semana, porém sei que é uma pergunta de praxe para um segunda feira de manhã. Aprendo muito mais em meu trabalho que em minha escola, eventualmente eu me pego sonhando em inglês, o que é muito curioso, pois é um outro sistema lingüístico. Uma coisa é certa: Se eu tivesse o inglês fluente eu iria me dar muito bem aqui na Europa.
Mas enquanto isto eu continuo sonhando, semana passada uma frontier da Nissan parou para eu atravessar e eu pensei: -Um dia eu terei uma dessa! Ironia? Não, apenas estou aprendendo a dar mais valor as coisas.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Boteco

Recebi algumas críticas quanto o blog e realmente todas muito bem vindas, sendo positivas ou nem tanto. Mas em especial recebi uma crítica que fiquei muito feliz, pois é exatamente o que tento passar a você. “Paulo, você escreve como se estivesse sentado em um bar, tomando uma cerveja com o leitor”, portanto, sente-se, aprecie uma gelada e vamos conversar mais um pouco.
Dublin possui um importante rio, que cruza o centro “Lifey” e é entorno dele que estão separados os bairros, é muito fácil de entender, número par, abaixo do rio e número ímpar acima do mesmo. Quanto maior o número, mais distante do centro esta área é. Eu irei morar em Dublin 1, como disse anteriormente, isto quer dizer que estarei bem onde “a Irlanda acontece”, e estarei dividindo o apartamento entre 5 pessoas, são elas: Síndico, Sushi, Léo, Guilherme, Carioca e eu. Nós todos somos muito parecidos em gostos e objetivos aqui, até para o mesmo time nós torcemos. Havia uma outra personagem também, a Iza, porém ela não aguentou a bronca, vivia chorando por causa de saudades e resolveu voltar, ninguém curtiu a idéia, porém ela é difícil de dobrar.
Saudades é algo que sinto a todo o momento, é claro que gostaria de ligar para o Victor, o Leco, o Denis e o Bitcho para organizarmos um churrasquinho no vim de semana. Tomar a famosa caipirinha do tio Mané, enquanto eu me entretia com os diálogos recheados de cultura com o tio Antônio. Mas tenho que aquentar, seis meses passam rápido, tanto é que completo um mês dia 28 de fevereiro. Nossa, parece tanto tempo. Aqui é batata, se eu quero chorar basta eu lembrar da minha família, da Tesouro que para mim é parte vital de minha família, da Clara, sei que o nome de vocês é muito para eu colocar aqui em um simples texto, mas tenham certeza que cada um de vocês tem um espaço enorme em meu coração. Quanta saudade eu não tenho da Monique? Como eu irei escrever, mensagens de paz se eu não tiver uma musa dígna de inspiração?
Aqui eu aprendo muito a cada instante, mas o que eu mais aprendo é sobre mim. Me lembro de uma frase do filme “Clube da Luta” “Você não é o que você veste, não é o seu cartão de crédito, você não é ninguém”.
Em meio a esta crise de identidade ligo para minha pequena que fizera aniversário ontem. E ela não me diz muitas palavras, pois o tempo é curto, porém ela me diz apenas uma coisa.
“Você é alguém, para um monte de gente daqui, te amo.”
Sim uma mesa de bar é assim mesmo, muitas vezes você ri, mas as vezes, você precisa de um companheiro para chorar junto com você.
“A família é o maior bem que um homem pode ter”- Vito Corleone.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Mudanca de endereço

A partir do dia 20 de fevereiro, estarei em um novo endereço, este é bem no centro da cidade, à mais ou menos, uns 15 minutos de caminhada e à uns 25 minutos até o meu trabalho, sendo assim digo adeus ao Dart (uma espécie de metrô daqui) e também aos ônibus, mas em contra-partida, digo adeus a Gayle e ao John, meus pais irlandeses, que tem me tratado, realmente como filho, é impressionante o carinho que eles tem comigo e eu procuro retribuir da melhor forma possível. O falar inglês, é algo secundário aqui na casa, aprendo sim! Mas minha intenção é apenas agradecer a um gesto de carinho. Então família, se estou sentido saudades de vocês? Sim, estou. Mas sem estes dois, seria muito pior.
Os irlandeses à propósito é um povo muito receptivo, alegre por natureza e meio “deixa a vida me levar”, creio que eles sejam os brasileiros da Europa, pois assim como nós, a Irlanda encontra-se em franco crescimento, Dublin é uma cidade em busca de uma identidade, no cenário europeu. Porém descobri algo que realmente não me agradou. Algumas pessoas aqui na Irlanda não gostam do U2, levantando a bandeira do: -Quem ele pensa que é? –Ele possui milhões de dólares, mas quer o seu dinheiro para acabar com a pobreza.
Outros por sua vez: -O que você preferia? -Que ele cheirasse todo o dinheiro dele, ao invés de se preocupar com os outros?
Eu tenho minha opinião sobre o Bono. Para mim, ele é um ícone, um líder, e a função de um líder é causar polêmica. Uma coisa eu sei, ele nunca bateu em minha porta e me pediu dinheiro. Não o Bono não é assim, ele bate na porta do Bush, Blatter, Lula e etc...
Por falar em dinheiro, aqui na Irlanda vejo que é muito melhor, tanto para o empresário, quanto para o funcionário. Aqui não tem décimo terceiro, o empresário, não paga a condução da galera, e não existe as leis, hora extra noturna, passando de determinado horário, seguro desemprego só para quem tem carteira assinada á mais de 3 anos, o famoso atestado médico, por estar com dor de cabelo ou na gengiva aqui também não existe. Simples, foi trabalhar, recebe. Não foi, que pena né. Com isto o empresário paga melhor seus funcionários, e a conta de trabalho é feita por hora, em meu caso 10 euros por hora trabalhada. E recebo toda a sexta-feira. Assim eu consigo ao invés de gastar 17 euros por semana com transporte, morar perto do trabalho e ter o valor a mais na carteira. O Brazil é o brasil que conhecemos, por querer dar coisas de graça aos outros, gerando em nosso povo uma mentalidade “pedinte”.
O transporte daqui é algo muito bom, e justo ao meu ponto de vista, pois você paga de acordo com o que você anda, de 3 a 10 pontos é um valor de 11 a 25 pontos é outro e assim por diante, e foi em um transporte público que aconteceu uma cena comigo um tanto quanto engraçada, para não dizer, chata.
Pois bem, eu sou branquelo, cabelo escuro liso, e olhos castanhos, ou seja: Um gringo.
Estava no Dart, voltando para minha ex-casa em Sutton, Dublin 13 (no próximo texto eu explico como funciona estes números) quando entra um casal brasileiro e sentou no banco ao lado, o trem estava vazio, pois volto da escola às 22h, o casal começou a se beijar, só que o rapaz segurou um pouco a onda, reparei que os dois estavam a flor da pele, querendo se comer ali mesmo. O rapaz fala calmamente no ouvido da menina: (proibido para menores)
-Quero, pegar você! Te ...
E ela começou a responder:
-Quando eu chegar em casa eu vou ...
E claro eu fingindo que estava lendo o meu livrinho (em inglês, claro) assim o casal nem desconfiou que eu estava compreendendo o diálogo, e olha que as coisas eram meio pesadas. Eis que chega minha estação, espero o trem parar, abro a porta e digo:
-Até mais!!!
Em alto e bom som.
Não sei como ficou a cara deles, mas certamente agora eles irão tomar mais cuidado em lugares públicos.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Sorvete Italiano

Está história aconteceu em minha viagem para a Itália.
Quando fui para a Itália, em meados de 2007, o meu primo estava acabando de acertar sua transferência para o Torino, então como já estava do outro lado do oceano, resolvi checar a cidade que ele iria morar. Foi difícil, mas consegui convencer a Elisandra e o Gilbert a darem uma passadinha em Turin, no norte da Itália.
A Itália é um país maravilhoso, muito hospitaleiro, porém com o típico jeitinho italiano desta forma o país fica muito parecido com o nosso, em geral comesse muito bem nesta região, mas esta possui um horário, um pouco diferente do nosso. As lojas pelo que percebi no dia em que fui, abre apenas as 15h na segunda feira, isto faz o centro da cidade ficar vazio, neste dia, mas nos outros dias os horários são normais. Talvez meu primo possa ajudar sobre esta questão em algum comentário.
O culto pelo italianos ao futebol e ao automobilismo, é notório, a febre entre a velha senhora e o Torino, deixa a cidade com um aspécto mais de Buenos Aires que de Europa, em certas partes, as mulheres são lindas, e segundo minhas acompanhantes mulheres os homens também. Mas também né, tendo eu como base de comparação, qualquer um, fica bonito. Mas vamos ao que interessa.
Quem já ouviu falar do “sorvete italiano?
Pois é, estavamos, Gilbert, Elisandra, Clara e eu, vagando pelas ruas italianas, quando avisto uma sorveteria. Ainda me lembro do nome: Tutti Gellato (acho que é assim que se escreve).
Olhei a vitrine inteira, e como brasileiro, não iria pagar o mico de pedir um pouquinho para experimentar. Não, brasileiro paga outro tipo de mico.
Vi uma cor fantástica, era lilás, bem clarinho, tipo a cor de um anoitecer, algo magico, o nome?
Viola, (lê-se viôla, e não vióla, tipo o instrumento)
Não exitei:
-Eu quero este.
A Clara também namorou a vitrine toda, muito bem decorada e escolheu de “Nutella”, a minha prima, foi um pouco mais conservadora e pediu o “Creme” e o Giby o tradicional “Chocolate”.
Recebi meu sorvete, e senti o seu perfume, este tinha cheiro de lavanda, dos alpes franceses, um cheiro de perfume maravilhoso, mas quando senti seu gosto.
-Caraca!!! Isto aqui tem gosto de perfume também.
-Moça do que é este sorvete? Rexona?
O fato que o sorvete era tão cheiroso, que eu estava quase passando de baixo do braço, e o sabor também era similar a uma lambida no suvaco. O coisa ruim.
Passado dois minutos e a clara recebe o sorvete dela:
-Nossa mor, acho que o meu está estragado.
-Imagina, Nutella, não tem erro.
-Mor o meu está com gosto de remédio.
Nossa na hora que eu provei o sorvete dela, me lembrei da minha infância, quando dona Regina, me empurrava guela a baixo 34 gotinhas de Novalgina, era definitivamente um sorvete fabricado pela Bayer, Pfizer, mas nunca pela Kibon.
-Mor, veja pelo lado bom. Ao menos você não terá febre.
Um instante depois e vejo a Li olhando para o lado e perguntando:
-Du, o seu sorvete está bom? (não sou eu, é forma carinhosa de chamar você, só que em Alemão, e eles se tratam assim)
-Du, o meu é de chocolate. Sempre está bom.
-Du, o meu está com gosto de ovo.
Caramba, eu não podia perder esta. Provei o dela, e realmente, se você estiver desanimado, precisando de uma gemada, tome o sorvete de creme. Era um gosto de ovo, do começo ao fim, ovo cru ainda por cima.
Resumindo, nunca, peça algo que você não provou, ou não conheçe o gosto, você pode acabar sentindo gosto de suvaco, de novalgina ou de gemada.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

First Week

É estranho, mas eu reconheço um brasileiro só de olhar. Como nós somos? Está é fácil. Um brasileiro anda olhando para tudo que é canto, não traça uma meta e vai em frente desconciderando o que há em seu periférico, como o europeu, creio que isto se dê pelo nosso habitat natural, ou seja, estamos sempre espertos com algo hostil, que possa acontecer, principalmente nos grandes centros, somos criados desde criança à tomar cuidado pra ver se não está sendo seguido, olharmos dos dois lado antes de atravessar a rua e assim por diante. Por falar em atravessar a rua, tenho um sério problema com este quesito, aqui é mão inglesa, sendo assim o carro possui volante do outro lado, e todos andam pela esquerda. Sempre que eu vou atravessar a rua, olho para o lado errado, já duas vezes xingaram a dona Regina por conta disto. (desculpa mãe, o segundo era polonês e eu não entendi, mas acho que ele quis te ofender também) Bom mas voltando ao assunto, este erro é tão frequente na Irlanda, que toda a esquina possui uma frase escrita “Look Right or Look Left” mas pra dizer a verdade creio que eles deveriam escrever em português, porque só brasileiro comete este erro. De tanto errar, agora aprendi a olhar para o outro lado, sempre, não importa se esteja tranquilo.
Trabalho, a maioria dos brasileiros aqui passam um perrengue desgraçado, pois eles não se preparam pra vir pra cá, e chegam sem saber o mínimo do inglês pensando: Lá eu aprendo! Bom não é assim não, vocês precisa ter pelo menos uma base boa, algo como uns 4 anos de estudo por escolas normais, ou uns 6 meses se dedicando muito ao idioma. Sem isto, na boa você vai ser apenas mais um na multidão, e esta multidão é bem grande. Com um inglês precário você só consegue emprego de 20 horas semanais, e a média salarial é na casa de uns 7 euros a hora. A maioria das pessoas conseguem fazer um acerto e trabalhar full-time, mas grande parte, fica nas 20 horas semanais, eu por exemplo.
Em meu trabalho estou me dando muito bem, tem um brasileiro lá também que me ajuda muito, é o Marcelo, ele é de Curitiba, e fala inglês muito bem, porém ele não gosta de falar português, creio que seja até melhor assim, pois posso aprender mais, o Hom é tipo o Sr. Elias da prontaprint, isto é impressor de off-set, tem um ótimo conhecimento na área também, porém tenho uma certa dificuldade de entender o sotaque dele, o Dave, é um típico irlandes, loiro, baixo, olhos azuis, ele é meu companheiro de setor, cuidamos do “finish” ou acabamento se preferir, o Tim é um cara muito bacana, ele fica só me ensinando o que não presta e gírias, conhece bastante da área, ele opera a DocuColor 6060, a Nuvera e a DocuColor 250 (minha favorita) ele fala muito rápido, imagina o Fernando mineiro falando inglês com você! (pra quem não sabe o Mineiro é um amigo meu lá da loja Rio, que fala como o Enêas).
Tá bom está faltando minha trapalhada da semana, desculpe ser insistente neste assunto mais, segundo dia de trabalho, isto é na terça feira, eu estava com a barriga borbulhando então pensei: Bom, estou na minha hora do almoço e ninguém irá sentir minha falta se eu sumir por uns 20 minutos. Mais que depressa entrei no banheiro, e fiz o que havia de fazer, porém na hora de dar descarga.
-Droga! Eu não acredito, está merda está enxendo!
-Meu isto não desce.
Sim, sim, havia feito o famoso cocô Isopor, e nada de ir embora, depois de cinco tentativas eu desisti. Sai do banheiro com a cara mais amarela do mundo, e fiquei a sala ao lado, dobrando uns folders, quando entra o próximo coidado no banheiro pra ver o presentinho que eu havia deixado no banheiro pra ele, e só escuto:
-Crap!!!
-Whos the son of a bi…! (sim mãe te xingaram de novo)
Sorry!!!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Pinimba

É estranho escrever sobre, pinimba, até porque não estou. Mas aqui, para você se manter com uma certa quantia, você deve ser muito “murrinha”, por exemplo: nós brasileiros todos temos o telefone da operadora “vodafone”, que é parecido com a Tim, aí no Brasil, mas porque temos este aparelho, é o mais curioso. Nesta operadora a mensagem de voz é gratuita, ou seja, nós ficamos um, deixando mensagem na caixa postal do outro. Com isto demoramos uns 10 minutos para concluirmos um local de encontro por exemplo; que normalmente é a “spire” (um porte bem alto no meio da cidade), mas a econimia não para por aí, também almoçamos um hamburger sapeca em uma travessa da O’Connell street, que custa 1€ (vocês repararam que agora eu coloquei o sinal do €uro né) e a coca-cola de 600ml por €1,40 que normalmente é dividida por 3 pessoas, sendo assim você almoça e gasta no máximo umas 3 pratas. Brasileiro adora farra, onde tem uma balada, tem brasileiro, então como economizar na balada? Simples, entre nos bares antes das 8h30 alguns e outros antes das 10h, fique um tempo lá dentro e depois saia, para tomar uma ar ou encontrar alguém, sei lá! E então o porteiro irá carimbar sua mão, para que você ao voltar não precise pagar a entrada. E acredite, duas mãos para carimbar, às vezes não dá.
Eu particularmente arrumei um emprego muito rápido como eu havia dito no texto abaixo, e virei um case para emprego aqui, agendei uma entrevista um amigo, mas para quem não tem bom inglês o negócio é se contentar em limpeza e entrega de jornal.
Um mundo à parte, se é que podemos falar isto, aqui em Dublin, existe algo novo, uma das cidades que mais cresce no ano, ela está formando seu carácter agora, uma mistura de chinês, polonês, africano, irlandeses, mexicanos, ilhas maurício e brasileiros. Mas os brasileiros até que são bem vistos, porque a maioria vem pra cá, estuda e depois volta, já os poloneses, mexicanos ... não. E para combater esta imigração em massa que recebe Dublin, todos os dias, existem um grupo meio Neo-nazista mas dúvido que eles saibam disto que brigam, atacam coisas, trombam e roubam pessoas nas ruas. São os chamado Naker’s, normalmente usam tenis branco e calça de moleton ou agasalho esportivo. E eu já fui trombado na rua por um, e olha que muitas vezes as pessoas acham que eu sou local.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Cagado

Você já deve ter ouvido a expressão “cagado”, pois bem: trata-se do ato de ter sorte, muita sorte.
Como minha primeira história na Irlanda creio que é um bom título, afinal de contas todos nós temos nosso dia de sorte ou de azar, e considero muita sorte tudo que vem acontecendo comigo em minha nova jornada.
Peguei um voô tranquilo, por sinal viajei de KLM, é uma ótima companhia aérea, eles servem até sorvete, o problema é que não falam nada de português. Sentei na Janela, porém uma moça me pediu para trocar de assento com a filha dela de 5 anos, fiquei com dó e aceitei. Ferro!!! Eu fiquei no corredor do meio, entre duas poltronas e o pior de tudo é que os apoios de braço já estavam ocupados, a minha acompanhante da esquerda era uma senhora de mais ou menos uns 60 anos, muito bem disposta e engraçada também, ela havia pedido para trocar de lugar, devido a uma hérnia de disco mas tudo bem, a minha acompanhante da direita era uma jovem, muito bonita, porém ela não conversava direito comigo, é estranho mas as mulheres possuem uma defesa, ela fica achando que todo mundo vai dar idéia nela, aí fica retraída, meio querendo conversar para passar o tempo e meio querendo me mandar ir a merda, mas não tem problema eu estava indo pra irlanda mesmo. Passado um determinado tempo a aeromoça disse a senhora da minha esquerda que havia conseguido um lugar, aí saiu minha companheira de assunto e chegou um “china” muito do chato. A loira ao meu lado pediu para ele trocar de lugar com a amiga dela em umas 4 línguas, sem sucesso, aí o “china” resmungou: - O caralho! – Você fala portugues? – Então você não quer trocar com a minha amiga? – Denovo eu quero ficar parado em um lugar. – Ok!!! E eu no meio sendo alvo dos perdigotos, o estranho é que quando eu estava sentado no corredor ela queria trocar comigo, depois que eu fui para o lado não, ou seja ela queria que ficasse ela e a amiga dela ocupando três lugares; mas vai ser folgada assim. O pior de tudo é que de tanto ela insistir ela consegui, um lugar para mim no corredor e um para o china também no corredor. Ao lado da minha companheira de viagem que falei acima.
Logo pensei:- Nossa me dei bem! Mas não foi bem assim, do meu lado direito agora havia um casal de velhinhos, aparentemente holandeses, os véios se drogaram e foram dormindo o caminho inteiro, mas babar no meu ombro não é o problema. Passado uns 40 minutos de voô, a véia vira para o lado e solta uma bufa que foi complicado. Mais uns 30 minutos veio outra. TRUMMMM!!! E a cadeira mexendo, se não fosse pelo fedô até dava pra disfarçar dizendo que era a turbulência. Mais uns 25 minutos outra. BRAUMMMM!!! –Porra está véia vai cagar na minha cara deste jeito. E assim foi minha viagem por longas e dolorosas 11 horas. O cheiro está impregnado na minha roupa até agora, acho que terei que atear fogo.
Quando achei que minha experiência com merda havia acabado eis que surge. Tanã!!!
Bem hoje de manhã fui na prontaprint, local onde arrumei trabalho pela internet, embora a moça tenha me dito que não precisava me preocupar, que já estava dentro eu fiquei muito preocupado, com a entrevista, cheguei uma hora mais cedo que o combinado, fui me apresentar e o atendente me pediu para que voltasse dalí meia hora, então fui até o Mc Café, pedi um capuccino e fiquei rezendo e pedindo a unção do Espírito Santo, depois tentei ler o jornal na praça Stephen Green (um lugar lindo digasse de passagem), quando:
Ploft! -O meu Deus, era só o que me faltava.
Um pombo acabara de acertar em cheio o meu jornal, e aquela coisa mole manchou o meu casaco.
-Droga como eu irei para a entrevista assim?
Peguei o casaco e limpei a merda com o verso da merda no jornal, resumindo era uma merda frente e verso agora. Pensei que o máximo que poderia acontecer na entrevista era ela me dizer “não”. De fato havia pedido a unção do Espírito Santo e sei também que ele se apresenta em forma de pombo, mas não precisava cagar em mim né!
Entrei na entrevista e foi um sucesso, as máquinas que eles trabalham são as mesmas da Tesouro, a equipe é super legal e já até me apelidaram. Quem advinhar ganha um doce. Kaká, mas hoje mais do que nunca Kokô (o irmão dele).

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Anjos do Céu

Em janeiro de 2005 fui a uma exposição gráfica na Alemanha, mais precisamente em Munich, capital do estado da Bavária. Ficamos o dia inteiro em Poing um distrito industrial onde a Océ, fabricava seus materiais (Océ é uma marca de impressoras de grande porte). Depois de escurecer, resolvemos ir até o centro da cidade, para conhecer melhor a cultura local e claro jantarmos.
Uma das coisas que mais me chamou atenção em Munich são as marcas da guerra, ou melhor da pós guerra, pois tão traumático como o terceiro reish foi dividir o país ao meio. Porém admirável, pois em 60 anos a Alemanha já voltava à ser uma potência no cenário mundial, e atualmente o Euro só tem a força que tem devido a Alemanha e a França.
No caminho de ida para o Hotel, eu ouvi o pessoal conversando que o Holliday Inn era próximo do metrô U3, caso acontecesse alguma coisa nós já saberíamos para onde correr. O local de encontro foi em frente ao carro, no estacionamento subterrâneo às 21h45. Nós nos separamos logo no início onde cada um foi comprar o que lhe interessava, e eu estava doido por uma máquina digital.
Fui até a loja O2 que é uma espécie de Lojas Americanas da Alemanha, e procurei o melhor custo benefício, o atendente, falava muito bem inglês e estava me ajudando, com o que fosse possível. Seu nome era Lehman (fala-se Liman) e ao ver que ele gostava de rocky comecei a puxar assunto com ele, até para treinar seu inglês, porque não é todo mundo que tem paciência para falar com um semi-analfabeto. O tempo passa e quando dou por mim, 21h20, pronto me despedi correndo e fui até o ponto de encontro, na rua fazia -14 graus e eu estava com a boca dormente, dando a impressão que eu havia acabado de sair do dentista. Minha calça encostava gelada a cada passo, e meus pés eu já não sentia mais.
Ao entrar no estacionamento subterraneo meu nariz começou a sangrar, devido ao ar seco, é estranho, mas lá o ar é seco e gelado. Sentei-me na frente do carro e fiquei aguardando, conforme o vento entrava por uma saída e ia até a outra eu congelava, meu nariz começou a jorrar sangue nesta hora. O tempo passou era 22h40 e pensei que eles não iriam vir mais, levantei-me e percebi que estava na frente do carro errado, eles já haviam ido embora e eu ainda estava lá.
Não fiquei desesperado e fui até o metrô e perguntei, onde eu poderia tomar o trem que iria até a estação U3, ele então me respondeu que U3 não era uma estação e sim uma direção. Subi a escada e perguntei para a moça se ela poderia me dar o intinerário até o endereço que eu tinha, e ela prontamente me deu. Só tem um probleminha, tudo em alemão. Eu então comecei a procurar palavra por palavra pra saber se era um artigo, um substantivo ou o que quer que seja, para que eu encontrasse o nome da estação que tinha que descer. Até que um senhor se aproximou de mim e perguntou em inglês: -Posso te ajudar? – Claro!
Então ele leu a carta pra mim e disse para eu pegar o trem na plataforma amarela. Passado alguns minutos o trem chegou e eu entrei no mesmo. Porém a estação que veio a seguir não era a “mahetaller” como deveria ser, então eu pedi ajuda a uma menina que me disse para voltar a estação que eu estava, e esperar o trem S8, aí reparei que na mesma plataforma passam diversos sentidos de trem, não é como no Brasil que um vai para a Zona Sul e outro pra Zona Norte. Achei a estação mas ainda tinha muita coisa escrita em meu intinerário, chegando na estação que eu deveria descer, sairam apenas um casal com um bebê de colo e eu. Que olhei para um lado e vi neve, olhei para o outro e vi neve também, aí o rapaz virou para trás e perguntou:
- Can I help you? (posso te ajudar)
- Yes you can! (sim, pode)
Ele leu o intinerário, apontou para um onibus e disse para eu correr, pois ele estava apenas me esperando. Corri, de fato corri muito atras do ônibus, chegando no ponto entrei, sentei-me e dei o papel todo molhado para o motorista ler, ele não falava inglês mas eu consegui compreender que ele não conhecia o local. Puts, pensei agora Fu... de vez! Sentei no ônibus e o motorista pediu informação para a central, o rádio da central estava alto e só conseguia entender uma coisa que eles falavam: -Naim, nain, naim! (não, não, não) Nesta hora me bateu uma angústia e comecei a chorar, rezei muito pedi ajuda a Deus, como eu podia ficar perdido em uma exposição, neste frio e eu com roupas do inverno de São Paulo, que nem se compara ao inverno europeu! Eu fiquei imaginando onde eu iria dormir? Será que encontraria o Hotel, ou ao menos um lugar quente para dormir? O ônibus foi enchendo, e eu ia perdendo minhas esperanças, quando um casal levantou e apontou à direita, falando:
- Holliday Inn, apfelstrudel volkswagen hoist!
O motorista respondeu:
-Apfelstrudelvolkswagen hoist brazilianer!
Nisto o casal virou para trás e falou:
-Você é brasileiro?
-Sim!
-De onde você é?
- De São Paulo, mas eu moro no Rio.
- Que legal, eu sou do Rio e ele é de São Paulo. Vamos, nosso ponto é o próximo. Seu Hotel fica ao lado de nosso apartamento.
Nossa eu não sabia o que fazer, o relógio já apontava 23h40 e eu perdido na rua, sendo que o ônibus e metrô param de circular às 00h, naquele momento senti algo estranho, espero que você já tenha tido está impressão, mas senti que o mundo girava pra mim, que era só eu pedir com fé que ele enviaria os anjos dele para me resgatar e me deixar na porta de casa. Ao me deixarem na porta do Hotel eu falei:
-Não sei nem como agradecer! Aliás eu acho que não tenho. Porque vocês são pagos para isto.
-Pois para mim, eu vou entrar por aquela porta e vocês abriram as asas e saíram voando.
É impossível eu contar esta história sem me emocionar, analizando friamente os fatos, na Alemanha não há tantos brasileiros como nos Estador Unidos por exemplo, a Alemanha é muito fechada, inflexível á migração, tanto é que todo o tempo que eu fiquei na Alemanha esta foi a única vez que encontrei brasileiros. Não para mim, eles não existem, ou melhor existem para mim.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Tesouros

Ao contrário do que muita gente deve estar imaginando, este texto, não retrata minha empresa, de fato a Tesouro também é muito especial em minha vida, porém é apenas mais um tesouro (com o perdão da repetição). Este, talvez mude um pouco o clima que vocês devam estar habituados a ler no site, mas prometo que não será em forma definitiva, o por quê? Simples este é meu último texto no Brasil, a próxima vez que postar algo no blog será em solo irlandês. Medo? Posso dizer que tenho sim, afinal de contas, não tenho fluência no idioma, não conheço ninguém no país e também nem sei ao certo se passarei pelo meu primeiro desafio: O visto.
Gostaria de não citar nomes, pois tenho medo de cometer alguma injustiça ao não dar ênfase em determinado nome, mas de maneira especial gostaria de agradecer aos Lopes, os que tenham a cadência napolitana, como os Cantieri, os que sejam paulistanos puros, como os Marinho (que infelizmente optaram por retirar o Lopes de seu nome), os que tenham raízes conturbadas como os Lima e não poderia esquecer neste momento os Lopes do Carmo, os legítimos. Sinônimo de trabalho, luta e inteligência. Tia Geise, em momento algum fique com vergonha de falar o “do Carmo” de seu sobrenome, honre-o, pois eu gostaria muito de tê-lo. A todos de minha família deixo aqui meus humildes agradecimentos.
Rio, um lugar que realmente não curto, mas consegui neste, cultivar várias, amizades e aprendi muito com o pessoal. A loja que tenho carinho especial, trato-a como minha vida, pois a própria loja possui, e é dentro deste amontoado de pedras unidas com gordura de baleia, que reside o espírito dela. Por favor, agasalhem bem ela, para que a friagem não a derrube, mantenha um bom fluxo, entre os vasos sanguíneos, para que não falte oxigênio em nenhum membro. Márcio e Regina cuidem de sua cabeça, para que a enxaqueca nunca a derrube.
A minha pequena, deixo uma lembrança. Quando temos Deus, nunca estamos sozinho, eu aprendi isto desde o dia em que fui salvo na Alemanha, pelos meus anjos. Não acredita em anjo? A próxima história então será pra você. Apegue-se em Deus, reze, ore, seja lá o que for, mas sempre mantenha o contato com Ele. Afinal de contas é seu Pai, quer você queira, quer não. Sentirei muito sua falta, mas estarei o mais presente possível, contarei minhas aventuras e dificuldades.
Meu irmão e minha mãe. Sei que não sou digno nem ao menos de repetir estas palavras, mas sobre o assunto que vocês têm falado individualmente à mim, é bem cabível.
MULHER EIS AÍ SEU FILHO. FILHO EIS AÍ SUA MÃE.
Cuidem um do outro.
Com muito carinho,
Pool

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

A popóca francesa


Saímos para jantar: Giby, Li, minha namorada e eu. Minha acompanhante tinha um sério problema de se manter de pé. A propósito as botas que ela usa devem ter rodinhas, não é possível. Onde ela ia ela caia, até pensei em comprar joelheiras e cotoveleiras para ela, mas não ficaria muito charmoso, então comprei uma caixa de band-aid mesmo.
Dizem que a pizza vem da Itália, pois bem, segundo relatos do wikipédia também. Mas meu primo suíço disse que a pizza realmente havia sido produzida na França. Pesquisando melhor o assunto vemos que a pizza é algo muito antigo, os egípcios e gregos já degustavam a maior fonte de energia e de barriga dos paulistanos e nova-iorquinos, mas segundo o mito, foram os italianos que introduziram tomate e trataram o pão árabe de forma diferente, misturando com queijo e outros ingredientes. Bem neste caso o que o meu primo disse, até tem fundamento e realmente acredito nesta grande possibilidade. Estávamos nos Alpes franceses, uma região fabulosa, linda de mais, onde cada lugar que você olha é um cenário que se eterniza em sua mente e bem na fronteira com a Itália. Opa! Itália, pizza, fronteira. Quem sabe a lenda não errou alguns quilômetros? Pouco importa, mas decidimos experimentar a pizza local.
Depois de certa dificuldade para interpretar os ingredientes, (uma dica válida: Jambon é presunto) finalmente conseguimos pedir o prato. A minha pizza era com ovo, até aí tudo bem, o problema é que o ovo era cru, e estava quebrado sob minha pizza. Irq!!! Mas resolvi experimentar, afinal de contas eram os olhos da cara para um brasileiro e até que era bom, depois de um tempo o ovo deixa de ser cru, porque mistura com os outros ingredientes que ainda estão quentes.
Minha digníssima pequena resolveu ir ao banheiro. Passado um tempo e nós já tínhamos, até pedido a sobremesa e nem sinal da minha namorada. Nisso foi me dando vontade de ir ao banheiro, chegando ao local havia duas portas com flores desenhadas, uma escrito Homme e a do canto escrito Femme, no banheiro dos homens estava uma fila, um rapaz rindo, eu e mais dois que chegaram logo depois de mim. Achei aquilo muito estranho, e pensei nossa este rapaz deve estar com uma dor de barriga sem tamanho. Passado uns cinco minutos, ouço a descarga, a porta se abre lentamente, olho não querendo acreditar e vejo a minha namorada segurando uma fila sem tamanho. Ela me olhou e só aí reparou que estava no banheiro masculino. (Será que ela não viu um mictório ao lado dela?) Ela começou a chorar e começou a me contar o que aconteceu:
- Eu não acredito, vim pra França pra passar um mico destes.
- Calma, ninguém vai saber (à não ser que seu namorado filho da puta resolva colocar no blog)
- Ai nossa. Eu vi duas portas mas tem esta florzinha aqui. Aí eu entrei.
- Você não reparou que o restaurante inteiro é decorado com florzinhas? E você não leu esta palavra “Homme”?
- Não! O pior é que eu estava lá e esqueci de passar o trinco, aí este moço já foi entrando e viu tudo minha popóca! Ai não acredito, vim pra França pra mostrar a popóca pros outros. Desculpa Du. (a propósito, Du também é um pseudonome meu)
- Tudo bem, poderia ser pior, já imaginou se você estivesse em Irajá?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Água no Nariz

Como falei no texto anterior muitos costumes diferentes dos nossos cercam a Suíça, desde o hábito de urinar sentado (sendo homem) até o vício de comer coisas altamente gordurosas no café da manhã. Pelo incrível que pareça comer lingüiça e bacon no café, é um hábito inglês que foi passado para toda a Europa e também aos Estados Unidos. Devo admitir que depois de 3 semanas na Europa até me arrisquei em comer uma linguiçinha, mas na maioria das vezes dava preferência ao bom e velho Corn flakes.
Meus tios e eu estávamos nas nuvens, tudo pra gente era motivo de uma fotografia, tanto que meu álbum voltou com 396 fotos, (o problema é que naquela época a câmera digital era muito cara então eu tive que revelar do modo convencional mesmo) tirei foto até eu com a lixeira, afinal de contas, era uma lixeira suíça.
Uma coisa que me chamou muito a atenção, todos os brasileiros que eu conheci na Suíça eram mulheres, ou seja, brasileiras, não conheci nenhum casal na Suíça cuja o homem fosse brasileiro e a mulher suíça. De fato os gringos gostam mesmo de nossas mulheres, ou as mulheres suíças não gostam muito da coisa. Mesmo assim vamos ao que interessa. O banheiro!!!
Chegamos do aeroporto e recebemos uma aula de utensílios domésticos na Suíça, como usar a tábua de passar, como lavar a roupa, como apagar a luz e etc. Mas foi no banheiro que causou o maior espanto. Ao usá-lo para fazer o número dois, depois de terminado, acionasse a descarga (ainda sentado) esta leva o ... vamos chamar de “excremento” para seu devido lugar, eis que surge do nada um jato quente na sua ... vamos chamar de “bunda” e este retira a sujeira e ainda depois tem um secador de bunda integrado. É pratico, porém a primeira vez. Realmente a gente nunca esquece.
Todos haviam saído para ir ao supermercado, apenas meu tio e eu ficamos em casa, estava jogando videogame quando reparei ele com as costas toda molhada e eu perguntei: - Tio o que é isto? Você esqueceu de tirar a camisa para tomar banho?
- Não Paulinho, eu sentei um pouco pra frente, e na hora que apareceu o jato molhou tudo as minhas costas.
Tudo voltou a normalidade e eu voltei ao meu joguinho, passado uns 15 minutos do ocorrido, ouço um barulho estranho. Nisto a porta do banheiro se abre e sai meu tio com a cara toda molhada.
- Nossa tio! O que é isto? Tudo bem?
Ele começou a rir e disse:
- Eu queria ver como aquele treco funcionava.
- E aí descobriu?
- Não, na hora a descarga desceu e veio um negócio bem na minha cara.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Sorriso de Monaliza

Em 2002 minha prima que mora na Suíça fez um convite especial, ir a casa dela. No começo achei que estava atrapalhando, pois estavam indo o irmão dela e seus pais. Agora um primo? Nada a ver né? Bom não foi bem assim. Minha família é muito unida e esta viagem fez com que eu pegasse um carinho especial pelos meus tios e meus primos. Eu já havia saído do país uma vez, e para eles eu era o experiente em viagens, até porque eu sabia falar “ingrês” e já tinha viajado até os Estados Unidos. O problema é que, quando fui aos Estados Unidos eu tinha 17 anos e fui para a Disney, ou seja, falei em português.
O Nível do inglês é basicamente separados por filmes: Tem o nível horror, que pra te ouvir dá medo! O nível drama, dá uma vontade de chorar! O nível comédia, todos dão gargalhadas quando você fala e o nível ação, este você fala rápido, pra ninguém reparar que você não sabe falar direito. Já eu, estava em um nível alternativo, o filme pornô. Tudo que eu sabia dizer era: -O, yes, o, yes, fuck. Estas eram as palavras que tinha em meu vocabulário e era com elas que eu deveria passar pelo controle alfandegário da Suíça. Resumindo, estava lascado.
Pisando pela primeira vez em solo, no aeroporto de Zurich, meus tios estavam super-ansiosos para rever sua filha e claro conhecer uma nova cultura. Eu não conseguia me conter de empolgação. Dizem que conhecer a Suíça é conhecer a Europa toda, pois um único país, do tamanho do estado de São Paulo fala quatro línguas, com vários costumes e etc. Na Suíça aprendemos a respeitar as diferenças, pois cada cidade é competamente diferente e isto inclui até mesmo habitos alimentares.
Conforme fomos aproximando do guichê de entrada, o frio ia tomando conta de meu corpo. Quando eu era o próximo eu nunca havia suado tanto. A capacidade dos pais matar a saudade de sua filha, estava em minhas mãos, e eles ainda afirmavam.
– Não tem problema não, o Paulinho fala inglês! Nossa aquilo me corroia. Como eu iria falar pro rapaz que eu não iria morar lá ilegalmente, e convencê-lo que era uma boa pessoa se nem ao menos falar inglês? O policial me chamou, abriu meu passaporte, olhou o visto dos Estados Unidos e começou a falar inglês comigo. Eu só me lembro que era tom de pergunta, então eu sorri sem mostrar os dentes e inclinei minha cabeça para o lado. Como quem diz. O que você acha? Ele olhou e disse. - I understand. Em seguida outra pergunta, pensei se deu certo uma vez deve dar novamente. Utilizei o mesmo artifício. – I understand. They are your family? Yes! Welcome to Switzerland! Pronto consegui!!! Santo Leonardo da Vinci.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Estórias Européias

Como viajo dia 29 de janeiro, para Dublin, mas quero manter meus leitores, estou escrevendo algumas histórias de aventuras e micos meus na Europa. Dá uma olhada!!!
Em 2006 fui participar de um evento gráfico em Munique, Alemanha. Fiquei quatro dias no evento, passeando, curtindo, me perdendo e escrevendo claro. Na hora de voltar para o Brasil, pensei: - Já que estou aqui, vou dar uma passadinha na Suíça e falar com a Li. Pois bem, não demorei nem um pouco e troquei minha passagem. Me despedindo do pessoal peguei um avião para Zurich, foi fantástico, o que eu gosto de viajar não é ficar de “turistão” com máquina fotográfica na mão e sim conhecer o cotidiano da cidade, entender sua economia, o que move o país, onde eles trabalham, qual o centro da cidade, se é dependente de outra cidade e etc. E isto em Zurich é apaixonante, talvez uma das melhores cidades do mundo. Bom ainda tenho muitas a conhecer, mas o que posso dizer nestas duas semanas que fiquei em Zurich, se resume à uma palavra: “EDUCAÇÂO”, eu fiquei indignado quando a garçonete foi nos atender e perguntou em inglês: -Que língua vocês gostariam de ser atendidos? Eu quase falei: “-Você fala português?” Mas claro me segurei e calei a minha boca. A ênfase no atendimento é ótima na Europa toda, mas em especial na Suíça, é demais. Todos se preocupam muito com o próximo, mas muitos costumes eu estranhei e muito. Não pode tomar banho depois da dez da noite. Justificativa? Pra não atrapalhar o vizinho de baixo. Imagina então se você tem uma banda de rock. Como fica? Urinar sentado, mesmo sendo “homem”. Justificativa? Para que o próximo a utilizar o banheiro não encontre respingos e dejetos fora do lugar. Este eu até acho aceitável, realmente seria muito melhor, o problema é que iríamos demorar mó cara para ir ao banheiro no dia a dia.
Depois de todos estes acontecimentos e passeios chegou a hora de voltar para o Brasil. Meu vôo tinha escala em Frankfurt na Alemanha, então fui ao Flughafen (aeroporto) de Zurich e me dirigi até Frankfurt. Só que meu vôo de Frankfurt para São Paulo havia atrasado. E não tinha quadro com a numeração dos vôos no local que eu aguardava para fazer a conexão, ou seja, estava ferrado. Sentei-me calmamente na cadeira e aguardei. Depois de um tempo a moça anunciou no alto-falante algo do tipo: - apfelstrudelvolkswagen zeiz hoestch!!! Todos começaram a levantar e formar fila e claro eu também. Fui ao fim da fila e ao chegar para dar minha passagem, fui informado que aquele não era meu vôo. Aí voltei e sentei na cadeira novamente. Mais ou menos uns quinze minutos depois a moça do alto-falante anunciou outra coisa: apfelstrudelvolkswagen zeiz hoestch! E todos levantaram, inclusive eu. Mais uma vez na fila e ao chegar a moça me falou que não era meu vôo novamente. Mas agora foi pior, porque ao voltar para sentar na minha cadeira a mesma já estava ocupada. Fiquei de pé, por pelo menos uma hora e assim que consegui me sentar a moça de tanto eu ir lá dar a passagem errada, decorou meu vôo. Finalmente era o meu.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Falando e pesquisando

Algumas dicas que me ajudaram muito a escolher um país. Primeiro, seja prático, esta história de “Você aprende o idioma lá” é pura mentira, se você quer aprender o idioma, tem que sair com uma base daqui do Brasil, e não importa o quanto você fala inglês, seu nível é no máximo intermediário. Presunçoso? Talvez, mas olhe o exemplo, seria errado eu dizer que falo português fluente, até por que possuo muitos erros de pontuação e uso correto dos “porqueres” e olha que eu falo português a nada mais nada menos que vinte e cinco anos, portanto, se você não tiver convívio diário com a língua, não pode afirmar que possui o idioma fluente. Só para constar o por que acima, deveria ser junto. Só não me pergunte o porquê. Eu adoro a França, porém meu vocabulário se resume a: abajur e soutien, portanto escolhi um país de língua inglesa.
Outro tópico muito importante veja a cultura do povo, seus hábitos alimentares, esportes favoritos, como é o tratamento formal e informal, assim você evita desconfortos de sair dando beijos no rosto da mulherada na Inglaterra por exemplo. Agora algo fundamental, o Au pair, nem sei se escreve desta forma mesmo, você pega uma intimidade maior com a família que te hospedou, porém é indicado para mulheres, pois é o serviço de baby sitter. Para homens é legal trabalhar em cassino e etc. Na Irlanda os salários variam de E$ 6,00 à E$ 10,00 por hora, levando em conta 80 horas mensais trabalhadas, dá um valor de E$ 480,00 à E$ 800,00. (este sinal de E$ é Euro, é que no meu teclado eu não achei) para calcular o custo de vida de determinado país é bom analisar alguns detalhes, como: passagem de translado, o valor do ônibus, do táxi, do metrô. Custo da refeição, o preço do Mc Donald’s dá uma boa noção no valor. O custo de moradia, entre em um site de imóveis local e estude muito antes de decidir qualquer coisa. Abaixo segue alguns sites, que tem me ajudado muito: irishjobs.ie; daft.ie e claro google.ie. Eu particularmente encontrei emprego, na goldenpages.ie, entrei no ramo de copiadoras e enviei meu currículo por e-mail. Sim sorte!!! Muita sorte!!!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Mensagem de Natal

Ao brincar com minha sobrinha no chão da sala, reparei a atenção que ela dá a simples detalhes, coisas que, de fato, eu nem tinha reparado. A base da árvore, seu caule, cada enfeite, as renas e o Papai Noel em miniatura que montamos, no presépio, e, principalmente, o menininho deitado ao centro. Entrando no mundo da criança, creio que compreendi porque ela presta mais atenção do que a gente. Ela enxerga tudo de baixo pra cima, demonstrando o aprendizado e principalmente a humildade, a capacidade de enxergar cada detalhe da árvore até chegar à estrela. Nós adultos, estamos acostumados a olhar as coisas de cima para baixo, vendo primeiramente a estrela e não toda a estrutura que a torna importante.Que neste natal todos nós tenhamos olhos de criança. (Paulinho)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Como Fazer?!?

Para entrar na união européia, não precisa de visto aqui no Brasil, no caso da Irlanda o visto é concedido na entrada do país. Um maluco olha pra sua cara e vê se você pode ou não ficar na Irlanda. Vale lembrar que nossa imagem de brasileiro não é bem vinda no exterior. Afinal de contas: Quer conhecer brasileiras no exterior? Vá em um puteiro! Desta forma os homens apresentam um pouco mais de facilidade na entrada do país.
Com visto de turista você não pode trabalhar no país, a não ser que você consiga arrumar um subemprego e o proprietário aceite correr o risco. Já com o visto estudantil, só é permitido trabalhar 4 horas por dia. Porém como você já estará na empresa ficará mais fácil conseguir um acerto de horas.
Em países europeus, é muito comum a divisão de apartamentos com jovens locais ou de outras nacionalidades. Normalmente os adolescentes europeus, saem de casa aos 18 anos, para estudar, na capital ou algo do gênero, em outras palavras, criar responsa. Por isso é bom ver para dividir um apartamento, porque é muito caro se manter lá.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

A escolha


Estudar fora não é caro, se você fizer conta dá mais ou menos mil e duzentos reais por mês, levando em consideração que um curso de idiomas cobre na média duzentos reais, para estudar uma hora, duas vezes por semana, isto dá, vinte e cinco reais por hora. Agora estudando no exterior este custo cai para um e sessenta e sete por hora. Dá pra apertar os cintos e segurar a barra, pra realizar este sonho.
Pois bem, liguei para diversas agências de intercâmbio, a que me deu um respaldo mais eficiente foi a mundial. Ela fica em Sampa, mas não tive problema algum pra ter todos os contatos por e-mail.
Eu pedi possibilidades, queria um país, que falasse inglês, aceitasse bem o imigrante, que pudesse estudar, trabalhar e que o custo de vida não fosse tão alto. Logo após ela me enviou três possibilidades, África do Sul, Irlanda e Austrália. África do Sul, muito violenta, moro no Rio, ouço tiro todo o dia e agora vou pra África do Sul, no way. Austrália, do outro lado do mundo e mais algumas horas, sou branquelo, não gosto de praia, porque ela também não gosta de mim e longe para um cacete né!!! Bom, mas Irlanda?!? Hum, fale mais?!? Gostei da idéia, U2, já imaginou se eu volto amigo do Bono e chamo ele pra tocar lá na chácara enquanto nós fazemos pamonha? Foi fácil a escolha, tenho dois irmãos na Europa, uma na Suíça e outro na Itália, qualquer coisa, estamos aí. E além do mais Dublin é próximo da Inglaterra, que eu posso dar um rolê. Quem sabe né!!!

Eu

Meu nome é Paulo, tenho diversos pseudo-nomes, sou paulistano (nascido na cidade, paulista é no estado), tenho 25 anos, adoro U2, fiquei dois dias na fila para ir ao show no Morumbi, sou são paulino, moro no Rio de Janeiro, para ser mais exato no bairro da Tijuca, para as pessoas que não conheçam o Rio ou possuem influência da globalização, isto é, efeito causado pelas novelas da Globo na vida das pessoas, Tijuca é um bairro similar a faixa de gaza, Berlin em 89 ou golfo pérsico. Não confundam nunca com a Barra da Tijuca.
Todo o “tijucano” adora seu bairro, e como eu sou forasteiro, não ligo a mínima por falar a verdade. Tijuca é um Up-grade do Méier, mas pelo menos tem metrô.
Trabalho no Rio a 4 anos, vim montar uma loja da rede para qual trabalho, só que eu tenho um probleminha, adoro desafio, sou muito competitivo e odeio rotina, sendo assim, juntei um dinheirinho e umas roupas e resolvi, estudar fora.